O Irã agora permite que outros países comprem mísseis, drones, navios de guerra e outros itens usando criptomoedas, de acordo com a Mindex, agência estatal iraniana de exportação de armas. Criptomoedas, escambo e riais iranianos são métodos de pagamento válidos.
A oferta teve início em algum momento do ano passado e representa um dos primeiros casos públicos em que um país aceita abertamente criptomoedas em troca de armamento militar.
A Mindex afirma ter clientes em 35 países. Seu catálogo é extenso e inclui mísseis balísticos Emad, drones Shahed, navios de guerra da classe Shahid Soleimani e sistemas de defesa aérea.
Existem também mísseis de cruzeiro, armas leves e foguetes; alguns dos quais já foram vistos nas mãos de grupos armados apoiados pelo Irã, de acordo com governos ocidentais e as Nações Unidas.
O site da Mindex está online, público e impecável. Está disponível em vários idiomas. O domínio está hospedado em um provedor de nuvem iraniano que já está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA. Segundo Washington, esse provedor tem ligações com a inteligência iraniana. O Financial Times supostamente confirmou a autenticidade do site por meio de dados de arquivo e registros do servidor.
O processo de compra é digital. Há um chatbot, um portal online e uma página de perguntas frequentes. Essa página pergunta diretamente: “Considerando as sanções contra o Irã, qual a garantia de que otracserá executado e o produto chegará ao país de destino?”
Resposta da Mindex: “É importante ressaltar que, dadas as políticas gerais da República Islâmica do Irã em relação à burla das sanções, não há problema algum na execução dotrac. O produto adquirido chegará até você o mais breve possível.”
Não há preços listados, mas os compradores podem solicitar inspeções presenciais das mercadorias no Irã. Isso está "sujeito à aprovação das autoridades de segurança". E se você quiser pagar em seu próprio país em vez do Irã, essa também é uma opção.
Existem algumas condições. A Mindex afirma que os clientes devem concordar com regras sobre como as armas serão usadas, especificamente “durante uma guerra com outro país”. Mas a empresa ressalta que esses termos são negociáveis entre as duas partes. Em outras palavras, se você tiver as criptomoedas, eles conversam.
Tudo isso acontece num momento em que cada vez mais países sancionados estão testando criptomoedas para manter suas economias em movimento. A Rússia já foi flagrada fazendo isso. Agora, o Irã está incorporando a criptomoeda ao seu modelo de negócios militar.
O Departamento do Tesouro dos EUA já havia alertado sobre isso antes. Ele já puniu empresas russas por usarem ativos digitais para burlar sanções. E o Irã já foi criticado por fazer o mesmo com a venda de petróleo, movimentando centenas de milhões fora dos bancos tradicionais.
Em setembro, autoridades americanas sancionaram pessoas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã por operarem o que chamaram de rede de "bancos paralelos" usando criptomoedas. O objetivo: movimentar fundos estatais sem ser detectado.
Os países ocidentais não estão satisfeitos. O Reino Unido, a França e a Alemanha tentaram retomar as negociações com o Irã. Não funcionou. Em agosto, acionaram um processo da ONU para restabelecer as sanções globais após o fracasso dessas negociações.
Ainda assim, o Irã continua exportando. Em 2024, o país ocupava a 18ª posição mundial em exportações de armas, logo atrás da Noruega e da Austrália, segundo o Instituto de Pesquisa da Paz de Estocolmo. Nesse mesmo ano, o Atlantic Council afirmou que o Irã poderia cash das dificuldades de exportação da Rússia após a invasão da Ucrânia.
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