Dólar rompe R$ 5,52 e metais disparam com tensão externa

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O dólar comercial engatou sua quarta sessão consecutiva de valorização, rompendo com facilidade a barreira psicológica dos R$ 5,50 e ignorando a tendência de desvalorização global da moeda americana vista em sessões anteriores. 

A divisa encerrou o dia cotada a R$ 5,5223, uma alta sólida de 1,07%, refletindo um mercado local que opera em modo de alerta máximo diante da reconfiguração do cenário eleitoral para 2026.

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Fonte: Google Finance

O driver principal para esse estresse cambial não vem dos fundamentos macroeconômicos imediatos, mas da deterioração das expectativas políticas. A percepção de risco aumentou significativamente com a consolidação da possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, em detrimento do nome favorito da Faria Lima, o governador Tarcísio de Freitas.

A leitura dos investidores institucionais é pragmática e avessa ao risco: uma disputa polarizada entre Flávio e o atual presidente Lula tende a favorecer a reeleição do petista. 

Pesquisas recentes da Genial/Quaest já mostram Lula com vantagem confortável no primeiro turno e vencendo em todos os cenários de segundo turno, o que projeta a continuidade da atual matriz econômica e fiscal.

A volatilidade foi exacerbada por ruídos de bastidores que ganharam força durante o pregão. Informações circularam dando conta de que o senador Ciro Nogueira teria sinalizado a agentes do mercado que Tarcísio deve focar na reeleição em São Paulo. 

Essa confirmação tácita de uma estratégia que retira o "nome de consenso" do mercado da disputa nacional elevou imediatamente os prêmios de risco na curva de juros e no câmbio.

Cenário externo e fluxo de hedge

No front externo, o ambiente também não ofereceu o alívio necessário para contrabalancear o ruído doméstico. 

O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas fortes, operou em alta, sustentado pela expectativa de divergência monetária entre as principais economias desenvolvidas.

Investidores globais ajustam posições ante a iminência de um corte de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE), o que pressionou a libra esterlina e fortaleceu o dólar comparativamente. 

Apesar do rali vigoroso desta semana, é importante contextualizar que a divisa ainda acumula uma queda de 10,63% no ano de 2025. Contudo, a dinâmica recente sugere uma mudança de humor: o mercado de futuros já precifica um cenário mais tenso para o início do próximo ano, com o contrato para janeiro negociado a R$ 5,5350.

Essa demanda renovada por dólares futuros indica que tesourarias e empresas estão buscando hedge (proteção) contra uma potencial volatilidade política. O movimento de alta intradia, que chegou a bater 1,24%, alinhou-se perfeitamente com a abertura das taxas dos DIs e a queda do Ibovespa, desenhando um cenário clássico de aversão ao risco Brasil.

Ouro avança e prata rompe máxima histórica com tensão eua-venezuela

Enquanto o mercado de câmbio brasileiro reflete idiossincrasias locais, o cenário global de commodities metálicas opera sob a lógica do medo geopolítico e da proteção de capital. O ouro encerrou a sessão em alta de 0,96%, cotado a US$ 4.373,9 por onça-troy, reafirmando seu papel clássico de "safe haven" em momentos de incerteza sistêmica.

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Fonte: Investing.com

No entanto, o protagonismo do dia ficou com a prata, que registrou uma valorização explosiva de 5,7%, encerrando a US$ 66,901 por onça-troy. Durante o pregão, o metal chegou a romper a barreira dos US$ 67 pela primeira vez na história, um movimento que sinaliza uma corrida agressiva por ativos reais diante da percepção de riscos assimétricos no horizonte.

O gatilho imediato para essa aversão ao risco foi a escalada diplomática e militar entre Washington e Caracas. A ordem do presidente Donald Trump para o bloqueio total de navios petroleiros venezuelanos sancionados, somada à classificação do governo de Nicolás Maduro como organização terrorista, injetou uma nova dose de volatilidade nos mercados.

Expectativa pelo cpi e a política do fed para 2026

Além do ruído geopolítico, os investidores operam em compasso de espera pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA. A leitura desse indicador é crucial: sinais de desinflação podem pressionar os rendimentos dos Treasuries para baixo, enfraquecendo o dólar globalmente e abrindo ainda mais espaço para a valorização dos metais preciosos.

A tese de investimento se sustenta na calibração das expectativas para o Federal Reserve. Apesar de dados mistos de emprego recentes, o consenso de mercado ainda aponta para dois cortes de juros no primeiro semestre de 2026. Um ambiente de juros reais menores reduz o custo de oportunidade de manter ativos não rendimentos como o ouro e a prata.

Analistas do Swissquote reforçam que os fundamentos para a continuidade do "bull market" nos metais permanecem intactos. A combinação de um Fed potencialmente mais brando, menor apetite por dívida pública americana (Treasuries) e tensões geopolíticas persistentes cria um cenário técnico e fundamental perfeito para a manutenção do rali.

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