Ibovespa sobe com alívio na curva de juros e falas de Galípolo; cíclicos lideram, enquanto Petrobras e Vale recuam

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O Ibovespa concentrou as atenções na política monetária nesta segunda-feira (24), repercutindo a revisão das estimativas para a Selic no Boletim Focus e novas declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 0,33%, aos 155.277,56 pontos. O movimento positivo foi sustentado pelas ações ligadas à economia doméstica, que se beneficiaram do fechamento da curva de juros.

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Fonte: Google Finance

No entanto, os ganhos foram limitados pelo desempenho negativo dos pesos-pesados do índice, como Petrobras, Vale e o setor bancário, que enfrentaram noticiários corporativos e setoriais específicos.

O dólar à vista encerrou as negociações com leve queda de 0,43%, cotado a R$ 5,3574, acompanhando o movimento de desvalorização da moeda americana no cenário internacional e o fluxo para ativos de risco.

Galípolo reforça dependência de dados e autonomia

Em evento na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a postura técnica da autarquia. Ele afirmou que o BC permanece "dependente de dados" para suas próximas decisões.

Galípolo declarou estar "insatisfeito" com o nível atual das expectativas de inflação, sinalizando que o trabalho de convergência para a meta ainda não está concluído.

Sobre a relação com o Executivo, o presidente do BC afirmou que as críticas do governo à taxa de juros "não incomodam". Essa fala visa reforçar a percepção de autonomia da autoridade monetária frente a pressões políticas.

Ele foi enfático ao dizer que "toda vez que for necessário, o BC vai usar a taxa de juros", indicando que não hesitará em manter ou elevar a Selic se o cenário inflacionário exigir.

Boletim Focus revisa Selic de 2026 para baixo

No campo das projeções, o mercado reduziu suas estimativas para a taxa básica de juros no longo prazo. No Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, os economistas consultados pelo BC cortaram a projeção da Selic para 2026.

A estimativa caiu de 12,25% para 12% ao ano. Para o final de 2025, a projeção da taxa segue inalterada em 15% ao ano, refletindo a cautela de curto prazo.

As expectativas para a inflação também foram ajustadas marginalmente para baixo. Os economistas agora veem o IPCA a 4,45% no final de 2025, ante 4,46% na semana anterior.

Essa é a segunda redução consecutiva na projeção de inflação. O número situa-se dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual.

Cíclicos avançam com alívio nos juros futuros

Entre as companhias listadas no Ibovespa, as ações cíclicas (sensíveis aos juros e à economia local) puxaram o tom positivo. O movimento foi apoiado pela forte queda da curva de juros brasileira.

O alívio nos DIs (Depósitos Interfinanceiros) foi favorecido pelo recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e por dados de arrecadação federal recorde em outubro, que diminuíram a percepção de risco fiscal.

Nesse cenário, papéis como MRV (MRVE3) e Assaí (ASAI3) lideraram os ganhos do índice, reagindo à perspectiva de um custo de capital menor no longo prazo e de melhora no consumo.

CSN Mineração cai com venda de ações em tesouraria

Na ponta negativa, o destaque foi a CSN Mineração (CMIN3). As ações da mineradora foram pressionadas pelo anúncio de um programa de alienação de ações mantidas em tesouraria.

A companhia comunicou na sexta-feira a aprovação da venda de até a totalidade das ações de sua emissão que estão em tesouraria. O programa terá duração de 18 meses e envolve até 53,29 milhões de papéis.

O mercado reagiu vendendo o ativo, antecipando o aumento da oferta de ações em circulação, o que tende a pressionar o preço no curto prazo. Atualmente, a empresa tem 1,65 bilhão de papéis em circulação.

Blue Chips: Petrobras, Vale e Bancos em baixa

O desempenho do Ibovespa só não foi melhor devido à queda dos ativos de maior peso. A Petrobras (PETR3; PETR4) destoou da alta do petróleo no mercado internacional e terminou a sessão em queda.

Segundo informações da Bloomberg, a estatal deve atrasar a concessão de até quatro contratos de perfuração em seu maior campo offshore por pelo menos alguns meses, o que gerou cautela sobre o cronograma de produção.

A Vale (VALE3) também fechou no vermelho, indo na contramão do minério de ferro, que registrou ganhos. O setor bancário fechou majoritariamente em queda.

Os investidores seguem monitorando os desdobramentos da liquidação do Banco Master e as eventuais implicações para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que manteve o setor financeiro sob pressão.

Wall Street dispara e pressiona dólar com falas do Fed

Os índices de Wall Street tiveram fortes ganhos nesta segunda-feira, com o Nasdaq registrando seu melhor desempenho diário desde maio, subindo 2,69%. O movimento foi impulsionado pela consolidação das apostas na continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.

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Fonte: Google Finance

O diretor do Fed, Christopher Waller, afirmou que os dados recentes indicam que o mercado de trabalho dos EUA continua "fraco o suficiente" para justificar outro corte de juros na reunião de dezembro.

Essa declaração fez as apostas de redução na taxa saltarem para cerca de 80% na ferramenta FedWatch, do CME Group. Na semana anterior, essa probabilidade estava em 71%.

Esse cenário de juros mais baixos nos EUA tirou força da moeda americana globalmente. O dólar à vista encerrou a sessão no Brasil com queda de 0,12%, a R$ 5,3950, acompanhando a estabilidade do índice DXY no exterior.

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Fonte: Google Finance

Além do diferencial de juros mais favorável a emergentes, o real também ganhou força com a valorização das commodities. O minério de ferro subiu na China e o petróleo Brent avançou 1,25% em Londres, favorecendo o fluxo para o país exportador.

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