Grupo Mateus (GMAT3) estende quedas; CVC (CVCB3) desaba 7,6% com dólar a R$ 5,40 e tensão política

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As ações do Grupo Mateus (GMAT3) registraram queda pela sétima sessão consecutiva nesta sexta-feira (21). O movimento estende uma sequência negativa que já acumula perdas de cerca de 25% no período.

A pressão vendedora se intensificou após a divulgação dos resultados, com os papéis caindo 20% em apenas cinco pregões. No fechamento de hoje, os ativos recuaram 1,73%, cotados a R$ 5,00.

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Fonte: Google Finance

O principal motivo para a derrocada não foram apenas os resultados operacionais do terceiro trimestre, considerados "nebulosos", mas a revelação de um erro contábil bilionário.

O balanço apontou uma falha de R$ 1,1 bilhão na valorização de estoques no balanço patrimonial de 2024. O problema decorreu de erros nos cálculos do custo médio das mercadorias vendidas.

O ajuste bilionário e o impacto no patrimônio

A correção realizada pela empresa ajustou o valor das mercadorias estocadas em 2024, que estavam superavaliadas. O montante passou de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões.

Esse ajuste contábil teve um impacto direto e severo no patrimônio líquido da companhia, que sofreu uma queda para R$ 9,1 bilhões. O corte no valor contábil da empresa foi de quase R$ 695 milhões.

O tema de problemas com estoques no Grupo Mateus não é exatamente uma novidade para o mercado, o que agrava a percepção de risco de governança.

Em maio de 2021, o formulário de referência da empresa enviado à CVM, relativo a 2020, já apontava que a auditoria da época, a Grant Thornton, havia identificado 42 deficiências moderadas nos controles da varejista.

Analistas veem números "poluídos" e falha de comunicação

O Bradesco BBI classificou os números do terceiro trimestre como "poluídos". Embora os dados operacionais ajustados tenham ficado em linha com as estimativas, a série de novas informações gerou apreensão.

"É incerto que o mercado aceite o ajuste de estoque e a nova contabilização de aproximadamente R$ 1 bilhão sem questionamentos neste momento. Mais detalhes ainda são necessários", apontou o banco em relatório.

Analistas de mercado também criticaram a forma como a empresa comunicou o problema. A questão apareceu de forma técnica no resultado, com um efeito contábil claro, mas sem uma explicação detalhada das razões para o erro.

A falta de clareza compromete a leitura dos resultados em relação às expectativas. Os ajustes retroativos no lucro bruto sugerem uma lucratividade menor do que a reportada anteriormente no 3T24, em cerca de 0,40 ponto percentual.

Desempenho operacional desafiador no Nordeste

Além da questão contábil, o desempenho operacional do terceiro trimestre de 2025 (3T25) também apresentou desafios. O BBI destacou dificuldades no faturamento do varejo de alimentos, principalmente na região Nordeste.

As vendas em mesmas lojas (SSS), excluindo o segmento de atacado (B2B), registraram uma queda de 1,1%. Esse número veio pior do que a estimativa do Bradesco BBI, que projetava uma retração menor, de 0,7%.

Apesar dos problemas, o BBI manteve sua recomendação de "outperform" (compra), com preço-alvo de R$ 9, apostando na recuperação de longo prazo.

Já a Nord Research tem uma recomendação neutra para os ativos. A casa de análise avalia que os eventos pontuais e os ajustes contábeis ofuscaram o desempenho de crescimento da empresa.

Para a Nord, o foco daqui para frente deverá ser a incorporação do Novo Atacarejo e os potenciais ganhos de sinergia. A consolidação da presença nas regiões de atuação e o aumento de eficiência nas unidades maduras serão cruciais para recuperar a confiança.

CVC lidera perdas com dólar a R$ 5,40 e ajuste ao "payroll"

Enquanto o varejo alimentar lida com questões contábeis, o setor de turismo foi duramente penalizado na volta do feriado, com a CVC liderando as quedas do Ibovespa em reação à disparada do dólar e à abertura da curva de juros.

As ações da CVC (CVCB3) despencaram nesta sexta-feira, encerrando o dia com uma queda de 7,61%, cotadas a R$ 1,82 na mínima do dia. O papel foi a principal vítima da aversão ao risco em um pregão de ajuste após o feriado da Consciência Negra.

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Fonte: Google Finance

A pressão vendedora sobre a operadora de turismo foi direta: o dólar à vista disparou 1,20%, fechando a R$ 5,4020. Um dólar mais caro encarece diretamente os pacotes de viagem e reduz o poder de compra das famílias, afetando as perspectivas de receita da empresa.

Além do câmbio, a alta nas taxas de juros futuros (DIs) também pesou. O mercado realizou um ajuste tardio aos dados do "payroll" (emprego) nos EUA divulgados no feriado, que vieram muito acima do esperado (119 mil vagas), lançando dúvidas sobre o corte de juros pelo Fed em dezembro.

Ruído político entre Planalto e Senado pressiona câmbio

O estresse no câmbio não foi apenas externo. O mercado reagiu negativamente a ruídos políticos em Brasília, especificamente em torno da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula.

Relatos indicam que a escolha desagradou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerando temores de uma piora na relação entre o Planalto e o Congresso. O risco de "pautas-bomba" e de deterioração fiscal fez o dólar se fortalecer estruturalmente frente ao real.

Somado a isso, o cancelamento da divulgação do CPI (inflação) dos EUA, devido à paralisação do governo, deixou os investidores sem uma bússola clara, aumentando a cautela e a busca por proteção na moeda americana.

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