Dólar dispara para R$ 5,50 com temores fiscais e ameaças de Trump; governo muda regras do crédito imobiliário

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O dólar fechou com forte alta em relação ao real nesta sexta-feira (10), com os agentes do mercado reagindo mal a uma combinação de temores fiscais renovados no cenário doméstico e a uma nova onda de aversão ao risco no exterior.

A moeda americana chegou a bater os R$ 5,51 na máxima do dia e encerrou as negociações com uma valorização de 2,38%, aos R$ 5,503.

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Fonte: Google Finance

A forte alta do dólar foi impulsionada por notícias de que o governo estuda um "pacote de bondades" de R$ 100 bilhões para 2026, ano eleitoral, sem uma definição clara de como financiar as medidas.

A preocupação com a deterioração das contas públicas se somou a um ambiente externo mais arriscado, após o presidente dos EUA, Donald Trump, voltar a ameaçar com novas tarifas de importação, o que tende a gerar uma saída de recursos estrangeiros de países emergentes como o Brasil.

Temores fiscais renovados com 'pacote de bondades' de R$ 100 bilhões

O principal catalisador para a forte alta do dólar na sessão foi a repercussão de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que indicou que um pacote de medidas para 2026 poderia somar R$ 100 bilhões, sem que as receitas para bancar esses gastos estivessem garantidas.

Na lista de medidas estariam programas já anunciados anteriormente pelo governo, como a:

  • ampliação da isenção do Imposto de Renda para uma faixa maior da população;

  • a distribuição de gás de cozinha;

  • a isenção nas contas de energia para uma parcela das famílias de baixa renda;

  • e o pagamento de bolsas para estudantes.

A avaliação de especialistas do mercado é de que a notícia, embora se refira a medidas para o futuro, funciona como um "aceno populista" que reacende o temor de uma deterioração das contas públicas.

Ainda que não haja a implementação de novas medidas, a preocupação dos agentes financeiros é de que o ano de 2026 seja, de fato, marcado por ações com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que poderia ter um impacto negativo para a trajetória fiscal do país.

Essa percepção de aumento do risco fiscal leva os investidores a buscarem proteção no dólar, o que explica a forte alta da moeda.

A busca por receitas alternativas após a derrota no Congresso

A preocupação com a sustentabilidade das contas públicas é agravada pelo fato de o mercado ainda esperar por novas medidas do governo para recompor suas receitas, após a derrota sofrida no Congresso com a rejeição da Medida Provisória 1.303, que tratava da taxação de aplicações financeiras.

Na visão de economistas, com a derrubada da MP, o governo terá que buscar medidas alternativas para compensar a perda de arrecadação que estava prevista.

Entre as possibilidades que estão sendo avaliadas, estaria a elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que poderia impactar operações de câmbio e de crédito.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já confirmou que o governo pode aumentar essa alíquota sem a necessidade de uma nova aprovação do Congresso, o que torna essa uma das alternativas mais viáveis do ponto de vista político.

Ameaças de Trump e o impacto no câmbio

Somando-se às preocupações domésticas, o cenário externo também contribuiu para a alta do dólar.

O anúncio do presidente Donald Trump de uma tarifa de 100% sobre a China atingiu as bolsas globais e criou um novo gatilho para a saída de recursos estrangeiros de mercados emergentes como o Brasil.

Segundo Trump, a medida foi uma resposta à intenção da China de impor controles de exportação sobre minerais de terras raras, cruciais para a fabricação de chips de computador, a partir de 1º de novembro de 2025.

Curiosamente, no exterior, o dólar registrava perdas ante a maior parte das demais moedas fortes, como o iene e o euro.

No entanto, em relação ao real, a moeda americana se fortaleceu, mostrando que os fatores de risco locais tiveram um peso maior para os investidores que operam no mercado de câmbio brasileiro.

A combinação de incertezas fiscais no Brasil com um novo embate comercial entre as duas maiores economias do mundo reacendeu a aversão ao risco e abalou tanto o câmbio quanto a bolsa nesta sexta-feira.

Governo anuncia mudanças no crédito imobiliário

Em meio ao dia de estresse no mercado financeiro, o governo anunciou nesta sexta-feira importantes mudanças nas regras do crédito imobiliário.

O novo modelo, que deverá ter plena vigência a partir de janeiro de 2027, após um período de transição, prevê o fim gradual do direcionamento obrigatório dos depósitos das cadernetas de poupança para essa modalidade de financiamento.

Atualmente, 65% dos depósitos da poupança precisam ser direcionados ao crédito imobiliário. Além disso, outros 20% são obrigatoriamente recolhidos no Banco Central como depósito compulsório.

Durante o período de transição para o novo modelo, o volume dos compulsórios será reduzido para 15%. Em outra iniciativa para estimular o setor, o governo anunciou a elevação do valor máximo do imóvel que pode ser financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

As novas regras, que representam uma mudança estrutural para o setor financeiro e imobiliário, foram acompanhadas de perto pelo mercado, embora seu impacto tenha sido ofuscado pelas notícias fiscais e externas.

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