AUD/JPY recua após máxima de seis meses com fortalecimento generalizado do iene

Pedro Augusto Prazeres
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Fonte: DepositPhotos

O par AUD/JPY — que representa o dólar australiano contra o iene japonês — recuou nesta quarta-feira (17/07), acompanhando o fortalecimento do iene frente às principais moedas globais.

Após atingir a máxima de seis meses na terça-feira, cotado a 97,43 — nível não visto desde 28 de janeiro — o par acumula queda superior a 1% e é negociado na região de 96,40 durante a sessão americana.

O movimento de queda reflete, principalmente, a recuperação do iene japonês, que vem ganhando força com o aumento nos rendimentos dos títulos públicos de 10 anos do Japão.

Os juros atingiram 1,6%, maior patamar desde 2008, impulsionados pela expectativa de novos estímulos fiscais no país, em meio ao calendário eleitoral.

Especulações sobre medidas como a redução do imposto sobre consumo também contribuem para a pressão altista nos juros — o que tende a favorecer a moeda japonesa.


Cotação do AUD/JPY dos últimos 5 dias.
Fonte:
Google Finance

Correção técnica freia rali do dólar australiano

Do lado australiano, o dólar local passa por um movimento de realização de lucros após uma sequência de valorização iniciada na semana passada.

Indicadores técnicos sinalizam que o rali perdeu força: o Índice de Força Relativa (RSI), por exemplo, recuou da zona de sobrecompra no gráfico diário, indicando uma correção técnica de curto prazo.

Apesar da fraqueza momentânea, o desempenho recente do dólar australiano tem sido apoiado por sinais de resiliência no mercado de trabalho e por uma postura cautelosa do Banco da Reserva da Austrália (RBA) em relação à flexibilização monetária.

Relatório de emprego da Austrália será determinante para o rumo da política monetária

A atenção dos investidores agora se volta para o relatório de emprego de junho da Austrália, que será divulgado nesta quinta-feira (18/07). Os dados devem ajudar a calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco da Reserva da Austrália (RBA).

O consenso do mercado aponta para a criação de cerca de 20 mil postos de trabalho no mês, com a taxa de desemprego prevista para se manter estável em 4,1% — mesmo nível registrado em maio.

Na leitura anterior, apesar de uma leve queda no número total de empregos, houve forte alta na geração de vagas em tempo integral, o que sinalizou robustez no mercado de trabalho.

Se o relatório desta semana mostrar nova melhora, o RBA poderá se sentir mais confortável para manter a taxa básica de juros em 3,85% por mais tempo ou até adiar eventuais cortes.

Por outro lado, uma surpresa negativa — especialmente se vier acompanhada de aumento na taxa de desemprego — pode reacender as apostas em um viés mais dovish da autoridade monetária, aumentando a pressão sobre o dólar australiano.

Atualmente, os contratos futuros precificam uma chance de 80% de que o RBA reduza os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de agosto.

No entanto, os dados de inflação ao consumidor do segundo trimestre, que serão divulgados no fim de julho, também devem influenciar significativamente essa decisão.

Japão divulga dados de comércio e inflação ainda nesta semana

Do lado japonês, os próximos dias também serão marcados por divulgações macroeconômicas importantes.

O país apresenta seu balanço comercial na quinta-feira, seguido pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nacional na sexta-feira.

Esses indicadores devem oferecer novos sinais sobre a saúde da economia japonesa e podem influenciar as expectativas em torno da política monetária do Banco do Japão (BoJ).

Caso o CPI mostre aceleração da inflação, isso poderá fortalecer ainda mais os rendimentos dos títulos públicos japoneses — cenário que favorece o iene e pode impor novas pressões baixistas sobre o par AUD/JPY no curto prazo.

Variação percentual do CPI japonês.
Fonte: Trading Economics

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