Ibovespa atinge máxima histórica de 142 mil pontos; aproximação com México e pesquisa eleitoral animam mercado

O Ibovespa teve um dia de forte otimismo e registrou um novo recorde histórico nesta quinta-feira (28/08).
O principal índice da bolsa brasileira fechou em alta de 1,32%, aos 141.049,20 pontos, mas durante a sessão, ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 142 mil pontos, atingindo a máxima de 142.138,27 pontos.
O bom humor foi acompanhado pela queda do dólar, que recuou 0,19%, para R$ 5,406, e pelo recuo das taxas de juros futuros em toda a curva.
Fonte: Google Finance
O movimento de alta foi impulsionado principalmente por fatores domésticos, com os investidores repercutindo positivamente os avanços do governo brasileiro na busca por novos mercados e uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República.
O cenário positivo no Brasil conseguiu se sobrepor a um dia de maior cautela em Wall Street, que reagiu de forma mista aos resultados da Nvidia e a dados que mostraram uma economia americana mais forte do que o esperado.
Fatores domésticos positivos superam cautela externa
Dois principais fatores no cenário doméstico ajudaram a impulsionar o mercado brasileiro. O primeiro foi a percepção de que o governo federal está avançando em sua estratégia de buscar alternativas comerciais aos Estados Unidos.
Uma grande comitiva governamental, chefiada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, está no México para estreitar os laços comerciais, e a expectativa é de que o país libere a importação de carne bovina de mais frigoríficos brasileiros.
A iniciativa é vista como um esforço para "fazer dos limões uma limonada", buscando novos mercados para compensar o impacto das tarifas americanas.
O segundo fator veio do campo político. Uma pesquisa do instituto Atlas, indicando vantagem na intenção de voto para a Presidência da República para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sobre o presidente Lula, foi bem recebida pelo mercado financeiro.
A avaliação de analistas é de que Tarcísio é visto como o candidato favorito do mercado e a antecipação de um cenário eleitoral com sua liderança contribui para o bom humor dos investidores. Na visão de um sócio da Dom Investimentos, os fatores positivos domésticos estão se sobrepondo às incertezas geradas pelas tarifas dos EUA.
O cenário misto nos Estados Unidos
Enquanto a bolsa brasileira disparava, o mercado em Wall Street teve um dia de ganhos mais tímidos, embora o S&P 500 também tenha atingido um novo recorde. A cautela dos investidores americanos foi uma reação a dois pontos principais.
O primeiro foi o balanço da Nvidia, divulgado na noite anterior. Embora os números tenham sido fortes, foram considerados "mistos" por analistas, já que a receita da divisão de data centers ficou um pouco abaixo das estimativas e as projeções da empresa para o próximo trimestre não consideraram nenhuma venda de chips H20 para a China.
O segundo ponto de cautela veio da própria economia americana. A segunda estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre foi revisada para cima, mostrando que a economia continua vigorosa, apesar dos juros altos.
Esse dado levantou dúvidas se o Federal Reserve terá, de fato, espaço para cortar as taxas de juros na reunião de setembro, embora as apostas do mercado ainda apontem majoritariamente para um corte.
Dados fiscais e operação da Polícia Federal no radar
Apesar do otimismo na bolsa, o dia no Brasil também trouxe notícias que exigem atenção. O Tesouro Nacional informou que o Governo Central teve um déficit primário de R$ 59,124 bilhões em julho, um dado fiscal negativo.
Além disso, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal deflagraram uma operação para atingir o braço financeiro de organizações criminosas. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o grupo investigado movimentou R$ 52 bilhões em quatro anos.
A operação teve um impacto direto nas ações da Reag Investimentos (RAEG3), que não faz parte do Ibovespa, mas que desabaram 15,69% após uma busca e apreensão em sua sede.
Em um desdobramento relacionado, Haddad afirmou que a Receita Federal passará a enquadrar as fintechs com as mesmas obrigações regulatórias dos grandes bancos.
Desempenho do Ibovespa e o fechamento do dia
A alta do Ibovespa nesta quinta-feira foi bastante disseminada, mostrando a força do movimento comprador.
Apenas cinco ações que compõem o índice fecharam em queda. Entre os destaques negativos, ficaram o GPA (PCAR3), que perdeu 1,39%, e a Vivo (VIVT3), com recuo de 0,44%.
A grande maioria dos papéis, no entanto, acompanhou o sentimento positivo do dia e encerrou em alta, garantindo o novo recorde de fechamento para o índice.
Fonte: gov.br
Um dos principais destaques do pregão foi a forte disparada das ações das distribuidoras de combustíveis. Os papéis da Raízen (RAIZ4) subiram 7,55%, os da Ultrapar (UGPA3) avançaram 6,99%, e os da Vibra (VBBR3) também registraram ganhos expressivos.
O movimento ocorreu após a Polícia Federal e a Receita Federal lançarem a operação "Carbono Oculto", descrita como a maior da história do Brasil contra irregularidades no setor, como sonegação fiscal e adulteração de combustível.
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