Bitcoin (BTC) está 'muito barato’, aponta JPMorgan; ETFs de Ethereum lideram captação

O preço atual do Bitcoin (BTC) está "muito baixo" em comparação com o ouro, especialmente quando se considera que sua volatilidade atingiu uma mínima histórica.
Essa é a conclusão de uma nova análise do banco de investimento JPMorgan, que estabeleceu um "valor justo" para a principal criptomoeda na casa dos US$ 126.000, um patamar que, segundo os analistas do banco, pode ser alcançado até o final de 2025.
Fonte: CoinMarketCap
A tese central do banco se baseia em uma combinação de fatores que estão tornando o Bitcoin um ativo mais maduro e atraente para investidores institucionais.
A queda drástica na volatilidade, a crescente acumulação por tesourarias corporativas e a inclusão de empresas com exposição ao ativo em grandes índices de ações são os principais pilares que sustentam a projeção otimista.
Volatilidade do Bitcoin atinge o menor nível da história
Um dos principais argumentos da análise é a mudança no perfil de risco do Bitcoin. A volatilidade do ativo, que mede a intensidade de suas oscilações de preço, caiu de um patamar próximo de 60% no início do ano para cerca de 30% atualmente, o que representa uma mínima histórica.
Essa redução na volatilidade é um fator crucial para a tese de investimento, pois torna o Bitcoin um ativo mais palatável para grandes investidores institucionais, que precisam de um certo grau de previsibilidade para alocar capital.
Com a volatilidade mais baixa, o Bitcoin se aproxima do perfil de risco de ativos mais tradicionais, como o ouro, o que permite uma comparação mais direta entre os dois em uma carteira de investimentos.
Acumulação corporativa como um fator de estabilidade
A principal causa para a supressão da volatilidade, segundo a análise, é o aumento expressivo das compras de Bitcoin por tesourarias corporativas. Atualmente, estima-se que as empresas de capital aberto já detêm mais de 6% da oferta total de Bitcoin.
Esse movimento de acumulação de longo prazo retira moedas de circulação e as aloca em participações mais passivas, o que diminui a pressão vendedora e, consequentemente, as oscilações de preço.
O banco compara essa dinâmica ao que ocorreu com o mercado de títulos após a crise de 2008, quando os programas de "quantitative easing" dos bancos centrais, que consistiam na compra massiva de títulos, também reduziram a volatilidade desses ativos ao travá-los em balanços de longo prazo.
A competição entre as tesourarias corporativas para acumular Bitcoin também está se intensificando, com novas empresas como a Nasdaq-listed KindlyMD e a BSTR, de Adam Back, anunciando planos de adotar o Bitcoin como seu principal ativo de reserva.
Inclusão em índices de ações atrai fluxo de capital passivo
Outro fator que tem contribuído para a estabilidade e para a demanda pelo Bitcoin é a inclusão de empresas com grandes reservas do ativo em importantes índices do mercado de ações.
A adição da MicroStrategy (agora Strategy) a grandes benchmarks de mercado já atraiu novos fluxos de capital passivo para a tese de investimento em Bitcoin.
Mais recentemente, a promoção da empresa japonesa Metaplanet para o status de "mid-cap" nos índices da FTSE Russell levou à sua inclusão no FTSE All-World Index, um dos maiores índices globais. Esse tipo de inclusão força fundos passivos que replicam esses índices a comprarem as ações dessas empresas, o que, indiretamente, aumenta a demanda e a validação do Bitcoin como um ativo de reserva.
A tese do 'valor justo' em comparação com o ouro
O cálculo do preço-alvo de US$ 126.000 é baseado em uma comparação do Bitcoin com o ouro em termos de risco ajustado.
Com a queda da volatilidade, a relação de volatilidade entre o Bitcoin e o ouro caiu para 2.0, o menor nível da história. Isso significa que, atualmente, o Bitcoin consome apenas duas vezes mais "capital de risco" do que o ouro em uma alocação de portfólio.
Com base nessa premissa, para que o Bitcoin se equipare ao valor total do investimento privado em ouro, que é de aproximadamente US$ 5 trilhões, sua capitalização de mercado, hoje em US$ 2,2 trilhões, precisaria subir cerca de 13%. Esse aumento na capitalização de mercado implicaria um preço teórico de US$ 126.000 por bitcoin.
A análise do banco também destaca que, enquanto no final de 2024 o Bitcoin estava sendo negociado cerca de US$ 36.000 acima desse nível de "valor justo", hoje ele está sendo negociado aproximadamente US$ 13.000 abaixo, o que, na visão dos analistas, aponta para um potencial de valorização ainda maior.
Fluxo de ETFs mostra rotação de capital para o Ethereum
Enquanto a tese de longo prazo para o Bitcoin se fortalece, os fluxos de capital no mercado de ETFs mostram uma clara preferência pelo Ethereum no curto prazo.
Os ETFs de Ethereum à vista nos EUA registraram US$ 307 milhões em entradas líquidas na quarta-feira, continuando a superar os fluxos de capital vistos nos ETFs de Bitcoin.
O movimento foi liderado pelo fundo da BlackRock, o ETHA, com entradas de US$ 262,6 milhões, seguido pelo fundo da Fidelity, o FETH, com US$ 20,5 milhões. No mesmo dia, os ETFs de Bitcoin registraram entradas de US$ 81,3 milhões.
Maiores detentores de ETFs de Ether por categoria. Fonte: James Seyffart
Apesar dos fluxos positivos para ambos os ativos, a contínua captação superior dos fundos de Ethereum destaca uma tendência de rotação de capital para a segunda maior criptomoeda do mercado.
Analistas apontam que essa preferência pode deixar o Bitcoin exposto a uma maior fraqueza no curto prazo. A força relativa do Ethereum é visível na cotação do par ETH/BTC, que subiu acima de 0.04 na semana passada pela primeira vez no ano
Na manhã de quinta-feira, o Bitcoin subia 2%, para US$ 113.307, enquanto o Ethereum permanecia estável, em US$ 4.581.
Isenção de responsabilidade: este artigo representa apenas a opinião do autor e não pode ser usado como consultoria de investimento. O conteúdo do artigo é apenas para referência. Os leitores não devem tomar este artigo como base para investimento. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, procure orientação profissional independente para garantir que você entenda os riscos.
Os Contratos por Diferença (CFDs) são produtos alavancados que podem resultar na perda de todo o seu capital. Esses produtos não são adequados para todos os clientes; por favor, invista com rigor. Consulte este arquivo para obter mais informações.