Oi (OIBR3) reverte lucro e tem prejuízo de R$ 835 milhões no 2º trimestre; ações caem forte

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A Oi (OIBR3), que se encontra em processo de recuperação judicial, divulgou na noite de quarta-feira (4/9) os resultados do segundo trimestre de 2025, reportando um prejuízo líquido de R$ 835 milhões.

O número representa uma forte reversão em relação ao mesmo período de 2024, quando a companhia havia registrado um lucro de R$ 15,1 milhões. O mercado reagiu de forma muito negativa ao balanço, com as ações da operadora chegando a cair mais de 3,5%, cotadas a R$ 0,54.

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Fonte: Google Finance

O resultado reflete um momento de profunda transformação para a companhia, sendo este o primeiro trimestre completo sem as receitas das operações de fibra ótica e de TV por assinatura, que foram vendidas como parte do plano de reestruturação.

A queda expressiva na receita e a deterioração das margens mostram o tamanho do desafio que a "nova Oi" tem pela frente para encontrar um caminho de rentabilidade sustentável.

Análise do resultado operacional e da nova composição da receita

A receita líquida consolidada da Oi no segundo trimestre atingiu R$ 684 milhões, uma queda de 67,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A retração é um reflexo direto da venda de grande parte de suas operações, que eram as principais geradoras de receita da antiga estrutura da companhia.

Com a nova configuração, a receita da Oi passou a ser distribuída entre suas operações remanescentes. A principal delas, a Oi Soluções, focada no mercado corporativo, foi responsável por 50% do faturamento, com uma receita de R$ 342 milhões.

Esse número, no entanto, também representa uma baixa de 23,7% na comparação anual, indicando que mesmo o principal negócio da nova fase da empresa enfrenta desafios de crescimento. Os outros 39% da receita vieram das subsidiárias nacionais, e 11% das operações do legado e do atacado.

A queda na receita teve um impacto direto na rentabilidade. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de rotina ficou negativo em R$ 91 milhões no trimestre, uma deterioração de 8,6% em relação aos R$ 83 milhões negativos do segundo trimestre de 2024. A margem Ebitda ajustada, por sua vez, atingiu um patamar negativo de 14,3%, o que representa uma piora de 10 pontos percentuais em um ano.

A estrutura de custos e as despesas financeiras

Apesar da forte queda na receita, a Oi mostrou avanços em sua reestruturação de custos, um dos principais objetivos do plano de recuperação judicial. Os custos e despesas operacionais totais somaram R$ 804 milhões no trimestre, um corte de 63,9% na comparação anual.

Essa redução, no entanto, não deve ser lida como um ganho de eficiência pura, mas sim como um reflexo direto da saída das operações que foram vendidas, que possuíam uma estrutura de custos muito mais elevada.

Um dos destaques positivos nessa frente foi a redução das despesas com pessoal, que totalizaram R$ 349 milhões no trimestre, uma diminuição de 19,0% na base anual.

O número reflete os esforços de reestruturação do quadro de funcionários da operadora para adequá-lo ao novo e menor tamanho da companhia, uma medida necessária, mas que também mostra o encolhimento da operação como um todo.

No lado financeiro, no entanto, a pressão continua a ser um grande desafio. A Oi registrou uma despesa financeira líquida de R$ 353 milhões no segundo trimestre, uma forte reversão em relação ao mesmo período de 2024. A base de comparação com o ano anterior é particularmente difícil, pois o resultado de 2024 havia sido positivamente impactado por receitas financeiras extraordinárias de R$ 15,645 milhões.

Essas receitas foram decorrentes dos efeitos da "novação de dívidas", um termo jurídico que se refere à renegociação e substituição de dívidas antigas por novas, no âmbito da primeira recuperação judicial da companhia. A ausência desses ganhos não recorrentes em 2025 evidencia a realidade da atual estrutura de custos financeiros da empresa.

Aumento da dívida líquida e a queima de caixa

O balanço do segundo trimestre também mostrou um aumento preocupante na dívida da companhia. A dívida líquida a valor justo atingiu R$ 10,034 bilhões, um aumento de 50,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O crescimento do endividamento em um momento de Ebitda negativo é um dos principais pontos de atenção para os investidores, pois pressiona ainda mais a estrutura de capital da empresa e dificulta sua capacidade de se recuperar.

A companhia também continuou a registrar queima de caixa no período, embora em um ritmo menor do que no ano anterior. A queima de caixa totalizou R$ 139 milhões no trimestre.

 Embora esse número seja 39% inferior na comparação anual, uma queima de caixa, para uma empresa que não gera lucro operacional, significa que a companhia está gastando mais do que arrecada, o que consome suas reservas e aumenta a urgência de uma solução de longo prazo.

O capex (investimentos em capital) foi de apenas R$ 41 milhões no período, um reflexo da fase de desinvestimentos e da necessidade de preservar o caixa para as despesas operacionais e financeiras da companhia, que segue em um delicado processo de recuperação judicial.

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