Odent Donald Trump assinou um memorando em 12 de agosto que deu sinal verde para que empresas americanas aprovadas pudessem invadir redes criminosas estrangeiras.
Isso inclui as operações de fraude com criptomoedas que lesaram americanos em bilhões de dólares no ano passado. O controle está a cargo de agências federais.
O memorando orienta que o trabalho seja realizado por meio do Centro Nacional de Coordenação, que faz parte da Força-Tarefa de Segurança Interna.
O Centro deve criar um programa para empresas aprovadas, as "Empresas Participantes" do memorando, para realizar o que denomina Operações de Vigilância Cibernética e Operações de Efeitos Cibernéticos contra Organizações Criminosas Transnacionais estrangeiras com recursos cibernéticos.
O procurador-geral e o secretário de segurança interna liderarão o esforço. As empresas devem firmar contratostraco Departamento de Justiça ou o Departamento de Segurança Interna, passar por verificações de antecedentes e trabalhar somente conforme as instruções do governo.
Os alvos são grupos criminosos estrangeiros, não governos estrangeiros. Qualquer operação que envolva um cidadão americano está sujeita a escrutínio legal adicional, inclusive por parte do Departamento de Justiça.
A Casa Branca atribui boa parte dos prejuízos a crimes cibernéticos. O relatório indica que os consumidores americanos relataram perdas superiores a US$ 20,8 bilhões devido a crimes cibernéticos em 2025. Isso inclui fraudes financeiras, extorsão sexual e esquemas de falsificação de identidade organizados por grupos sediados fora do país.
O Relatório de Crimes na Internet de 2025 do FBI, conforme noticiado pelo Cryptopolitan, registrou mais de US$ 11,3 bilhões relacionados a 181.565 denúncias envolvendo criptomoedas, com um aumento de 21% em relação ao ano anterior.
Muitos desses casos seguem o roteiro do "abate de porcos", com os golpistas construindo uma falsa confiança durante meses antes de direcionar as vítimas para plataformas de criptomoedas fraudulentas.
Uma operação liderada pelo FBI, em conjunto com autoridades dos Emirados Árabes Unidos, Tailândia e China, resultou este ano em 276 prisões, no fechamento de nove centros de fraude e no confisco de mais de 701 milhões de dólares em criptomoedas.
A Força-Tarefa do Centro de Combate a Fraudes do Departamento do Tesouro apreendeu mais de US$ 700 milhões em criptomoedas ligadas ao crime organizado chinês que opera por meio de intermediários no Sudeste Asiático.
Os novos participantes são chamados de "privados cibernéticos". Cynthia Kaiser, ex-funcionária sênior do FBI na área cibernética, afirmou que a ajuda externa poderia liberar agências como o FBI e o Comando Cibernético para se concentrarem em ameaças de Estados-nação, como a China.
O ex-diretor do FBI, Christopher Wray, afirmou que os hackers apoiados pelo Estado chinês superam em número os funcionários cibernéticos do FBI numa proporção de 50 para 1.
Andrew Schoka, que trabalhou no Comando Cibernético dos EUA, alertou que o verdadeiro perigo é "um bando de piratas cibernéticos agindo sem qualquer coordenação ou direção clara em nível federal"
Chris Wysopal, cofundador da Veracode, levantou a possibilidade de algo dar errado no exterior, como um ataque a um centro de dados estrangeiro quedentatinja um hospital. Ele disse que funcionários viajando para o exterior poderiam ser tratados como alvos de detenção.
Um segundo ex-funcionário do Comando Cibernético, Jason Kikta, afirmou que o memorando deixa a supervisão das liberdades civis bastante frágil. "Não há um processo claro de supervisão ou revisão das decisões que serão tomadas por indicados políticos não identificados", disse ele, acrescentando que a ordem "transfere a responsabilidade para as empresas".
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