A Visa agora processa pagamentos em stablecoins a uma taxa anual de US$ 4,5 bilhões, à medida que a demanda aumenta por parte de empresas que oferecem cartões vinculados a criptomoedas. Ainda é uma pequena fatia dos US$ 14,2 trilhões em pagamentos que a Visa processou em 2025, mas está crescendo mês a mês, de acordo com Cuy Sheffield, chefe da área de criptomoedas da Visa.
Sheffield disse à Reuters que a Visa vê uma chance real de se manter à frente ao ajudar as stablecoins a se integrarem ao sistema de pagamentos que já utilizamos. "Mesmo que você esteja criando algo novo com stablecoins, ainda precisa conectá-lo ao sistema atual se quiser que as pessoas realmente o usem", afirmou. No momento, esse sistema ainda é território da Visa.
A Visa já possui programas vinculados a stablecoins, incluindo cartões que permitem aos usuários gastar criptomoedas. Em dezembro, lançou um projeto piloto nos EUA, no qual alguns bancos estão autorizados a liquidar transações com a Visa usando USDC, a stablecoin criada pela Circle.
Ainda assim, Sheffield deixou claro que as coisas ainda não estão prontas quando se trata de realmente gastar stablecoins em lojas. "Não há aceitação em larga escala por parte dos comerciantes", disse ele. Isso significa que as pessoas podem ter USDT ou USDC, mas não podem simplesmente entrar em uma loja e usá-los. Portanto, as empresas que criam cartões de stablecoin? Elas precisam de um cartão Visa para preencher essa lacuna.
“Eles precisam dos produtos e serviços da Visa mais do que nunca para conseguir que clientes reais os utilizem”, acrescentou.
O USDT, emitido pela Tether em El Salvador, tem a maior circulação, cerca de US$ 187 bilhões. Mas mesmo com números como esses, as pessoas não podem usar essas moedas na maioria das lojas. É aí que a Visa entra em cena.
Alguns dos maiores bancos do mundo estão acompanhando isso de perto. No ano passado, Goldman Sachs, UBS e Citi disseram que estavam estudando a possibilidade de criar suas próprias stablecoins.
Isso ocorreu após crescentes discussões sobre a possibilidade de as stablecoins enfraquecerem o controle dos bancos comerciais sobre os pagamentos globais. Na Europa, bancos como o ING e o UniCredit foram além. Eles se uniram para criar uma nova empresa que está desenvolvendo uma stablecoin lastreada em euros, buscando reduzir a influência dos EUA nos pagamentos digitais.
Sheffield disse estar "animado" com isso. "Acho que a história das stablecoins não deve se limitar apenas ao dólar", afirmou.
Mas, enquanto tudo isso acontece, uma grande parte do mundo das stablecoins é impulsionada por investidores. Um tracde dados da Visa-Allium Labs mostra que agora existem mais de US$ 270 bilhões em stablecoins em circulação, mais que o dobro dos US$ 120 bilhões de dois anos atrás.
Mas, dos US$ 47 trilhões em transações de stablecoins registradas no blockchain, apenas US$ 10,4 trilhões foram contabilizados como atividade real pelo site da Visa.
Sheffield explicou que o restante foi excluído porque provinha de bots e traders de alta frequência que negociavam moedas em corretoras ou realizavam outras atividades que não envolviam pagamentos. "Revisamos os dados para remover os volumes de traders de alta frequência... e atividades que não envolviam pagamentos", disse ele.
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