Bitcoin oscila nos US$ 90 mil sob expectativa de decisão sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos
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O Bitcoin (BTC) iniciou a sessão desta sexta-feira gravitando em torno da marca psicológica dos US$ 90.000, enquanto os investidores se preparam para anúncios cruciais vindos de Washington. O mercado de criptoativos opera em um estado de cautela extrema, refletindo a ansiedade global sobre as novas políticas comerciais norte-americanas.
Fonte: CoinMarketCap
A atenção dos operadores de ativos de risco está voltada para a Suprema Corte, que deve emitir um parecer sobre a legalidade das tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump.
Diversos analistas acreditam que uma decisão desfavorável às medidas protecionistas poderia aliviar a pressão sobre os ativos de risco, favorecendo moedas digitais e ações de tecnologia.
Dados do mercado de trabalho e a postura do Federal Reserve
Enquanto o cenário jurídico gera incertezas, os indicadores macroeconômicos tradicionais apresentam sinais mistos para a economia norte-americana. Os dados de desemprego divulgados nesta manhã vieram abaixo das expectativas, sugerindo que a demanda por mão de obra nos Estados Unidos permanece em um patamar de resiliência inesperada.
No entanto, essa força no emprego não foi suficiente para alterar as apostas sobre a próxima decisão do Federal Reserve (Fed). A expectativa majoritária entre os economistas é de que o banco central mantenha a taxa básica de juros nos níveis atuais durante a reunião agendada para o final de janeiro.
A pausa no ciclo de cortes de juros reflete a preocupação do Fed em não permitir que a inflação volte a ganhar tração antes da consolidação plena dos indicadores. Para o Bitcoin, esse cenário de "juros parados" atua como um freio para o otimismo, uma vez que reduz a atratividade de ativos que não rendem juros fixos.
A inércia monetária contribui para que o preço do ativo permaneça preso em uma lateralização que já dura aproximadamente dois meses. Sem um catalisador de liquidez claro vindo do banco central, os grandes gestores de fundos preferem aguardar sinais mais contundentes antes de abrir novas posições direcionais.
Inércia de preços e a fadiga dos investidores no curto prazo
A ausência de uma tendência definida transformou o Bitcoin em um ativo de baixo interesse para os traders de curto prazo nas últimas semanas.
O analista Daan Crypto Trades afirmou em suas redes sociais que não tem interesse em operar oscilações curtas de 5% enquanto essa inércia persistir. Para ele, o ideal é aguardar o fim do ruído por um rompimento decisivo.

Fonte: Daan Crypto Trades/X
O par BTC/USD é classificado por muitos profissionais como uma zona de "não operação" até que um dos extremos do intervalo seja violado com volume relevante. Analistas técnicos observam que o preço tem interagido frequentemente com a nuvem da média móvel de 200 períodos em tempos gráficos menores, sinalizando indecisão.
A consolidação prolongada costuma preceder movimentos explosivos, mas a direção desse rompimento ainda é objeto de debate intenso nas mesas de derivativos. Enquanto o mercado não decide seu rumo, muitos investidores preferem manter o capital em caixa ou alocado em ativos de menor volatilidade.
Níveis técnicos cruciais e o fechamento do gap no CME
No campo das métricas gráficas, os níveis de US$ 88.000 e US$ 92.000 surgem como os pontos de interesse mais críticos para o fechamento da semana. Uma queda abaixo dos US$ 88.000 poderia desencadear uma liquidação em cascata, buscando suportes em patamares que não eram visitados desde o final do ano passado.
Um fator técnico que ainda paira sobre o mercado é a existência de um "gap" aberto no mercado de futuros da CME Group próximo à virada do ano.
Fonte: Michaël van de Poppe/X
Já o especialista Michaël van de Poppe ressaltou que as circunstâncias atuais do mercado são complicadas, com o Bitcoin corrigindo novamente. Ele destaca que manter a média móvel de 21 dias é vital para evitar quedas maiores.
Detentores de longo prazo encerram ciclo de capitulação em 2025
Enquanto o mercado monitora as mudanças regulatórias do MSCI e a política de juros do Fed, os dados on-chain revelam um movimento profundo no comportamento dos grandes investidores. Os detentores de longo prazo (LTHs) atravessaram em 2025 uma das fases de distribuição mais agressivas já registradas na história do Bitcoin.
O impacto dessa pressão de venda foi sentido em toda a estrutura de preços, com o deságue de aproximadamente US$ 300 bilhões em BTC retornando à circulação. Segundo a análise do pesquisador Axel Adler Jr., esse movimento representa um reinício histórico na oferta disponível, limpando posições que estavam dormentes há anos.
Mudança de 30 dias no suprimento de acumulação/distribuição de LTH do Bitcoin. Fonte: Axel Adler Jr.
O período mais intenso dessa liquidação ocorreu entre 15 de novembro e 14 de dezembro de 2025, marcando o maior volume de distribuição em mais de cinco anos. Esse fluxo de saída de carteiras antigas coincidiu com momentos de estresse estrutural na tendência de alta, forçando uma reconfiguração da base de custo do mercado.
Historicamente, vendas massivas por parte dos LTHs não sinalizam o início de novos mercados de baixa, mas sim o esgotamento de um ciclo ou uma transição estrutural. Em 2025, a escala desse desinvestimento sugere que o mercado passou por um processo de capitulação institucional antes de buscar um novo equilíbrio.
Comparativo histórico e o reset do suprimento dormente
A trajetória da oferta em 2025 assemelha-se a ciclos passados, onde a exaustão dos vendedores de longo prazo precedeu recuperações robustas. Em 2018, o suprimento de LTHs caiu drasticamente antes do preço atingir o fundo em US$ 3.500, servindo como base para o rali subsequente que levou o Bitcoin aos US$ 11.000.
Durante o ciclo de 2020 a 2021, a distribuição também acompanhou a expansão de preços até os US$ 61.000, provando que o despejo de moedas antigas pode coexistir com ralis de alta. Contudo, o movimento observado no final de 2025 foi muito mais abrupto, com a oferta caindo de 15,4 milhões para 13,5 milhões de BTC.
O pico de distribuição de 30 dias atingiu a marca inédita de 1,14 milhão de BTC em novembro, indicando que a venda não foi apenas uma realização de lucros ordenada. A análise de Axel Adler Jr. reforça que, desde dezembro, essa queda na oferta cessou, com o suprimento de longo prazo estabilizado em torno de 13,6 milhões de BTC.
O papel do ratio LTH/STH na formação de fundo em 2026
Um indicador crucial para validar esse reinício de ciclo é a proporção entre o suprimento de detentores de longo e curto prazo, o chamado ratio LTH/STH. Em dezembro, esse índice caiu para o patamar de -0,53, um nível que historicamente precede a formação de bases sólidas ou novas máximas em poucas semanas.
Relação de suprimento LTH/STH do Bitcoin. Fonte: Axel Adler Jr.
Sempre que essa métrica atinge valores iguais ou inferiores a -0,5, o Bitcoin costuma comprimir sua volatilidade antes de uma expansão de momentum.
A estabilização da oferta sugere que os novos compradores estão absorvendo o estoque que foi despejado durante o quarto trimestre de 2025. Esse equilíbrio é fundamental para que o mercado suporte novas pressões externas, como as variações nas tarifas comerciais de Donald Trump ou as decisões do Federal Reserve.
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