Hapvida cai 8,39% com volta de executivo e perda de clientes; Ibovespa recua para 161 mil pontos

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A Hapvida (HAPV3) confirmou que Alain Benvenuti assumirá a vice-presidência comercial da companhia. O executivo, que havia renunciado ao cargo de vice-presidente de operações (COO) há apenas três semanas, retorna agora em uma função estratégica para a recuperação da base de clientes.

As ações da operadora de saúde encerraram o pregão com uma queda acentuada de 8,39%, sendo negociadas a R$ 13,98. Este declínio segue um período recente de forte volatilidade no mercado que tem marcado as últimas sessões da empresa.

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Com mais de 25 anos de experiência corporativa, majoritariamente em funções comerciais, Benvenuti era visto como um dos principais cotados para suceder Jorge Pinheiro na presidência. Sua volta ocorre em um momento de transição acelerada na estrutura de comando da operadora de saúde brasileira.

O movimento preenche a lacuna deixada por Rafael Andrade, que saiu da vice-presidência comercial em outubro de 2025. Jaqueline Sena, que ocupava a posição interinamente, passará a se dedicar exclusivamente à unidade de negócios odontológicos do grupo, mantendo a continuidade na área de Odontologia.

Reestruturação da liderança sênior e o plano de sucessão para 2026

A nomeação de Benvenuti faz parte de uma remodelação profunda na governança corporativa da Hapvida. Em dezembro, a empresa anunciou Luccas Adib como novo CEO, substituindo Jorge Pinheiro, que passará a atuar como presidente executivo do conselho de administração.

O mercado financeiro recebeu o anúncio com cautela, dado o histórico recente de trocas constantes na gestão. O Bradesco BBI considerou a notícia de impacto misto, ressaltando que o vai e vem administrativo pode gerar ruídos sobre a coesão da estratégia de longo prazo.

Por outro lado, o retorno de Benvenuti é visto como um fator de estabilidade para a área comercial. Analistas acreditam que sua expertise será fundamental para impulsionar os resultados e assegurar uma transição mais suave sob a liderança de Luccas Adib, que assume o comando em um período crítico.

A nova estrutura também conta com Cidéria Costa na função de COO, trazendo experiência em medicina diagnóstica para otimizar os processos operacionais. 

Desempenho operacional sob pressão e a perda líquida de beneficiários

Apesar das mudanças na cúpula, a Hapvida iniciou 2026 enfrentando os mesmos desafios operacionais do ano anterior. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referentes a novembro mostram que a operadora voltou a registrar perdas relevantes de beneficiários em sua carteira.

A companhia reportou uma perda líquida de 18 mil usuários em novembro, acumulando uma queda de 35 mil vidas no trimestre até o momento. Esse desempenho é interpretado como um sinal negativo para o balanço financeiro do quarto trimestre de 2025, ainda sob impacto da inflação médica.

O estado de São Paulo tem sido o principal gargalo para a recuperação da operadora, com uma perda de cerca de 20 mil beneficiários na região metropolitana. Em contraste, concorrentes como a Amil apresentaram um ritmo sólido de crescimento, com a adição líquida de 51 mil beneficiários no mesmo período. 

Analistas do Goldman Sachs mantêm uma postura de cautela, observando que a companhia precisa provar sua capacidade de execução no mercado paulista. O rebaixamento recente do rating de crédito pela Fitch de AAA para AA+ também adiciona pressão sobre o custo da dívida do grupo.

Ibovespa recua com pressão de Trump sobre o Fed e tensão geopolítica no Irã

O Ibovespa também encerrou a sessão desta terça-feira com uma baixa, recuando 0,72% para os 161.973,05 pontos. O movimento de queda, que representou uma perda de 1.177,30 pontos, foi novamente pautado pela dinâmica externa e pelo protagonismo de Donald Trump.

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Fonte: Google Finance

No mercado de câmbio, o dólar comercial acompanhou a aversão ao risco global e avançou 0,06%, encerrando o dia cotado a R$ 5,375. Enquanto isso, os juros futuros terminaram a sessão sem uma direção definida, refletindo a cautela dos investidores com o cenário macroeconômico.

Crise no Irã e a valorização do petróleo no mercado global

O presidente dos Estados Unidos utilizou suas redes sociais para estimular a continuidade dos protestos anti-regime no território iraniano. Trump afirmou que a ajuda norte-americana está a caminho, cancelando reuniões com autoridades locais em represália à violência contra manifestantes.

Essa postura agressiva de Washington impulsionou o preço do petróleo internacional, que registrou uma alta superior a 2% nesta terça-feira. O avanço do barril impactou ativos energéticos em todo o mundo, redesenhando o fluxo financeiro do setor para a capital norte-americana.

A preocupação global reside na ameaça de Trump de impor tarifas a países que fizerem negócios com o Irã, o que inclui o Brasil. O governo Lula aguarda um decreto oficial para avaliar as sanções, enquanto o ministro Fernando Haddad prega cautela diante da retórica unilateral.

Pressão sobre Jerome Powell e os dados da inflação americana

A independência do Federal Reserve voltou a ser colocada em xeque após novas críticas públicas de Donald Trump contra Jerome Powell. O CEO do JPMorgan criticou abertamente a postura do governo, alertando que a corrosão da autoridade do Fed não é uma boa ideia para a estabilidade.

A tensão aumentou após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de dezembro, que veio dentro do esperado na métrica mensal. Trump utilizou os dados controlados de inflação para exigir que o banco central realize cortes significativos nas taxas de juros de forma imediata.

Analistas como David Russell, da TradeStation, apontam que os dados do CPI mantêm a expectativa de juros mais baixos, sustentando o apetite por risco. Contudo, a pressão doméstica de Trump e a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 forçam os investidores à defensiva.

Resultados fiscais de Haddad e o cenário político nacional

No plano doméstico, o ministro Fernando Haddad estimou que o déficit primário do governo central em 2025 será de 0,1% do PIB. O resultado sinaliza o cumprimento da meta de déficit zero para o ano, respeitando a margem de tolerância estabelecida pelo arcabouço fiscal.

Haddad reforçou que o país segue em uma trajetória de melhoria dos resultados primários, mesmo em meio às discussões sobre seu futuro político. O cumprimento da meta é visto como um sinal de disciplina fiscal importante para o controle das expectativas de longo prazo do mercado.

No campo político, as movimentações para as eleições de 2026 ganharam fôlego com declarações de Flávio Bolsonaro sobre o governador Tarcísio de Freitas. Apesar do favoritismo de Tarcísio entre os investidores, pesquisas indicam que Lula ainda supera os concorrentes em um eventual primeiro turno.

Atividade econômica no setor de serviços e o impacto na Selic

O setor de serviços registrou uma queda de 0,1% em novembro, interrompendo uma sequência de nove meses consecutivos de alta em 2025. Embora o dado mostre uma desaceleração marginal, o setor permanece robusto o suficiente para evitar um corte imediato de juros pelo Banco Central.

Estrategistas acreditam que a resiliência da atividade econômica brasileira exige cautela por parte do Comitê de Política Monetária. A falta de uma queda mais expressiva nos serviços mantém as projeções de inflação pressionadas, sustentando a Selic em patamares restritivos no curto prazo.

O mercado aguarda agora a divulgação de novos indicadores norte-americanos, como o índice de preços ao produtor (PPI) e as vendas ao varejo. Esses números serão fundamentais para definir o humor dos investidores globais antes do fechamento desta semana de alta volatilidade.

Desempenho setorial da B3 e a reestruturação da Azul

O Ibovespa só não registrou uma queda maior devido ao desempenho das blue chips, que se beneficiaram da valorização das commodities. A Petrobras (PETR4) disparou 2,57% com a alta do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) avançou 0,82% acompanhando o minério de ferro.

A pressão negativa sobre o índice veio principalmente dos bancos, com o Banco do Brasil (BBAS3) recuando 3,06% em suas mínimas do dia. O varejo também sofreu baixas consistentes, com destaque para a queda de 4,43% do Magazine Luiza e 1,27% das Lojas Renner.

Fora do índice principal, a Azul (AZUL53) despencou 69,51% em meio ao seu complexo processo de reestruturação de capital e eliminação de ações preferenciais. A forte queda reflete os ajustes de tela e a diluição necessária para a execução do plano de recuperação da companhia aérea.

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