Ouro opera em leve queda enquanto riscos inflacionários vindos do petróleo e tensões entre EUA e Irã fortalecem o dólar
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O ouro enfrenta dificuldades para dar continuidade a uma tendência de alta de dois dias em meio ao surgimento de compras de dólares.
A alta nos preços do petróleo mantém em pauta os riscos inflacionários e as apostas de aumento de juros pelo Fed, dando sustentação à moeda americana.
O impasse entre EUA e Irã favorece ainda mais o status do dólar como ativo de proteção e exerce pressão sobre a commodity.
O ouro (XAU/USD) atrai alguns vendedores após um modesto avanço na sessão asiática nesta terça-feira, interrompendo um movimento de alta dedois dias a partir da região de US$ 4.300. O dólar americano (USD) consolida a recuperação iniciada no dia anterior a partir de uma mínima de dois meses, à medida que os riscos inflacionários decorrentes dos preços mais altos do petróleo bruto sustentam as perspectivas de pelo menos uma elevação na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos EUA em 2026. Somado a isso, o impasse entre EUA e Irã mantém o prêmio de risco geopolítico em jogo e dá suporte adicional à moeda americana (Greenback) em seu papel de ativo de proteção, o que, por sua vez, é visto exercendo pressão sobre o metal precioso.
Nos desdobramentos mais recentes da crise no Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã deveria se render para encerrar uma guerra de quase seis meses. Trump acrescentou que os EUA não estão buscando uma prorrogação do Memorando de Entendimento (MoU) com o Irã, que expirou na segunda-feira. Além disso, Trump reiterou sua ideia de declarar o crítico Estreito de Ormuz como território dos EUA e alertou que teria como alvo Omã se o país dificultasse ações para reabrir a via marítima estratégica. Isso ocorre no momento em que os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irã no Iêmen, intensificaram sua campanha contra a Arábia Saudita.
O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, disse que o grupo usou diversos mísseis balísticos para atingir um navio de desembarque militar saudita e quatro barcos de patrulha acompanhantes na costa de Mokha. Isso pode perturbar ainda mais o tráfego de navegação comercial pelo Estreito de Bab al-Mandeb — uma das rotas comerciais mais importantes do mundo — e alimentar preocupações com a oferta de energia, elevando os preços do petróleo bruto para a máxima de duas semanas. Os investidores permanecem preocupados de que preços mais altos de energia reacendam as pressões inflacionárias, o que, juntamente com as expectativas de uma postura rígida (hawkish) do Fed, continua dando suporte aos rendimentos (yields) elevados dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).
De acordo com a TD Securities, é provável que o Fed "permaneça em espera (on hold) ao longo do nosso horizonte de projeção", com a postura de política monetária ancorada na visão de que "a inflação deve permanecer elevada pelo restante do ano" e que "o mercado de trabalho se estabilizou, permitindo que o FOMC mude o foco para o seu mandato de inflação". O banco acrescenta que, "se o Fed fosse se mover este ano, acreditamos que esse movimento seria mais provavelmente uma elevação do que um corte", destacando que sob "uma nova gestão que defende uma função reação mais difusa, a dependência dos dados provavelmente ganhará destaque na determinação da trajetória futura da política monetária".
Isso compensa os dados fracos de inflação e vendas no varejo dos EUA da semana passada, que forçaram os investidores a reduzirem suas apostas de uma alta iminente de juros pelo Fed. De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, os operadores atribuem cerca de 64% de chance de que o banco central americano mantenha as taxas inalteradas na reunião de setembro de 2026. Os investidores, no entanto, ainda precificam uma maior probabilidade de que o Fed eleve os custos dos empréstimos pelo menos uma vez até o final deste ano. Essa perspectiva ajuda a reavivar a demanda pelo Greenback e estimula algumas vendas intradiárias no ouro, que não gera rendimentos, embora o potencial de queda pareça limitado.
Os operadores podem se abster de fazer apostas direcionais agressivas e optar por aguardar mais pistas sobre a trajetória futura da política do Fed. Portanto, o foco permanecerá voltado para a divulgação da ata do FOMC na quarta-feira, que desempenhará um papel fundamental na dinâmica dos preços do USD no curto prazo e dará um impulso significativo ao metal precioso. Enquanto isso, o cenário fundamental misto exige certa cautela antes de um posicionamento para qualquer desvalorização adicional.
Gráfico diário XAU/USD
Análise Técnica
Sob uma perspectiva técnica, o metal precioso continua sua luta para encontrar aceitação acima do nível de 50% de retração da queda entre abril e junho. No entanto, os indicadores de momento permanecem construtivos. De fato, o Índice de Força Relativa (RSI) em 63,47 se mantém em território altista, enquanto o indicador de Convergência/Divergência de Média Móvel (MACD) permanece positivo, sugerindo que a pressão vendedora tem caráter corretivo, e não impulsivo. Contudo, ainda será prudente aguardar um movimento além da máxima de oscilação (swing high) da semana passada, em torno de US$ 4.450, antes de um posicionamento para ganhos adicionais em direção à Média Móvel Simples (MMS) de 200 dias em US$ 4.508.
No lado da queda, o primeiro suporte é visto na retração de 38,2% em US$ 4.302,33, com demanda adicional esperada no nível de 23,6% em US$ 4.164,44 e, em seguida, em torno do piso estrutural ancorado perto de US$ 3.941,54, onde os compradores provavelmente tentariam conter uma correção mais profunda.
(A análise técnica deste texto foi escrita com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
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