Os americanos esperam que os preços subam mais rapidamente no próximo ano, enquanto sua confiança em encontrar emprego caiu para o nível mais baixo já registrado, segundo novos dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco da Reserva Federal de Nova York.
As pessoas entrevistadas agora acreditam que os preços subirão 3,4% nos próximos 12 meses, um aumento em relação aos 3,2% previstos em novembro. Ao mesmo tempo, os trabalhadores disseram que teriam apenas 43,1% de chance de conseguir um novo emprego caso perdessem o atual. Essa é a perspectiva mais pessimista desde que o Fed de Nova York começou tracesse indicador em meados de 2013.
Os resultados retratam um público americano dividido entre duas preocupações: o aumento do custo de vida e a redução das perspectivas de emprego. Essa divisão reflete as tensões internas do próprio Federal Reserve, onde alguns membros do comitê de política monetária continuam focados em conter a inflação, enquanto outros se preocupam mais com a possibilidade de pessoas perderem seus empregos. Essa divergência torna improvável que o banco central altere as taxas de juros na reunião de seus dirigentes ainda este mês.
Os resultados foram divulgados pouco antes de importantes relatórios econômicos. O Departamento de Estatísticas do Trabalho planeja divulgar os números mensais de emprego na sexta-feira, seguidos pelos dados de preços ao consumidor em 13 de janeiro.
Pesquisadores entrevistaram famílias entre 1º e 31 de dezembro de 2025. Além dos números principais, a pesquisa revelou que os americanos estão cada vez mais apreensivos com a possibilidade de atrasar o pagamento de suas contas. As pessoas estimam em 15,3% a probabilidade de não conseguirem efetuar o pagamento mínimo de uma dívida nos próximos três meses, o pior índice desde abril de 2020, quando a pandemia começou.
No entanto, houve um ponto positivo. Mais pessoas do que em qualquer outro momento desde fevereiro de 2025 disseram esperar que sua situação financeira melhore no próximo ano.
Eles ainda esperam uma inflação de 3,0% tanto em três quanto em cinco anos. Os preços dos imóveis, que estão estagnados em uma faixa estreita há mais de dois anos, também devem subir 3,0%, o sétimo mês consecutivo nesse patamar.
Ao serem questionados sobre bens e serviços específicos, os entrevistados previram aumentos menores para a maioria das categorias. Esperam que o preço da gasolina suba 4,0%, uma leve queda em relação ao mês anterior. Os custos com alimentação devem aumentar 5,7%, enquanto as despesas com saúde podem subir 9,9%. Prevê-se um aumento de 8,3% nas mensalidades universitárias e de 7,7% nos aluguéis.
No âmbito profissional, as pessoas esperam que seus salários cresçam 2,5% no próximo ano, uma pequena queda que deixa o crescimento salarial abaixo da média dos últimos 12 meses. A pessoa média entrevistada estimou em 41,8% a probabilidade de aumento do desemprego daqui a um ano, embora esse número tenha caído um pouco em relação a novembro.
Eles estimaram a probabilidade de demissão no próximo ano em 15,2%, acima da média dos últimos 12 meses. Enquanto isso, a probabilidade de demissão voluntária caiu para 17,5%.
As perspectivas mais sombrias para a busca de emprego afetaram principalmente certos grupos. Pessoas com renda inferior a US$ 100.000 por ano foram as que mais sofreram com a queda. Indivíduos com mais de 60 anos e pessoas com apenas o ensino médio completo registraram as maiores quedas na confiança.
Em relação às finanças domésticas, as pessoas acreditam que sua renda crescerá 3,0% no próximo ano, enquanto esperam gastar 4,9% a mais. Obter crédito tornou-se mais difícil, de acordo com as respostas da pesquisa, e as pessoas acreditam que continuará sendo difícil.
A probabilidade de atrasos no pagamento de dívidas aumentou mais entre pessoas com mais de 60 anos, pessoas com apenas o ensino médio completo e famílias com renda anual inferior a US$ 50.000.
As pessoas esperam a dívida pública aumente 9,0% no próximo ano, bem acima da projeção típica de 6,5% dos últimos 12 meses. Elas estão menos otimistas em relação às taxas de juros das contas de poupança, atribuindo apenas 23,4% de probabilidade de que as taxas sejam mais altas daqui a um ano.
O sentimento em relação ao mercado de ações apresentou uma leve melhora, com os investidores estimando em 38% a probabilidade de que os preços das ações estejam mais altos daqui a 12 meses.
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