Azul desaba 90,20% após aprovação de aumento de capital; Ibovespa avança 0,59% aos 162 mil pontos

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Os ativos da Azul registraram um colapso histórico durante o pregão desta quinta-feira, refletindo o ajuste severo do mercado ao plano de reestruturação financeira da companhia aérea.

As ações fecharam com uma queda acentuada de 90,20%, sendo negociadas no patamar de R$ 25 após a oficialização de medidas que alteram profundamente a estrutura societária da empresa.

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Este movimento é uma resposta direta à aprovação do aumento de capital pelo Conselho de Administração da Azul, que visa injetar R$ 7,44 bilhões na companhia.

A operação é uma peça central do plano de recuperação judicial, desenhado para equacionar dívidas bilionárias com credores internacionais e arrendadores de aeronaves, transformando passivos em participação acionária direta.

Reestruturação financeira e a conversão de dívida em ações

A magnitude do aumento de capital impressiona pelo volume de novos papéis que inundarão o mercado, totalizando a emissão de mais de 1,44 trilhão de novas ações.

Foram aprovadas emissões tanto de ações ordinárias quanto preferenciais, com preços unitários fixados em frações mínimas de centavo, sendo R$ 0,00013527 para as ordinárias e R$ 0,01014509 para as preferenciais.

Essa precificação técnica é necessária para acomodar o volume massivo de dívida que está sendo convertida, mas gera um efeito colateral devastador para o acionista minoritário.

A conversão de passivos em capital próprio altera o capital social da companhia para o patamar de R$ 14,57 bilhões. 

Impacto da diluição massiva e a visão do mercado financeiro

Na visão dos analistas do Bradesco BBI, o processo de capitalização obrigatória das dívidas financeiras segue estritamente o que foi pactuado no plano de recuperação.

No entanto, o preço pago por essa sobrevida é uma diluição estimada em 99% para quem já detinha os papéis antes da operação de aumento de capital.

Na prática, a participação dos antigos acionistas torna-se quase irrelevante diante da nova base acionária, o que justifica a recomendação equivalente à venda mantida por diversas casas de análise.

Ao ficar com apenas 1% do valor proporcional da empresa pós-conversão, o investidor de varejo perde quase todo o poder de governança e de recebimento de dividendos.

Esse movimento é visto como marginalmente positivo para a sustentabilidade da empresa no longo prazo, embora seja extremamente punitivo para o investidor que não participou da renegociação institucional.

Ibovespa avança com rali do petróleo e tensão geopolítica na Venezuela

Enquanto a Azul lidava com a reestruturação de seu capital, o mercado acionário brasileiro encontrou suporte em outras frentes operacionais. 

O Ibovespa registrou uma sessão de ganhos moderados nesta quinta-feira, encerrando o pregão com um avanço de 0,59%, aos 162.936,48 pontos.

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Fonte: Google Finance

O desempenho positivo foi guiado quase inteiramente pelo rali das commodities e pela expectativa em torno de indicadores econômicos globais. 

Os investidores mantêm cautela antes da divulgação do IPCA no Brasil e do Payroll nos Estados Unidos, agendados para a próxima sexta-feira.

Petróleo dispara com apreensão de navios e sanções na Venezuela

Os contratos futuros do Brent saltaram 3,4%, fechando em US$ 61,99 por barril, enquanto o WTI avançou 3,2%, atingindo o patamar de US$ 57,76. Esse movimento interrompeu uma sequência de quedas e elevou a commodity ao maior nível das últimas duas semanas.

A valorização refletiu a apreensão de dois petroleiros ligados à Venezuela pela marinha dos EUA no Oceano Atlântico.

 Uma das embarcações operava sob bandeira da Rússia, evidenciando o esforço agressivo da gestão de Donald Trump em ditar os fluxos de energia.

A captura de Nicolás Maduro em Caracas no último sábado intensificou o bloqueio naval contra o país membro da Opep. 

Trump sinalizou que a supervisão norte-americana sobre as receitas de petróleo venezuelanas poderá se estender por anos, gerando incertezas sobre a oferta global.

A instabilidade no fornecimento vindo da Rússia, Iraque e Irã também contribuiu para o prêmio de risco. Com a oferta sob constante ameaça geopolítica, o mercado financeiro reajustou suas projeções para os custos de energia no primeiro trimestre de 2026.

Reação das petroleiras e o peso da Vale no índice

A alta nos preços internacionais beneficiou diretamente as ações da Brava (BRAV3), PRIO (PRIO3) e Petrobras (PETR3; PETR4). Essas companhias são altamente sensíveis aos choques de preço do barril e lideraram a ponta positiva do índice nesta sessão.

Em contrapartida, o Ibovespa não teve um desempenho ainda mais expressivo devido ao recuo acentuado da Vale (VALE3). 

A mineradora caiu quase 1% acompanhando a baixa do minério de ferro, o que ajudou a atenuar os ganhos acumulados pelas empresas de energia.

A Vale possui um dos maiores pesos individuais na composição da carteira teórica nacional. Por isso, qualquer oscilação negativa na demanda chinesa por minério impacta diretamente a capacidade do índice em sustentar ralis mais prolongados, mesmo com o petróleo em alta.

Expectativa pelo IPCA e impacto do Payroll nos juros americanos

O mercado doméstico entra agora em compasso de espera para a divulgação do IPCA de dezembro e o fechamento do ano de 2025. 

O dado é essencial para balizar as próximas decisões de política monetária do Banco Central em um ambiente de câmbio pressionado.

Nos Estados Unidos, o foco absoluto recai sobre o Payroll, que será o primeiro relatório completo após a longa paralisação governamental. 

Atualmente, as estimativas apontam para dois cortes nas taxas federais, mas um dado de emprego mais fraco pode abrir espaço para uma terceira queda. O equilíbrio do mercado de trabalho norte-americano é o principal termômetro utilizado pelo Federal Reserve (Fed).

Sucessão no Fed e a influência de Donald Trump na política monetária

A sucessão de Jerome Powell no comando do Federal Reserve permanece como um dos temas centrais para os investidores globais. O novo presidente do banco central americano, que deve ser anunciado ainda este mês, terá o desafio de conduzir a transição econômica.

Em entrevista ao The New York Times, Donald Trump sinalizou que já tomou uma decisão sobre o próximo líder da autoridade monetária. A escolha de um nome alinhado à agenda de crescimento do governo pode mexer drasticamente com as expectativas de juros.

A expectativa é que o novo comando do Fed adote uma postura mais flexível para estimular a economia. 

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