O ETF Bitcoin da BlackRock registra uma saída de US$ 527 milhões, ficando muito perto de seu pior dia da história
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Bitcoin Spot registraram oito dias consecutivos de saídas líquidas acumuladas. Até o momento, este mês teve apenas seis dias de entrada, com o total de saídas mensais chegando a -US$ 2,07 bilhões no momento da redação deste texto. Os números não são pequenos. Dados da SoSoValue mostram que o iShares Bitcoin Trust da BlackRock teve saídas de -US$ 527,84 milhões na quarta-feira, tornando-se o segundo pior dia da história do fundo desde o recorde de saída de -US$ 528,30 milhões registrado em 30 de janeiro deste ano. Para um produto que passou a maior parte de sua existência como uma máquina de entrada unidirecional, dois dias de saída recorde em um ano representam uma reversão que merece atenção.

A impressão do PPI que acabou com o mercado de taxas
A questão aqui, no entanto, não é sobre Bitcoin em si, mas sim sobre as taxas de juros. Ao analisar os dados, fica claro que a reversão nos fluxos começou por volta de 13 de maio, coincidindo também com o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de abril. A inflação no atacado ficou muito acima do esperado, em 6% em relação ao ano anterior, contra as estimativas dos analistas de cerca de 3,8%, o maior índice em mais de dois anos. As expectativas para as taxas de juros futuras sofreram um baque quase imediato. A probabilidade de um corte em junho caiu de cerca de 62% antes da divulgação dos resultados para cerca de 38% na ferramenta FedWatch da CME. Em poucos dias, os mercados pararam completamente de prever cortes.
Dinheiro mais barato, menor liquidez, ativos de risco atraídos pela demanda: essa foi a tendência predominante em abril, mês em que o BTC começou a ganhar impulso. Sem os cortes, a tese que impulsionou a alta do BTC em março e abril simplesmente deixa de funcionar. As instituições não chegaram a uma nova conclusão sobre Bitcoin. Elas chegaram a uma nova conclusão sobre o Fed, e Bitcoin acabou se encaixando na faixa de taxa de juros.
IBIT é a porta de saída
Quando um fundo macro quer sair rapidamente da operação com taxas de juros, o IBIT é a maneira mais simples e líquida de fazê-lo. Sem autocustódia, sem carteiras digitais, sem esperar por complicações de liquidação. Você vende as ações como qualquer outro ETF e pronto. Essa conveniência funciona nos dois sentidos: a mesma infraestrutura que tornou o IBIT a porta de entrada institucional mais fácil também a torna a porta de saída mais fácil.
Assim, um resgate próximo do recorde histórico se traduz menos em pânico em relação ao Bitcoin e mais como uma compreensão em tempo real da rapidez com que a tendência de alta está se revertendo.
Quando o fluxo de um fundo move toda a narrativa
A mudança mais profunda reside em onde a descoberta de preços acontece agora. A história do Bitcoincostumava ser escrita em exchanges nativas de criptomoedas. Cada vez mais, ela é escrita no mercado de ETFs. Os fundos spot detêm coletivamente cerca de 1,3 milhão de BTC, próximo a 7% da oferta circulante, e o IBIT sozinho acumula cerca de US$ 64 bilhões em entradas desde o seu lançamento.
Quando uma exposição tão grande circula por meio de um punhado de veículos regulamentados, o fluxo diário de um único fundo deixa de ser uma nota de rodapé e passa a ser a manchete. É por isso que a saída de US$ 527,84 milhões de um único ETF pode ditar o tom de todo o mercado. O dinheiro encontrou a porta mais rápida. O mercado interpretou o número. A narrativa seguiu o fluxo.
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