Compradores do ouro mostram hesitação enquanto Fed rígido e tensões no Oriente Médio limitam queda do dólar

Ouro atrai alguns compradores pelo segundo dia consecutivo, mas carece de convicção de alta (bullish).
Recuo nos rendimentos (yields) dos títulos americanos mantém o dólar sob pressão e dá suporte à commodity.
Fed rígido (hawkish) e preocupações no Oriente Médio limitam perdas do dólar, contendo a alta do metal precioso.
O ouro (XAU/USD) enfrenta dificuldades para dar continuidade a uma modesta elevação na sessão asiática desta sexta-feira e permanece abaixo da máxima semanal, atingida no dia anterior, em meio a sinais mistos do mercado. Os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro americano recuam ainda mais em relação às máximas de vários anos, à medida que o recente recuo nos preços do petróleo bruto ajudou a aliviar os receios imediatos de uma inflação desenfreada. Isso, por sua vez, mantém os compradores (bulls) do dólar americano (USD) na defensiva e dá suporte ao metal precioso. No entanto, a perspectiva rígida (hawkish) do Federal Reserve (Fed) atua como um vento a favor para a moeda americana, contendo os operadores de fazerem apostas de alta agressivas no ouro, um ativo que não rende juros.
O banco central dos EUA votou de forma unânime a favor de elevar a taxa de juros pela primeira vez desde 2023 ao final de sua reunião de setembro, na quarta-feira. Somando-se a isso, o chamado gráfico de pontos (dot plot) revelou que os dirigentes do Fed esperam mais um aumento na taxa de juros este ano. Na coletiva de imprensa após a reunião, o presidente do Fed, Kevin Warsh, destacou a importância de estabilizar os preços ao consumidor para promover o crescimento da economia dos EUA e afirmou que a inflação permaneceu alta demais por muito tempo. Além disso, a escalada das tensões no Oriente Médio continua dando sustentação às cotações do petróleo bruto, alimentando as preocupações com a inflação impulsionada pela energia e sustentando as perspectivas de um novo aperto monetário pelo Fed.
UOB prevê nova alta do dólar com ampliação do diferencial de juros pelo Fed
Os analistas observam que, "como agora projetamos mais dois aumentos de juros pelo Fed, o estreitamento dos diferenciais de taxas dos EUA em relação aos seus pares do G-10 — que vinha pressionando o DXY desde o final de 2024 — provavelmente se inverterá e dará sustentação ao DXY daqui para frente". Diante desse cenário, o UOB vê sua postura anteriormente cautelosa com o dólar como cada vez mais desafiada. "Reunindo esses fatores, vemos agora riscos de alta para nossas projeções do dólar tanto em relação às moedas do G-10 quanto às asiáticas", afirma o banco.
De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, os operadores veem uma probabilidade de 54% de outro aumento de juros pelo Fed na reunião de outubro, enquanto a chance de uma alta em dezembro gira em torno de 88%. Isso, somado às incertezas geopolíticas, atua como um vento a favor para o dólar americano (USD) em seu papel de porto seguro, mantendo um teto sobre as cotações do ouro. Nos desdobramentos mais recentes, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter atingido um navio-tanque de bandeira do Togo que tentava uma passagem ilegal pelo Estreito de Ormuz. Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar próximo de uma decisão importante sobre a retomada de ataques em larga escala contra o Irã. Isso, por sua vez, favorece os compradores (bulls) do dólar.
Portanto, será prudente aguardar por compras de continuidade consolidadas antes de se posicionar para uma extensão da recuperação do metal precioso a partir da mínima de seis semanas atingida na quarta-feira. Os operadores aguardam agora a divulgação dos dados macroeconômicos secundários dos EUA nesta sexta-feira — Produção Industrial e Taxa de Utilização da Capacidade Instalada. Além disso, os discursos de membros influentes do FOMC movimentarão o dólar e darão algum impulso ao ouro mais tarde, durante a sessão norte-americana. Os investidores também acompanharão os novos desdobramentos da crise no Oriente Médio em busca de oportunidades de curto prazo para o par XAU/USD antes do final de semana.
Gráfico diário de XAU/USD
Análise Técnica
O par XAU/USD perde força próximo à Média Móvel Exponencial (EMA) de 100 dias, em US$ 4.368, o que mantém o viés de curto prazo inclinado para a ponta vendedora (bearish), apesar de permanecer acima de suportes chave de Fibonacci. O metal precioso oscila logo acima da retratação de 50,0%, em US$ 4.320, que atua como um piso frágil após o recuo recente. Enquanto isso, o Índice de Força Relativa (RSI), em 49,52, situa-se perto da neutralidade, e a Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD), em -19,60, permanece em terreno negativo, indicando que a pressão de queda ainda predomina.
Isso, por sua vez, sugere que a cotação do ouro pode enfrentar resistência inicial na retratação de 38,2% de Fibonacci, em US$ 4.408, seguida pela EMA de 100 dias, em US$ 4.368, com barreiras mais fortes surgindo na retratação de 23,6%, em US$ 4.516, e na máxima do movimento (swing high), em US$ 4.692. Na ponta de queda, o suporte imediato alinha-se na retratação de 50,0%, em US$ 4.320, à frente de níveis de Fibonacci mais profundos em US$ 4.232 e US$ 4.107, com a zona de US$ 3.947 marcando um piso estrutural mais distante caso as vendas se estendam.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
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