Ouro ricocheteia no suporte da SMA de 50; viés de baixa permanece em meio a apostas de alta do Fed e dólar firme

Ouro amplia recuperação a partir de mínima de várias semanas, mas potencial de alta parece limitado.
Apostas de elevação de juros pelo Fed e riscos inflacionários mantêm rendimentos dos títulos americanos (Treasuries) elevados, dando suporte ao dólar.
Riscos geopolíticos dão sustentação adicional à moeda americana em seu papel de porto seguro, o que deve conter avanços do metal.
Tradução em português do Brasil adaptada ao estilo do jornalismo financeiro:
O ouro (XAU/USD) atrai compradores nas baixas (dip-buyers) perto da região de US$ 4.284–US$ 4.283 durante a sessão asiática desta terça-feira e se afasta da mínima de mais de um mês, atingida no dia anterior. Qualquer valorização mais expressiva, no entanto, parece difícil de se concretizar em meio a um cenário fundamentalista vendedor (bearish) e antes da crucial reunião de dois dias de política monetária do FOMC, que começa hoje mais tarde.
O Federal Reserve (Fed) dos EUA deve anunciar sua decisão na quarta-feira, e os últimos dados de inflação americanos, divulgados na semana passada, aumentaram as apostas de um aumento iminente na taxa de juros. O foco, contudo, estará voltado para as projeções econômicas atualizadas, incluindo o chamado gráfico de pontos (dot plot), e para os comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, durante a coletiva de imprensa após a reunião. Os investidores buscarão mais pistas sobre a trajetória futura da política do Fed, o que desempenhará um papel fundamental na dinâmica de preços do dólar americano (USD) e dará um novo impulso direcional ao ouro, que não rende juros.
Na véspera do importante evento do banco central, os riscos inflacionários decorrentes dos preços mais altos da energia sustentam as perspectivas de um novo aperto monetário pelo Fed. Somando-se a isso, uma disparada no endividamento público e corporativo contribuiu para prolongar a onda de vendas (sell-off) no mercado global de títulos. Isso, por sua vez, levou o rendimento (yield) do título de 10 anos do Tesouro americano acima do patamar de 5% pela primeira vez desde 2023. Além disso, as persistentes incertezas geopolíticas mantêm o dólar — em seu papel de porto seguro — perto da máxima de quase duas semanas atingida na segunda-feira, o que deve limitar novos avanços do ouro.
Nos desdobramentos mais recentes da crise no Oriente Médio, os Houthis no Iêmen, apoiados pelo Irã, realizaram um ataque em grande escala com mísseis e drones contra uma base aérea saudita em Khamis Mushait na segunda-feira. Além disso, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, descartou a possibilidade de negociações imediatas com os EUA, afirmando que Teerã não voltará às conversas até que suas condições sejam atendidas. Isso reduz as esperanças de uma solução diplomática para encerrar o conflito, favorecendo os compradores (bulls) do dólar e exigindo cautela antes de se posicionar para qualquer alta adicional no preço do ouro.
Gráfico diário de XAU/USD
Análise Técnica
O par XAU/USD mantém um tom ligeiramente neutro a limitado, negociando logo abaixo do nível de 50,0% de retratação de Fibonacci da perna de alta entre junho e agosto, enquanto ainda opera acima da Média Móvel Simples (SMA) de 50 dias, sugerindo consolidação em vez de uma tendência clara. Além disso, o Índice de Força Relativa (RSI) oscila em torno de 45, apontando para um fôlego contido. No entanto, a Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) permanece em terreno negativo com um histograma deprimido, reforçando a ideia de que as recuperações podem enfrentar dificuldades a menos que os compradores recuperem a resistência de Fibonacci superior.
Enquanto isso, um movimento acima da retratação de 50,0%, em torno de US$ 4.323, pode enfrentar uma forte barreira na retratação de 38,2% de Fibonacci, perto de US$ 4.412, e depois no nível de 23,6%, próximo de US$ 4.522, caso a pressão de alta ganhe força. Na ponta de queda, o suporte imediato é fornecido pela SMA de 50 dias em cerca de US$ 4.275, à frente da retratação de 61,8% de Fibonacci, em torno de US$ 4.234. Um rompimento consistente abaixo dessa zona exporia suportes estruturais mais profundos na retratação de 78,6%, perto de US$ 4.108, e na região de ancoragem anterior, ao redor de US$ 3.947.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
Leia mais
Isenção de responsabilidade: este artigo representa apenas a opinião do autor e não pode ser usado como consultoria de investimento. O conteúdo do artigo é apenas para referência. Os leitores não devem tomar este artigo como base para investimento. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, procure orientação profissional independente para garantir que você entenda os riscos.
Os Contratos por Diferença (CFDs) são produtos alavancados que podem resultar na perda de todo o seu capital. Esses produtos não são adequados para todos os clientes; por favor, invista com rigor. Consulte este arquivo para obter mais informações.



