Ouro ganha tração positiva com cautela dos compradores do dólar antes de decisão do Fed

Ouro reverte modesto recuo da sessão asiática nesta quarta-feira, com pausa nos compradores do dólar.
Apostas de alta de juros pelo Fed, disparada nos rendimentos dos títulos americanos e riscos geopolíticos devem limitar perdas mais profundas do dólar.
Qualquer valorização mais expressiva do metal precioso parece limitada antes da decisão crucial de juros do FOMC.
O ouro (XAU/USD) atrai alguns compradores nas baixas (dip-buyers) perto da região de US$ 4.275 durante a sessão asiática desta quarta-feira, embora o potencial de alta pareça limitado. O dólar americano (USD) faz uma pausa para respirar após atingir a máxima de duas semanas e oferece algum suporte à commodity. Os operadores, no entanto, podem se abster de fazer apostas direcionais agressivas antes do importante evento do banco central.
O Federal Reserve (Fed) dos EUA deve anunciar sua decisão hoje mais tarde e há uma ampla expectativa de que eleve a taxa de juros em 25 pontos-base (bps) ao final de sua reunião de 15 e 16 de setembro. Enquanto isso, o foco estará nas projeções econômicas atualizadas do Fed, que incluem o chamado gráfico de pontos (dot plot). Além disso, os comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, durante a coletiva de imprensa após a reunião, serão minuciosamente analisados em busca de pistas sobre a trajetória futura da política monetária. A perspectiva, por sua vez, desempenhará um papel fundamental na dinâmica de preços do dólar no curto prazo e dará um novo impulso direcional ao ouro, que não rende juros.
Enquanto isso, os riscos inflacionários impulsionados pela energia sustentam as perspectivas de um novo aperto monetário pelo Fed. De fato, os preços do petróleo bruto dispararam para uma nova máxima desde 20 de maio nesta terça-feira, em meio às crescentes preocupações com a interrupção do fornecimento no Oriente Médio. Somando-se a isso, uma disparada no endividamento público e corporativo levou a uma extensão da onda de vendas (sell-off) no mercado global de títulos, empurrando o rendimento (yield) do título de 10 anos do Tesouro americano para além do patamar de 5% pela primeira vez desde 2023 e para o seu nível mais alto desde 2007. Além disso, a escalada das tensões no Oriente Médio deve continuar dando sustentação ao dólar americano — usado como porto seguro —, o que pode limitar a cotação do ouro.
Nos desdobramentos mais recentes, a Arábia Saudita emitiu alertas de segurança cobrindo uma ampla extensão de seu território — incluindo a cidade sagrada de Meca e a segunda maior cidade, Jidá — após uma semana de ataques perpetrados pelos Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã. A coalizão liderada pelos sauditas prometeu responder de forma "firme" aos ataques com mísseis e drones do grupo Houthi, aumentando o risco de uma maior escalada do conflito regional. Além disso, o Comando Central dos EUA afirmou ter redirecionado 103 navios comerciais como parte de seu bloqueio ao comércio marítimo iraniano através do Estreito de Ormuz, sustentando as cotações do petróleo e favorecendo os compradores (bulls) do dólar.
Gráfico diário de XAU/USD
Análise Técnica
O metal precioso vem demonstrando certa resiliência abaixo da Média Móvel Simples (SMA) de 50 dias e opera agora logo acima do nível de 50% de retratação de Fibonacci da perna de alta entre julho e agosto. Dito isso, os osciladores de fôlego arrefeceram, com a Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) em terreno negativo e o Índice de Força Relativa (RSI) oscilando logo abaixo da linha de 50. Isso, por sua vez, sugere que a tração de alta está se moderando, mesmo com o ouro se mantendo acima de uma média móvel chave.
Assim, qualquer movimento adicional de alta pode enfrentar resistência inicial na retratação de 38,2% de Fibonacci, perto de US$ 4.413, seguida por um obstáculo mais forte na retratação de 23,6%, ao redor de US$ 4.520, onde uma oferta anterior pode reaparecer. Na ponta de queda, o suporte imediato alinha-se primeiro na retratação de 50,0%, próxima de US$ 4.326, reforçada pela SMA de 50 dias em cerca de US$ 4.280. Um rompimento abaixo desta última exporia a retratação de 61,8%, perto de US$ 4.240, e suportes de retratação mais profundos em aproximadamente US$ 4.116 e US$ 3.959.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
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