Ouro interrompe recuperação a partir de mínima de seis semanas com dólar sustentando ganhos pós-Fed e riscos com Irã

Ouro enfrenta dificuldades para dar continuidade ao modesto movimento de alta intradia além do patamar de US$ 4.300.
Dólar mantém tom comprador (bullish) em meio à perspectiva rígida (hawkish) do Fed, limitando o metal.
Rendimentos (yields) elevados dos títulos americanos e riscos geopolíticos dão sustentação adicional à moeda americana em seu papel de porto seguro.
O ouro (XAU/USD) atrai alguns compradores durante a sessão asiática desta quinta-feira, embora enfrente dificuldades para se firmar acima do patamar de US$ 4.300 e permaneça perto da mínima de quase seis semanas atingida no dia anterior. O dólar americano (USD) atinge uma nova máxima desde o final de julho na esteira da perspectiva rígida (hawkish) do Federal Reserve (Fed). Além disso, a escalada das tensões no Oriente Médio dá suporte à moeda americana em seu papel de porto seguro, o que, por sua vez, é visto como um fator crucial que atua como um obstáculo para o metal precioso.
O banco central dos EUA votou de forma unânime a favor de elevar a taxa de juros pela primeira vez desde 2023 ao final de sua reunião de política monetária de setembro, na quarta-feira. A decisão veio em linha com o consenso amplo do mercado e foi acompanhada por uma perspectiva mais rígida (hawkish). De fato, o chamado gráfico de pontos (dot plot) revelou que os dirigentes do Fed esperam mais um aumento de juros este ano. Na coletiva de imprensa após a reunião, o presidente do Fed, Kevin Warsh, disse que a decisão foi impulsionada pelo fortalecimento da economia americana, pela falta de melhora nas tendências de inflação durante o verão e por fatores geopolíticos.
Warsh acrescentou que a inflação está alta demais e há muito tempo, destacando a importância de estabilizar os preços ao consumidor para promover o crescimento da economia dos EUA. Além disso, os riscos inflacionários decorrentes dos preços persistentemente altos da energia sustentam as perspectivas de um novo aperto monetário pelo Fed e continuam dando suporte aos rendimentos (yields) elevados dos títulos americanos. Na verdade, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano (Treasury), referência do mercado, oscila perto do marco psicológico de 5,0% e próximo do seu nível mais alto desde abril de 2007. Isso, somado à escalada das tensões no Oriente Médio, dá sustentação ao dólar como porto seguro.
Nos desdobramentos mais recentes, rebeldes Houthis apoiados pelo Irã disseram que aeronaves sauditas realizaram mais de 450 ataques aéreos no Iêmen na última semana e afirmaram ter derrubado um caça F-15 saudita sobre a província de Marib. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã deseja fechar um acordo e que a guerra pode estar se aproximando do fim. No entanto, a intensificação dos combates entre o grupo Houthi e a Arábia Saudita mantém ativo o prêmio de risco geopolítico, sustentando as cotações do petróleo e a moeda americana. Esse cenário exige cautela por parte dos compradores (bulls) do XAU/USD.
Gráfico diário de XAU/USD
Análise Técnica
O metal precioso mantém um viés de baixa de curto prazo abaixo da região de confluência em US$ 4.315–US$ 4.320 — composta pela retratação de 50% de Fibonacci da perna de alta de junho a agosto e pela Média Móvel Simples (SMA) de 100 dias. A referida área deve atuar como um ponto pivô crucial, acima do qual o par XAU/USD poderia avançar em direção ao nível de 38,2%, perto de US$ 4.404, e à retratação de 23,6%, em US$ 4.513, no caminho para a zona mais ampla da máxima do ciclo, em US$ 4.690.
Na ponta de queda, o suporte imediato é visto na retratação de 61,8% de Fibonacci, em US$ 4.226, seguido pelo nível mais profundo de 78,6%, em US$ 4.100, e pelo piso estrutural em torno da mínima anterior do fundo (swing low), perto de US$ 3.940,20. Enquanto isso, o indicador de Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) permanece em terreno negativo, com a linha principal abaixo da linha de sinal e um histograma vendedor em contração. O Índice de Força Relativa (RSI) oscila em torno de 44, apontando para a perda de fôlego do movimento de queda, mas sem ainda desafiar o tom corretivo predominante.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
Leia mais
Isenção de responsabilidade: este artigo representa apenas a opinião do autor e não pode ser usado como consultoria de investimento. O conteúdo do artigo é apenas para referência. Os leitores não devem tomar este artigo como base para investimento. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, procure orientação profissional independente para garantir que você entenda os riscos.
Os Contratos por Diferença (CFDs) são produtos alavancados que podem resultar na perda de todo o seu capital. Esses produtos não são adequados para todos os clientes; por favor, invista com rigor. Consulte este arquivo para obter mais informações.



