Hapvida lidera ganhos do Ibovespa em dia de recordes globais e otimismo com minério de ferro

Artigos em destaque
coverImg
Fonte: DepositPhotos

Mesmo com a virada do calendário para 2026, a Hapvida (HAPV3) não apresenta sinais claros de uma inflexão operacional em seus principais indicadores de saúde. Dados recentes da Agência Nacional de Saúde (ANS) apontam que a operadora manteve a tendência de perda de beneficiários observada no encerramento do ano passado.

Na sessão desta terça-feira, as ações da companhia registraram uma valorização expressiva de 8,70%, encerrando o pregão cotadas a R$ 16,49. Analistas de mercado classificam esse movimento como estritamente técnico, motivado pelo forte desconto acumulado nos últimos doze meses, período em que o papel desvalorizou cerca de 50%.

17677549532190

Fonte: Google Finance

O Goldman Sachs destaca que a operadora registrou uma perda líquida de 18 mil usuários em novembro, acumulando um recuo de 35 mil vidas no quarto trimestre. Esse desempenho contrasta severamente com o de concorrentes diretas, como a Amil, que tem conseguido manter um ritmo sólido de crescimento orgânico.

As dificuldades da Hapvida concentram-se majoritariamente no estado de São Paulo, onde a empresa perdeu aproximadamente 20 mil beneficiários no mês. Para os especialistas, esse cenário é um reflexo direto dos desafios persistentes na integração das operações da NotreDame Intermédica (NDI) no Sudeste.

Desafios geográficos e o avanço da concorrência no Sudeste

O Bradesco BBI reforça a leitura negativa dos números, observando que a perda de 18 mil vidas em novembro não indica qualquer melhora em relação aos dados de outubro. A falta de tração em São Paulo, apesar dos esforços comerciais, sugere que a captura de sinergias da fusão com a NDI ainda enfrenta barreiras estruturais.

Em contrapartida, a Amil apresentou uma adição líquida de 51 mil beneficiários no mês, com foco total nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o Goldman Sachs, a companhia adotou uma postura comercial agressiva em 2025 após um período focado na recuperação de suas margens.

O Itaú BBA também observa que o crescimento da Amil no Sudeste é sustentado por adições brutas consistentes, o que acirra a disputa por market share regional. 

No segmento de planos odontológicos, a OdontoPrev mantém uma participação de mercado estável em 26,7%. O Goldman Sachs nota que o setor continua se beneficiando de ventos favoráveis, embora Amil e SulAmérica estejam capturando parte desse movimento através de estratégias de venda cruzada.

Desempenho da Rede D’or e as distorções da Bradesco Saúde

A SulAmérica, sob o controle da Rede D’or (RDOR3), registrou adição líquida de 26 mil beneficiários em novembro, excluindo as operações de administração de planos. O Goldman Sachs permanece construtivo com a tese da empresa, projetando um crescimento de base de 4% para 2026 com foco em produtos de coparticipação.

O BTG Pactual mantém a Rede D’or como sua principal escolha (Top Pick) no setor de saúde brasileiro para este ano. A instituição destaca a combinação de crescimento nos segmentos hospitalar e de seguros, além da opcionalidade gerada por parcerias estratégicas e novas aquisições.

Um ponto de atenção mencionado pelo Itaú BBA é o avanço das operações de administração de planos para empresas (ASO) na SulAmérica. 

Já a Bradesco Saúde reportou uma adição robusta de 99 mil usuários no acumulado do trimestre, mas o Goldman Sachs alerta para possíveis distorções nos dados. O banco aponta que a taxa de cancelamento (churn) informada à ANS parece estar significativamente abaixo da média histórica do setor.

Ibovespa supera 163 mil pontos em rali impulsionado por Vale e setor externo

Este cenário de euforia técnica que impulsionou a Hapvida para o topo das valorizações foi acompanhado por um movimento sistêmico de alta em todo o índice doméstico. O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira com um avanço de 1,11%, fixando-se aos 163.663,88 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a tatear o patamar psicológico dos 164 mil pontos.

17677549883515

Fonte: Google Finance

A performance positiva do dia foi amplamente sustentada pela combinação de um cenário externo favorável e a força das exportadoras de commodities metálicas. O mercado global parece ter digerido as turbulências geopolíticas na América do Sul, transformando a aversão ao risco em uma oportunidade tática para ativos emergentes.

Geopolítica e o domínio de Trump na questão venezuelana

A sensação predominante no mercado financeiro é de que a crise institucional na Venezuela atingiu um ponto de estabilização sob a influência direta de Washington. Donald Trump afirmou publicamente que, após a deposição e prisão de Nicolás Maduro, o controle sobre a reconstrução do país vizinho passa por sua administração.

Para os investidores, essa sinalização reduz o risco de um conflito armado prolongado e abre caminho para que petrolíferas norte-americanas voltem a explorar as reservas locais. A percepção de que o país será "consertado" antes de novas eleições foi interpretada como um sinal de previsibilidade para o fluxo de energia na região.

Wall Street reagiu com entusiasmo a esse cenário, levando o S&P 500 e o Dow Jones a renovarem suas máximas históricas nominais. O foco dos investidores americanos voltou-se para as empresas de tecnologia e fabricantes de semicondutores, com a Amazon registrando ganhos expressivos.

Resiliência macroeconômica e aposta global no Brasil

No cenário doméstico, os indicadores de atividade reforçaram o otimismo dos gestores institucionais com a economia brasileira neste início de 2026. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor de serviços registrou alta em dezembro, sinalizando que a demanda interna continua aquecida apesar dos juros restritivos.

Além disso, a balança comercial brasileira fechou o ano de 2025 com o terceiro maior superávit de sua série histórica. Outro fator de otimismo reside na possibilidade de a Itália votar a favor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. 

Contraste entre Vale e Petrobras no fechamento

A Vale (VALE3) foi o grande motor da bolsa nesta terça-feira, com as ações disparando 3,76%. O rali foi alimentado pelo minério de ferro, que atingiu sua máxima de cinco meses no mercado internacional devido ao reabastecimento estratégico das siderúrgicas chinesas para o novo ano lunar.

Em contrapartida, a Petrobras (PETR4) registrou queda de 1,85%, destoando da trajetória ascendente do índice. O papel foi pressionado pela desvalorização do petróleo no exterior e por notícias sobre um incidente operacional na foz do Amazonas, onde uma paralisação de perfuração foi reportada após um vazamento controlado.

Embora a estatal tenha afirmado que o fluido não trouxe riscos ambientais, o mercado reagiu com cautela diante de possíveis atrasos no cronograma exploratório da região. Esse desempenho negativo da petroleira impediu que o Ibovespa consolidasse ganhos ainda maiores acima da linha dos 164 mil pontos.

Bancos e a expectativa pelos dados de emprego nos EUA

O setor bancário demonstrou força novamente, com Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco registrando avanços consistentes ao longo da sessão. O Santander foi a única exceção entre os grandes players, sofrendo uma leve inversão no final do pregão para encerrar em território negativo marginal.

O desempenho dos bancos reflete a percepção de que a inadimplência segue sob controle e que as margens financeiras continuam resilientes no atual patamar da Selic. A B3 (B3SA3) também se beneficiou do aumento no giro financeiro e da perspectiva de novos IPOs, subindo quase 4% no dia.

Leia mais

  • Mercados em 2026: Ouro, Bitcoin e o Dólar voltarão a fazer história? — Veja o que pensam as principais instituições
  • Ouro recua de US$ 4.500 em meio à realização de lucros antes da divulgação de dados macroeconômicos importantes dos EUA
  • Ethereum tenta romper resistência de US$ 3.300; BitMine trava US$ 2,1 bilhões em staking
  • As ações da Strategy Inc. subiram 5,7% depois que a MSCI decidiu não excluir as empresas de tesouraria de ativos digitais de seus índices
  • RZAK11 amplia lucro em 19,7% e distribui R$ 1,10; RZTR11 atinge resultado de R$ 19,7 milhões
  • As ações da CoreWeave despencam 61% com o aumento dos temores sobre dívidas e atrasos.
  • Nota: Se deseja compartilhar o artigo 《Hapvida lidera ganhos do Ibovespa em dia de recordes globais e otimismo com minério de ferro》, mantenha o link original. Para mais informações, acesse "Insight" ou visite www.mitrade.com.

    Isenção de responsabilidade: este artigo representa apenas a opinião do autor e não pode ser usado como consultoria de investimento. O conteúdo do artigo é apenas para referência. Os leitores não devem tomar este artigo como base para investimento. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, procure orientação profissional independente para garantir que você entenda os riscos.

     

    Os Contratos por Diferença (CFDs) são produtos alavancados que podem resultar na perda de todo o seu capital. Esses produtos não são adequados para todos os clientes; por favor, invista com rigor. Consulte este arquivo para obter mais informações.


    goTop
    quote
    Artigos Relacionados
    placeholder
    PORD11 e BTCI11 entregam retorno real acima da inflação e reforçam caixa em novembroO fundo imobiliário PORD11 acaba de divulgar seu relatório gerencial referente ao mês de novembro, reportando um lucro líquido de R$ 3,817 milhões.
    Autor  Pedro Augusto Prazeres
    24 mins atrás
    O fundo imobiliário PORD11 acaba de divulgar seu relatório gerencial referente ao mês de novembro, reportando um lucro líquido de R$ 3,817 milhões.
    placeholder
    Brava Energia brilha em dia de queda do Ibovespa e incertezas com juros norte-americanosAs ações da Brava Energia, negociadas sob o ticker BRAV3, demonstraram uma resiliência inesperada durante o pregão desta quarta-feira. Após iniciarem o dia com uma desvalorização acentuada que chegou a ultrapassar o patamar de 5%, os papéis inverteram a tendência e encerraram a sessão com uma valorização de 2,74%, cotados a R$ 16,13.
    Autor  Pedro Augusto Prazeres
    31 mins atrás
    As ações da Brava Energia, negociadas sob o ticker BRAV3, demonstraram uma resiliência inesperada durante o pregão desta quarta-feira. Após iniciarem o dia com uma desvalorização acentuada que chegou a ultrapassar o patamar de 5%, os papéis inverteram a tendência e encerraram a sessão com uma valorização de 2,74%, cotados a R$ 16,13.
    placeholder
    RCRB11 e PVBI11 consolidam resultados no setor de lajes corporativas com foco em reciclagem e estabilidade de rendaO fundo imobiliário Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11) reportou um lucro líquido de R$ 3,294 milhões no encerramento de novembro. O resultado sinaliza um crescimento consistente de 7,6% em relação ao apurado em outubro, consolidando a recuperação operacional do veículo em um cenário de escritórios premium.
    Autor  Pedro Augusto Prazeres
    Ontem 03: 08
    O fundo imobiliário Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11) reportou um lucro líquido de R$ 3,294 milhões no encerramento de novembro. O resultado sinaliza um crescimento consistente de 7,6% em relação ao apurado em outubro, consolidando a recuperação operacional do veículo em um cenário de escritórios premium.
    placeholder
    VGIP11 registra salto de 43,5% no lucro e distribui R$ 0,92; RZAT11 cresce 27,5% em novembroO fundo imobiliário Valora IPCA (VGIP11) apresentou um desempenho operacional robusto no encerramento de novembro de 2025. O lucro líquido do período atingiu R$ 11,101 milhões, montante que representa uma expansão expressiva de aproximadamente 43,5% em comparação aos R$ 7,733 milhões registrados em outubro.
    Autor  Pedro Augusto Prazeres
    1 Mês 06 Dia Ter
    O fundo imobiliário Valora IPCA (VGIP11) apresentou um desempenho operacional robusto no encerramento de novembro de 2025. O lucro líquido do período atingiu R$ 11,101 milhões, montante que representa uma expansão expressiva de aproximadamente 43,5% em comparação aos R$ 7,733 milhões registrados em outubro.
    placeholder
    Azul desaba 26,44% com oferta de R$ 7,44 bilhões; Banco Mercantil cai 7,87% após acordo de R$ 1 bilhãoO encerramento da semana trouxe um cenário de forte volatilidade e pressão vendedora para os investidores da Azul.
    Autor  Pedro Augusto Prazeres
    29 dez. 2025
    O encerramento da semana trouxe um cenário de forte volatilidade e pressão vendedora para os investidores da Azul.