Bitcoin recua para a faixa de US$ 91 mil após mudanças no índice MSCI
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O Bitcoin (BTC) registrou queda de 2,30% nesta quarta-feira, sendo negociado em torno de US$ 91.100 após tocar mínimas intradiárias próximas de US$ 91.550. O movimento de correção ocorreu mesmo diante de sinais de acumulação institucional, como a movimentação de uma carteira de baleia que adquiriu cerca de US$ 280 milhões em criptoativos.

Fonte: CoinMarketCap
A pressão vendedora ganhou força após o anúncio da MSCI sobre alterações na metodologia de seus índices, especialmente no tratamento de empresas com tesouraria exposta a criptoativos.
Mudança nas regras do MSCI afeta a Strategy
A MSCI comunicou que deixará de ajustar automaticamente o peso das ações em seus índices para refletir novas emissões de capital. A decisão afeta diretamente a Strategy, antiga MicroStrategy, liderada por Michael Saylor, cuja estratégia central envolve a emissão recorrente de ações para financiar compras de Bitcoin.
Até então, sempre que a companhia emitia novas ações, fundos passivos atrelados aos índices MSCI eram obrigados a adquirir esses papéis de forma proporcional. Esse mecanismo criava uma demanda previsível e recorrente, funcionando como uma importante fonte de liquidez para a ação MSTR.
Fonte: X
Com o fim desse processo automático, essa demanda passiva deixa de existir. O resultado é uma limitação na capacidade da empresa de levantar capital em condições favoráveis para expandir sua tesouraria em Bitcoin, o que gerou ceticismo imediato entre analistas do setor.
O analista Crypto Rover alertou que o mercado pode ter subestimado a relevância da mudança, classificando o anúncio da MSCI como uma armadilha para investidores desatentos. Segundo ele, a ausência dessa demanda institucional passiva pode comprometer a sustentabilidade do modelo da companhia no longo prazo.
A importância do tema é reforçada pelo histórico recente da empresa, que emitiu mais de US$ 15 bilhões em novas ações ao longo de 2025. Após o comunicado da MSCI, as ações da MSTR recuaram 4,10%.
Análise técnica aponta níveis-chave para o Bitcoin
No campo técnico, o Bitcoin recuou após falhar na tentativa de romper a linha de tendência superior de um triângulo ascendente no gráfico diário. No momento, o ativo tenta se sustentar acima da média móvel exponencial de 50 dias, localizada em torno de US$ 91.700, considerada o principal suporte de curto prazo.
Gráfico diário de preços do BTC/USDT. Fonte: TradingView
A perda desse nível pode intensificar o movimento de baixa, abrindo espaço para um recuo até a região entre US$ 88.000 e US$ 89.000. Essa faixa concentra a média móvel de 20 dias e a base inferior do triângulo ascendente, formando uma zona relevante de interesse comprador.
Caso o preço rompa essa estrutura, o alvo técnico projetado passa a ser a região de US$ 79.450, calculada a partir da altura máxima do triângulo. Esse cenário colocaria o mercado em uma fase crítica de definição de tendência para o primeiro trimestre.
Livro de ordens indica disputa por liquidez
Apesar de um possível cruzamento de ouro no gráfico diário, analistas avaliam que esse sinal pode não ser suficiente para neutralizar a pressão vendedora acumulada para 2026. A formação de uma nova máxima histórica é vista como improvável no curto prazo.
Keith Alan, cofundador da Material Indicators, destacou que o controle do preço está sendo disputado diretamente no livro de ordens. Dados de monitoramento mostram compradores defendendo a região dos US$ 92.000, enquanto grandes participantes parecem interessados em testar níveis mais baixos, próximos à abertura anual de 2026.

Fonte: Keith Alan
Segundo Alan, um retorno à faixa de US$ 87.500 não é uma questão de possibilidade, mas de tempo. O fluxo de ordens sugere que o mercado ainda busca liquidez em patamares inferiores.
Acumuladores compram enquanto mineradores vendem
Os dados on-chain indicam um comportamento misto entre os grandes participantes da rede. Informações da CryptoQuant mostram que os endereços de acumulação elevaram suas posições de 249 mil para 310 mil BTC nos primeiros seis dias de janeiro de 2026, encerrando um longo período de consolidação observado entre setembro e dezembro de 2025.

Saldo de Bitcoin em carteiras de acumulação. Fonte: CryptoQuant.
Em contraste, mineradores transferiram cerca de 33 mil BTC para a Binance no início do ano, um volume bem acima da média histórica. O movimento sugere realização de lucros e reforço de caixa após a valorização recente.
Analistas destacam que, isoladamente, a venda de mineradores raramente provoca correções profundas, desde que a demanda institucional seja capaz de absorver essa oferta adicional.
Sentimento do mercado mostra estabilização
Indicadores de sentimento e fluxo de ordens na Binance apontam para um cenário de normalização. Após um novembro marcado por vendas médias de US$ 2,3 bilhões por dia, o início de janeiro registrou sete sessões consecutivas de compras líquidas.
Embora o volume médio diário de US$ 410 milhões seja relativamente modesto, ele representa uma mudança relevante na psicologia do mercado. O Índice Unificado de Sentimento do Bitcoin retornou à zona neutra pela primeira vez desde novembro, indicando dissipação do medo extremo.
Segundo o pesquisador Axel Adler Jr., esse retorno à neutralidade sugere que o movimento atual não está sobreaquecido, abrindo espaço para uma recuperação mais sustentável. Ainda assim, a continuidade da alta dependerá da capacidade do mercado de equilibrar a venda dos mineradores com a absorção constante por parte dos compradores.
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