PORD11 e BTCI11 entregam retorno real acima da inflação e reforçam caixa em novembro

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Fonte: DepositPhotos

O fundo imobiliário PORD11 acaba de divulgar seu relatório gerencial referente ao mês de novembro, reportando um lucro líquido de R$ 3,817 milhões. 

Embora o número represente uma retração comparado aos R$ 4,241 milhões do mês anterior, o resultado demonstra a resiliência operacional da estratégia de crédito do fundo em um cenário macroeconômico volátil.

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Fonte: PORD11

A oscilação no lucro líquido mensal costuma estar atrelada à dinâmica de marcação a mercado dos ativos de renda fixa e ao volume de negociações no período. Mesmo com essa variação, a carteira de ativos imobiliários permaneceu como o grande motor da operação, sendo responsável por gerar R$ 3,593 milhões do total reportado pela gestão no mês.

O resultado financeiro complementar adicionou R$ 847,6 mil ao fundo, refletindo uma gestão ativa da liquidez em um ambiente de taxas de juros elevadas. 

Rentabilidade real e distribuição de dividendos do PORD11

A distribuição anunciada pela gestão foi de R$ 3,802 milhões em rendimentos, o que se traduz em um dividendo de R$ 0,102 por cota para os investidores posicionados na competência de novembro de 2025. 

Ao observar o acumulado dos últimos doze meses, o montante distribuído chega a R$ 1,118 por cota, consolidando um dividend yield anualizado de 13,85% sobre a cota base de R$ 8,07. 

Em termos de retorno real, o desempenho do PORD11 equivale a uma taxa de IPCA somada a 8,25% ao ano. Quando consideramos o benefício fiscal para pessoas físicas, o chamado gross up, o retorno salta para IPCA mais 10,58%. 

O fundo ainda mantém valores relevantes represados para distribuições futuras, o que oferece previsibilidade ao investidor. Existem R$ 0,056 por cota referentes à inflação acumulada ainda não repassada, além de um saldo adicional não distribuído de R$ 0,028 por cota. 

Estratégia de alocação e movimentação de CRIs

A gestão aproveitou o período para realizar ajustes pontuais na composição do portfólio, focando em ativos com prêmios de risco interessantes. Um dos destaques foi o aumento da exposição ao CRI da Kallas, um papel estruturado com taxa de CDI mais 2,63%, elevando sua fatia para 0,92% do patrimônio líquido total do fundo.

Outro incremento importante ocorreu na posição do CRI Hapvida, um título com vencimento longo para 2031 e remuneração de IPCA mais 10,7%. Essa operação agora representa 1,41% do portfólio, reforçando a estratégia de travar taxas reais elevadas em setores resilientes da economia nacional, como o de saúde e infraestrutura.

Em contrapartida, o portfólio segue um processo natural de reciclagem através da amortização do CRI Novo Mundo. O fundo reduziu sua exposição em 2,3% em novembro e já projeta uma nova diminuição de 1,55% para dezembro. Esse movimento libera capital para novas alocações em ativos com taxas mais atualizadas e prêmios maiores.

Composição setorial e resiliência do portfólio

A estrutura da carteira é liderada por CRIs corporativos de série única, que abarcam 34% do total, seguidos por uma posição defensiva em caixa de 23%. Esse nível de liquidez elevado é estratégico, permitindo que o gestor atue com agilidade diante de janelas de oportunidade que surgem com o estresse momentâneo da curva de juros.

No recorte setorial, a exposição é direcionada prioritariamente à renda urbana, que concentra 25,4% da carteira total. Em seguida aparecem os empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, com 15,7%, e o segmento residencial, que representa 12,9% do portfólio imobiliário do fundo.

BTCI11 reporta lucro de R$ 7 milhões e mantém prêmio real de 9,8% sobre a inflação

Aprofundando a análise sobre os fundos de recebíveis, o BTCI11 também movimentou o mercado com a atualização de seus dados operacionais e financeiros. 

O fundo imobiliário encerrou o mês de novembro com um resultado líquido de R$ 7,045 milhões, apresentando um recuo em relação aos R$ 8,401 milhões reportados em outubro. Essa retração reflete o impacto das despesas operacionais e a sazonalidade natural dos recebimentos da carteira de crédito.

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Fonte: BTCI11

Durante o período, o fundo gerou uma receita bruta de R$ 8,123 milhões, enquanto os custos totais somaram R$ 1,079 milhão. 

Os dividendos distribuídos em 12 de dezembro, referentes à competência de setembro de 2025, totalizaram R$ 0,096 por cota. Esse valor representa uma rentabilidade mensal de 1,04%, mantendo o BTCI11 como uma opção robusta para investidores focados em retorno imediato. 

O patrimônio líquido do fundo fechou o mês em R$ 1,002 bilhão, consolidando sua posição entre os grandes veículos de crédito imobiliário do mercado nacional. No entanto, o valor de mercado encerrou em R$ 921,6 milhões, evidenciando um desconto significativo que reflete a aversão ao risco no mercado secundário de fundos de papel.

Avaliação e deságio no mercado secundário

Com a cota patrimonial fixada em R$ 10,07 e a cota de mercado a R$ 9,26, o investidor encontra uma oportunidade técnica de ganho de capital na convergência desses preços. 

A estratégia de investimento do BTCI11 permanece fiel à diversificação em Certificados de Recebíveis Imobiliários e aquisições diretas de ativos. A prioridade da gestão é a originação de estruturas que ofereçam remuneração indexada ao IPCA com spreads de crédito competitivos. 

Aproximadamente 94% da carteira está atrelada ao IPCA, com um spread médio impressionante de IPCA mais 9,8% ao ano. A parcela residual do portfólio se divide entre ativos indexados ao CDI, que representam 3% com spread de CDI mais 13,4%, e operações prefixadas com 2%. 

Distribuição geográfica e perfil dos ativos de crédito

Geograficamente, o BTCI11 concentra suas apostas na região Sudeste, aproveitando a maior liquidez e dinamismo econômico dos eixos Rio-São Paulo. Os setores residencial, logístico e comercial dominam a exposição, garantindo lastros imobiliários de alta qualidade para as operações de crédito estruturadas pela equipe de gestão.

O portfólio é majoritariamente composto por CRIs, que respondem por 80% do patrimônio investido, enquanto os 20% restantes estão alocados em cotas de outros fundos imobiliários. 

A análise do vencimento das operações mostra que 54% dos ativos possuem um duration superior a quatro anos, indicando um perfil de longo prazo e menor necessidade de giro imediato. As operações com vencimento entre dois e três anos somam 19%, garantindo um fluxo constante de amortizações para novas alocações estratégicas.

Os créditos com duration intermediária, situados entre três e quatro anos, completam os 12% finais da carteira de recebíveis, enquanto prazos curtos somam 15%. 

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