Ações do Magazine Luiza (MGLU3) disparam com dados de inflação; Ibovespa sobe com expectativa de corte de juros nos EUA

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Fonte: DepositPhotos

As ações das empresas varejistas lideraram os ganhos do Ibovespa na tarde desta quarta-feira (10/09), com os investidores reagindo positivamente à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto.

O principal destaque do dia foi o Magazine Luiza (MGLU3), cujos papéis subiam 4,82% por volta das 16h, negociados a R$ 9,35, figurando na liderança do índice. O movimento de alta foi generalizado para o setor de consumo e também beneficiou as instituições financeiras, que subiram com o alívio na curva de juros.

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Fonte: Google Finance

A reação otimista do mercado, no entanto, ocorreu apesar de os dados de inflação terem vindo com uma queda menor do que a esperada e com sinais de pressões persistentes no setor de serviços. Ainda assim, a deflação no índice geral foi suficiente para reforçar as projeções de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros Selic antes do previsto, um cenário altamente favorável para as empresas de varejo.

O paradoxo do IPCA: deflação no índice geral, mas com pressão de serviços

O IPCA de agosto registrou uma deflação de 0,11%. Embora o número confirme uma tendência de arrefecimento dos preços, a queda veio menor do que o consenso do mercado esperava, e uma análise mais aprofundada do relatório revela um cenário que ainda inspira cautela.

Segundo a análise de grandes bancos de investimento, como o Goldman Sachs e o Bank of America, a inflação de serviços continua pressionada e disseminada. Os principais indicadores de serviços, como os intensivos em mão de obra, ainda mostram uma alta superior a 6%, sustentada por um mercado de trabalho aquecido e por estímulos fiscais.

A visão é de que as expectativas de inflação de curto e médio prazo continuam desancoradas, ou seja, acima da meta, o que representa um desafio para o Banco Central. No entanto, a valorização recente do real deve ajudar a limitar as pressões sobre os preços de bens e produtos comercializáveis, que são mais sensíveis ao câmbio.

A reação do mercado e a expectativa de queda da Selic

Apesar das preocupações com a inflação de serviços, o mercado financeiro optou por focar no dado principal de deflação, que reforçou as projeções de que o Banco Central poderá antecipar o início do ciclo de cortes da taxa Selic.

A visão de algumas instituições financeiras é de que há chances de o BC iniciar a redução dos juros já em dezembro deste ano, com a taxa podendo chegar a 11,25% até o final de 2026.

A perspectiva de juros mais baixos é o principal motor para o otimismo com as ações de empresas ligadas à economia doméstica. Juros menores tendem a estimular a atividade econômica, baratear o crédito para os consumidores e reduzir as despesas financeiras das companhias, criando um ambiente mais favorável para o crescimento dos lucros.

Foi essa expectativa que impulsionou não apenas as varejistas, mas também as ações de grandes bancos, como o Banco do Brasil (BBAS3), que se beneficiam do alívio na curva de juros.

O impacto no setor de varejo e o foco em Magazine Luiza

O setor de varejo é um dos mais sensíveis às variações na taxa de juros, e o Magazine Luiza é um dos principais exemplos dessa dinâmica.

A empresa, cujo modelo de negócio é fortemente dependente do consumo de bens duráveis, como eletrônicos e eletrodomésticos, se beneficia diretamente de um ambiente de crédito mais acessível para os seus clientes. A possibilidade de os consumidores financiarem suas compras com juros mais baixos é um fator crucial para impulsionar o volume de vendas da companhia.

Além do impacto no lado do consumidor, a queda dos juros também alivia as despesas financeiras da própria empresa, que utiliza capital de terceiros para financiar suas operações e seu estoque. Com um custo de dívida menor, a tendência é de uma melhora nas margens e na lucratividade.

É a combinação desses dois efeitos — estímulo à demanda e redução de despesas — que explica a forte reação positiva das ações do Magazine Luiza à perspectiva de um ciclo de cortes na Selic, mesmo que ele ainda não tenha começado.

Ibovespa sobe com deflação nos EUA e avanço dos bancos

Após duas quedas seguidas, o Ibovespa voltou a subir nesta quarta-feira, com uma alta de 0,52%, aos 142.348,70 pontos, o segundo maior patamar de fechamento da história. O otimismo foi impulsionado pela divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA, que registrou uma deflação inesperada.

O dado reforçou a aposta do mercado em um corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana, o que animou os investidores e fez o dólar cair 0,53%, para R$ 5,407.

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Fonte: Google Finance

Apesar dos dados positivos, os mercados em Wall Street fecharam mistos e sem força, com os investidores preferindo aguardar a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nesta quinta-feira para confirmar a tendência. 

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