TradingKey - O conflito entre Irã e EUA interrompeu a produção global de petróleo e gás ao afetar as cadeias de suprimentos e danificar as linhas de fornecimento de petróleo e as infraestruturas de gasodutos devido às hostilidades em curso.
De acordo com a Energy Information Administration, em abril, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein implementaram juntos um corte na produção de petróleo bruto de 10,5 milhões de barris por dia. As perspectivas da Energy Information Administration sugerem que o Estreito de Ormuz permanecerá paralisado até, pelo menos, o final de maio, com a retomada do transporte marítimo em junho. No entanto, a Energy Information Administration não espera que a produção regional retorne aos níveis anteriores ao conflito até 2026. Além disso, os Emirados Árabes Unidos retiraram-se formalmente da OPEP em 1º de maio, o que reduz a capacidade ociosa esperada para a OPEP de 3,8 milhões de barris por dia para 2,5 milhões de barris por dia — eliminando uma camada adicional de proteção geral contra choques de oferta globais.
A ExxonMobil também emitiu um alerta pelo lado da oferta: os estoques de petróleo cairão para mínimas históricas nas próximas semanas, forçando os preços do petróleo a disparar e reduzindo a demanda. O vice-presidente sênior da Exxon, Neil Chapman, afirmou que os preços à vista do petróleo Brent saltarão para US$ 150 a US$ 160 por barril quando os estoques atingirem níveis historicamente baixos nas próximas semanas.
Mesmo que o conflito entre Israel e Hamas terminasse hoje, Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, estima que o conflito atual custará ao mercado global 1 bilhão de barris de petróleo, e não se espera que os mercados globais de petróleo e gás retornem à normalidade até 2027. Os danos à infraestrutura de energia na região levarão muitos anos para serem reparados, resultando em baixa oferta e alta volatilidade no futuro previsível.
Os investidores devem aproveitar as condições voláteis que oferecem boas perspectivas para obter retornos mais elevados; no entanto, os investidores devem focar mais em permitir que suas carteiras tenham exposição a empresas que consigam manter sua participação de mercado em seus respectivos setores e que continuem pagando dividendos e/ou recomprando ações durante crises econômicas. O valor proporcionado pelo setor de energia complementará o foco do investidor em investimentos de tecnologia ou baseados no consumo, uma vez que existem múltiplos segmentos na cadeia de valor de energia que apresentam desempenhos diferentes ao longo do ciclo econômico.
NOME E TICKER | VALOR DE MERCADO | DIVIDEND YIELD | SETOR |
ConocoPhillips (NYSE:COP) | US$ 140 bilhões | 2,83% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
Devon Energy (NYSE:DVN) | US$ 51 bilhões | 2,13% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
Enbridge (NYSE:ENB) | US$ 120 bilhões | 4,86% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
ExxonMobil (NYSE:XOM) | US$ 602 bilhões | 2,72% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
Phillips 66 (NYSE:PSX) | US$ 71 bilhões | 2,84% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
Chevron (NYSE:CVX) | US$ 363 bilhões | 3,78% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
EOG Resources (NYSE:EOG) | US$ 71 bilhões | 2,96% | Petróleo, Gás e Combustíveis Consumíveis |
Produtores Upstream: Beneficiando-se de Déficits de Oferta
A Occidental Petroleum (OXY) é uma forte escolha de investimento devido tanto a um investimento significativo de 26,64% da Berkshire Hathaway quanto ao fato de a OXY possuir custos de produção relativamente baixos na Bacia do Permiano em comparação com outras petroleiras. Além disso, o fato de Warren Buffett e seu sucessor, Greg Abel, deterem ações da OXY demonstra um alto nível de confiança e a convicção de que haverá escassez de oferta de energia a longo prazo.
A ConocoPhillips (COP) também possui atributos de investimento muito fortes, com custos médios de produção de US$ 40 por barril e uma classificação de crédito elevada, o que permite à empresa retornar a maior parte de seu fluxo de caixa livre aos investidores.
A EOG Resources (EOG) é referida como a "Apple do Petróleo", no sentido de que utiliza tecnologia de ponta como uma produtora focada exclusivamente em xisto (pure-play), o que resulta na geração de margens líderes no setor.
Gigantes Integradas: Estabilidade e Escala
A Berkshire Hathaway possui a Chevron (CVX) como uma participação principal que opera globalmente em toda a cadeia de valor. Esta empresa possui oportunidades devido ao crescente acesso dos EUA ao petróleo pesado venezuelano, bem como à sua recente aquisição da Hess Corp para expandir suas oportunidades de crescimento. De acordo com o último formulário 13F da Berkshire Hathaway protocolado na Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA, ao final do primeiro trimestre de 2026, a Berkshire detinha aproximadamente US$ 15,4 bilhões em ações da Chevron, que continua sendo uma parte importante de seu portfólio de investimentos.
A ExxonMobil (XOM), que é atualmente a maior empresa de petróleo integrada do mundo, reduziu significativamente os custos de produção nos últimos anos e, como resultado, gerou volumes significativos de fluxo de caixa para proteger uma sequência de 10 anos de crescimento nos dividendos.
Midstream e GNL: Fluxo de Caixa Estável e Demanda Global
De todas as empresas da lista, a Enbridge (ENB) possui o maior dividend yield (com uma base sólida de receita proveniente de tarifas pelo transporte de 30% do petróleo da América do Norte através de seu sistema de dutos norte-americano). A Cheniere Energy (LNG), maior exportadora de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA e a segunda maior operadora de GNL do mundo, está se beneficiando do aumento da demanda europeia e asiática por GNL devido às interrupções no fornecimento do Oriente Médio resultantes do conflito com o Irã.
A ciclicidade e a sensibilidade do petróleo a choques geopolíticos tendem a afetar o setor. Investidores que buscam obter lucro devem procurar empresas que apresentem três características fundamentais: um balanço patrimonial sólido com níveis razoáveis de endividamento, baixas despesas operacionais e diversificação geográfica ou operacional. O fato de as tensões no Iraque terem ajudado a impulsionar os preços da energia no curto prazo indica que as ações de energia são sempre um bom investimento, desde que façam parte de uma carteira bem equilibrada para limitar o risco de queda.