Os fluxos ilícitos de criptomoedas atingiram um novo recorde histórico de US$ 158 bilhões em 2025, mais que o dobro do ano anterior (US$ 64,5 bilhões), de acordo com o Relatório de Crimes com Criptomoedas de 2026 da TRM Labs.
“Antes dessa recuperação, o valor total recebido por entidades ilícitas havia diminuído de forma constante, passando de US$ 85,9 bilhões em 2021 para US$ 75,4 bilhões em 2022 e US$ 73,3 bilhões em 2023, antes de atingir o ponto mais baixo em 2024”, afirmou a TRM.
A TRM afirmou que esse aumento está diretamente ligado a sanções mais rigorosas, ao maior número de governos que utilizam criptomoedas e a uma plataforma tecnológica chamada Beacon Network, que permite que investigadores se comuniquem entre si e compartilhem informações de carteiras rapidamente, o que significa que carteiras com atividades suspeitas estão sendo sinalizadas mais cedo.
O relatório da TRM afirmou que apenas 1,5% de todo o tráfego criptográfico conhecido em 2025 era considerado "sujo", uma queda em relação aos 1,7% em 2024 e muito inferior aos 3,5% em 2023.
O mesmo aconteceu com o dinheiro recebido, em que apenas 2,7% dos novos fluxos foram para carteiras fraudulentas, uma queda em relação aos 2,9% do ano anterior e aos 6,0% de 2023.
Portanto, há mais crimes em termos monetários, mas menos em comparação com a quantidade de dinheiro limpo que circula.

Um token ligado à Rússia, chamado A757, recebeu US$ 72 bilhões em dinheiro sujo, e outros US$ 39 bilhões foram enviados diretamente para o grupo de carteiras A7, o que significa que mais de 80% de todo o volume relacionado a sanções estava ligado a participantes russos.
A TRM citou Garantex, Grinex e A7 como atores-chave. Uma carteira digital é uma coisa, mas a TRM também destacou um token chamado A7A5, uma stablecoin lastreada em rublos e atrelada ao plano estratégico maior da Rússia: eliminar o dólar americano e construir sua própria infraestrutura. As carteiras A7 são usadas principalmente para burlar sanções, mas o A7A5 foi utilizado em diversos fluxos oficiais.
A TRM alegou que 95% de todo cash que entrava nessas carteiras sancionadas vinha de stablecoins. Isso mostra que as ferramentas mudaram. Essas pessoas sabem como se esconder e estão usando stablecoins para se manterem fora do radar. As sanções estão mais rigorosas agora. Então, elas migraram para plataformas menores e mais arriscadas que não seguem as regras.
Na Venezuela, o governo supostamente usou criptomoedas para manter o sistema funcionando, já que os bancos estão congelados. Então, eles recorreram a tokens para pagamentos estatais, remessas e tudo o mais que conseguissem passar despercebidos.
A TRM também apontou para serviços de custódia em língua chinesa e bancos clandestinos que estão sendo usados por golpistas, hackers e pessoas que tentam burlar sanções.
Em 2020, essa atividade girava em torno de US$ 123 milhões, mas agora ultrapassa US$ 103 bilhões. Esses serviços movimentam grandes quantidades de stablecoins para sistemas legítimos, por meio de corretoras de balcão, laranjas e cassinos na Ásia, de acordo com a TRM.
A TRM analisou os números por tipo de crime. As violações de sanções aumentaram mais de 400%. O número de carteiras bloqueadas subiu 32%. O dinheiro hackeado ou roubado aumentou 31%. Os mercados da darknet cresceram 20%. As vendas de bens e serviços ilegais aumentaram 12%.
Isso não aconteceu porque os criminosos ficaram mais espertos. A TRM afirmou que a diferença foi a aplicação da lei mais rapidamente. A Beacon Network facilitou o trabalho dos investigadores para conectar informações entre países. Ela não mudou a defide "ilícito", mas acelerou o processo de identificação de carteiras sujas.
As empresas de stablecoins também entraram na onda. A TRM afirmou que a Tether, em particular, começou a investigar carteiras fraudulentas ligadas a terrorismo, golpes e ataques cibernéticos. Isso ajudou a explicar por que tantas transações sinalizadas envolviam stablecoins. A fiscalização está se tornando mais inteligente e rápida.
A TRM também atualizou a forma como contabiliza os crimes. Antes, comparava a atividade ilícita com criptomoedas ao tráfego total da blockchain. Isso fazia com que o crime parecesse menor, porque bots, corretoras e exchanges inflacionavam o volume com negociações falsas e movimentações rápidas.
Agora, o TRM compara o dinheiro ilícito com cash que realmente sai dos VASPs, provedores legítimos como corretoras. Isso mostra qual parte do dinheiro real e utilizável está indo para as mãos de criminosos. Se US$ 100 entram e US$ 20 acabam em carteiras criminosas, isso representa um risco real de 20%. Não importa quantas vezes os mesmos US$ 100 tenham sido movimentados.

A TRM também removeu o volume falso dos cálculos; coisas como wash trading, peel chains e movimentações internas. Essas coisas não adicionam capital. Elas apenas o movimentam em círculos para inflar as estatísticas. Essa porcaria foi eliminada do novo modelo.
Eles disseram que os números são conservadores. Não incluem crimes com moeda fiduciária que posteriormente se converteram em criptomoedas, nem carteiras não auditadas. Também ignoraram as cadeias de lavagem de dinheiro. tracapenas a renda, não o que aconteceu depois que o dinheiro foi movimentado.
A TRM afirmou que esses valores totais vão aumentar posteriormente. Novas carteiras digitais sempre são encontradas depois do ocorrido. Investigações levam tempo. Sanções são atualizadas. Registros judiciais são liberados. Portanto, o que hoje são US$ 158 bilhões pode valer mais amanhã.
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