Ouro cai para a mínima de quatro semanas, abaixo de US$ 4.300, com fortalecimento do dólar diante de apostas no Fed e riscos do Irã

O ouro atrai novas vendas com os riscos inflacionários impulsionados pelo petróleo reforçando as apostas de alta de juros pelo Fed.
A escalada das tensões entre EUA e Irã beneficia o dólar em seu papel de ativo de proteção (safe-haven), pressionando ainda mais a commodity.
As atenções do mercado seguem firmemente voltadas para a divulgação do crucial relatório de empregos (Nonfarm Payrolls - NFP) dos EUA na sexta-feira.
O ouro (XAU/USD) cai para a mínima de quase quatro semanas durante a sessão asiática desta quarta-feira e agora busca estender a queda para abaixo de US$ 4.300 em meio a um cenário fundamentalista de baixa (bearish). A escalada do conflito no Oriente Médio impulsiona os preços do petróleo bruto para a maior máxima desde 24 de julho, alimentando temores de inflação e reforçando as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos EUA. Além disso, a continuidade nas compras de dólar americano (USD) segue exercendo pressão de queda sobre o metal precioso.
As tensões entre os EUA e o Irã voltaram a se acirrar após um ataque americano contra lançadores de foguetes iranianos perto da Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, no domingo. Esse foi o primeiro ataque dos EUA desde o final de julho, provocando um contra-ataque iraniano a alvos vinculados aos EUA na região. Somando-se a isso, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou na terça-feira que forças americanas atingiram alvos do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Em resposta, o Irã escalou o confronto e lançou intensos ataques com mísseis balísticos e drones contra interesses americanos no Bahrein, Kuwait e Jordânia nesta quarta-feira. Isso mantém o prêmio de risco geopolítico ativo, oferecendo suporte aos preços do petróleo bruto e à moeda americana (Greenback), em seu papel de porto seguro.
Enquanto isso, os investidores continuam preocupados com a possibilidade de os preços elevados da energia reacenderem as pressões inflacionárias e forçarem os principais bancos centrais, incluindo o Fed, a adotar uma postura mais rígida (hawkish). Além disso, os comentários do chair do Fed, Kevin Warsh, no Simpósio de Jackson Hole, na última sexta-feira, seguem alimentando as expectativas de um aumento de juros em setembro. Paralelamente, preocupações com a dívida fiscal aprofundaram a onda de vendas no mercado global de títulos (bonds), levando o rendimento (yield) da Treasury de 10 anos, referência para o mercado norte-americano, ao seu nível mais alto desde janeiro de 2025. Esse movimento é visto como outro fator que continua a afastar os fluxos do ouro — ativo que não rende juros — e reforça a tese de um movimento de desvalorização adicional no curto prazo.
Rendimentos das Treasuries de 10 anos dos EUA devem subir rumo a 5%
Estrategistas de taxas do Societe Generale alertam que a mais recente onda de vendas deixa a curva de juros dos EUA vulnerável a novas altas nos rendimentos dos prazos mais longos, destacando que “a este ritmo, os títulos de 10 anos dos EUA estão a caminho dos 5%”. Eles enquadram o movimento como parte de um processo contínuo de bear steepening (empinamento da curva de juros com alta nas taxas longas), com os investidores testando progressivamente quanto prêmio de termo adicional o mercado passará a exigir, enquanto as expectativas para a política monetária permanecem inclinadas a um maior aperto pelo Fed.
No entanto, os operadores podem optar por aguardar a divulgação do amplamente monitorado relatório mensal sobre o mercado de trabalho dos EUA, popularmente conhecido como Nonfarm Payrolls (NFP), na sexta-feira. Os dados cruciais sobre o emprego serão analisados em busca de novas pistas quanto às perspectivas da política monetária do Fed, o que, por sua vez, influenciará a dinâmica de preços do dólar e dará um novo impulso ao metal precioso. Enquanto isso, o contexto fundamentalista mencionado parece inclinado a favor dos vendedores (bears), sugerindo que o caminho de menor resistência para o preço do ouro permanece para baixo. Portanto, qualquer tentativa de recuperação ainda pode ser vista como uma oportunidade de venda e corre o risco de perder fôlego rapidamente.
Gráfico diário XAU/USD
Análise Técnica
Um rompimento intradiário abaixo do nível de 50% de retratação de Fibonacci da recente recuperação a partir da mínima do ano, atingida em julho, pode ser visto como um gatilho fundamental para os vendedores (bears) do XAU/USD. Além disso, a Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) opera profundamente em território negativo e abaixo da linha de zero, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI) oscila perto de 44, sinalizando a perda de fôlego do momento comprador. No entanto, uma confirmação de venda abaixo da Média Móvel Exponencial (EMA) de 200 dias, em torno de US$ 4.276, é necessária para sustentar a tese de perdas adicionais.
O referido suporte é seguido pela retratação de 61,8% de Fibonacci, em torno de US$ 4.236, que, se rompida, exporia o nível de 78,6% perto de US$ 4.111 e a região do fundo anterior perto de US$ 3.952. Na ponta de alta, a resistência inicial surge na retratação de 50,0%, perto de US$ 4.324, à frente de um obstáculo mais rígido na retratação de 38,2%, em torno de US$ 4.412, com uma barreira mais forte acima, no nível de 23,6%, perto de US$ 4.521.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
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