O ouro recebe vendas de continuidade pelo quarto dia consecutivo, em meio à compra sustentada do dólar americano.
Preocupações inflacionárias continuam alimentando apostas hawkish do Fed e elevando o dólar ao maior nível em mais de um mês.
As persistentes incertezas geopolíticas aparecem como outro fator que sustenta o dólar.
O ouro (XAU/USD) está estendendo a retração semanal a partir do pico mensal e deslizando para baixo pelo quarto dia consecutivo nesta sexta-feira, em meio a um interesse sustentado de compra do Dólar Americano (USD). Na verdade, o Índice Dólar (DXY), que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, subiu ao seu maior nível desde 8 de abril, impulsionado por uma combinação de fatores. As negociações de paz entre EUA e Irã estão paralisadas, devido a grandes divergências sobre o programa nuclear de Teerã e o Estreito de Ormuz, mantendo os riscos geopolíticos em alta. Além disso, o aumento das apostas em elevações de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos EUA oferece suporte adicional ao dólar e enfraquece a demanda pelo metal precioso que não rende juros.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em entrevista transmitida na noite de quinta-feira pela Fox News que não terá muita paciência com o Irã e pediu a Teerã que chegue a um acordo. Enquanto isso, uma embarcação comercial teria sido apreendida por militares iranianos nas proximidades dos Emirados Árabes Unidos (EAU), alimentando preocupações com o fluxo de suprimentos energéticos pelo estratégico Estreito de Ormuz. Esses últimos acontecimentos continuam a sustentar os preços elevados do petróleo bruto. Somado a isso, os dados de inflação dos EUA mais quentes do que o esperado divulgados nesta semana e os dados de Vendas no Varejo de quinta-feira elevaram as expectativas de mercado para uma postura mais hawkish do banco central dos EUA, continuando a impulsionar o dólar.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou alta de 3,8% em abril na comparação anual, enquanto o núcleo do índice subiu para 2,8%. Além disso, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA saltou 1,4% no mês passado, elevando a taxa anual para 6,0%. Adicionalmente, as Vendas no Varejo dos EUA expandiram-se pelo terceiro mês consecutivo em abril, refletindo um gasto do consumidor ainda resiliente, apesar das pressões inflacionárias crescentes, e reforçando as apostas hawkish do Fed. De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, os traders agora precificam uma chance de quase 40% de que o banco central dos EUA eleve os juros até o final do ano. Isso, por sua vez, favorece os compradores de dólar (bulls) e sustenta a perspectiva de nova depreciação do preço do ouro.
Enquanto isso, as relações EUA-China parecem ter se estabilizado após a cúpula de alto nível entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping. Xi, no entanto, alertou que o mau tratamento da questão de Taiwan pode provocar “choques e até conflitos” entre os EUA e a China. Trump e Xi darão continuidade às negociações em Pequim no segundo dia, e as próximas notícias devem continuar a injetar volatilidade nos mercados financeiros. Além disso, os desdobramentos da crise no Oriente Médio serão acompanhados em busca de oportunidades de negociação de curto prazo. Ainda assim, o par XAU/USD segue caminho para registrar perdas semanais, e o cenário fundamental mais amplo parece inclinado a favor dos vendedores (bears).
Gráfico de 1 hora do XAU/USD

O ouro parece vulnerável à medida que uma quebra abaixo da retração de 50% entra em cena
Do ponto de vista técnico, as repetidas falhas recentes perto da resistência horizontal de US$ 4.765–US$ 4.770 configuraram a formação de um padrão de topo duplo. Uma quebra subsequente abaixo da confluência de US$ 4.670 — composta pela Média Móvel Simples (SMA) de 200 horas e pelo nível de retração de Fibonacci de 38,2% da alta iniciada na região de US$ 4.500, mínima mensal — valida a perspectiva baixista.
Além disso, o indicador MACD (Convergência e Divergência da Média Móvel) encontra-se bem em território negativo, com leitura de -5,58. Já o Índice de Força Relativa (RSI) recuou para 26,5, sinalizando condições de sobrevenda que podem desacelerar, mas ainda não reverter, a pressão baixista predominante.
No lado da baixa, o suporte imediato está alinhado na retração de Fibonacci de 61,8% em US$ 4.605,89, seguido por um segundo suporte no nível de 78,6% em US$ 4.560,62 e pela região da mínima de oscilação anterior em US$ 4.502,95. No lado da alta, a resistência inicial surge na retração de 50% em US$ 4.637,69, seguida por uma zona de congestão mais ampla entre a retração de 38,2% em US$ 4.669,49 e a SMA de 200 horas em US$ 4.673,40. Uma recuperação adicional provavelmente enfrentará um teto mais forte na retração de 23,6%, perto de US$ 4.708,83.
(Análise técnica desta matéria elaborada com auxílio de ferramenta de IA.)