TradingKey - Em 31 de julho, horário do Leste, a AMD ( AMD) fechou cotada a US$ 476,15, o que corresponde a uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 776,41 bilhões, registrando uma queda de 1,90% no intradia. Após uma rodada anterior de forte volatilidade, o preço da ação recuou quase 18,5% em relação à sua máxima histórica de US$ 584.
Para os investidores da AMD, a questão central no momento é que a ação ainda acumula uma alta de cerca de 120% no ano e, para retornar a uma capitalização de mercado de US$ 1 trilhão, ainda precisa subir cerca de 29%. Enquanto isso, a lógica tripla que sustentou a alta anterior — a explosão na demanda por chips de IA, os altos prêmios de valuation e a confiança de insiders — está sendo examinada de perto, item por item, pelo mercado.
Por volta do período da conferência Advancing AI 2026, em 22 de julho, o preço das ações da AMD passou por uma volatilidade significativa. A ação fechou a US$ 541,98 no dia da conferência, mas, posteriormente, afetada por movimentos de venda sistêmicos no setor de chips, caiu mais de 10% no intraday em 29 de julho, com seu recuo mensal total superando 10%. Embora em 30 de julho, impulsionada pelo forte balanço da Microsoft ( MSFT), a ação tenha disparado 13% em um único dia, ela ainda não havia recuperado totalmente suas perdas até o fechamento de sexta-feira. No mesmo período, a Nvidia ( NVDA) registrou uma queda relativamente moderada e, embora o Índice de Semicondutores da Filadélfia também tenha recuado, a queda da AMD foi significativamente maior do que a média do setor.
Essa disparidade de desempenho está intimamente ligada ao elevado valuation inicial da AMD. O preço atual de suas ações se traduz em um múltiplo P/L projetado de cerca de 63x, que é superior tanto ao da Nvidia quanto à mediana dos componentes do Índice de Semicondutores da Filadélfia. O mercado já precificou as expectativas mais otimistas para a AMD — a expansão contínua do mercado de chips de IA, a AMD ganhando participação de mercado da Nvidia e o ecossistema ROCm se alinhando aos padrões do setor. Caso alguma dessas expectativas não se concretize, a pressão por uma correção de valuation será muito maior do que a de seus concorrentes.
Superficialmente, isso parece ser uma realização de lucros, mas o motivo mais profundo é que as dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos em IA estão abalando os fundamentos de valuation de todo o setor de chips.
A atividade de insiders também corrobora essa visão. De acordo com documentos enviados à SEC, insiders da AMD reduziram drasticamente suas participações nos últimos meses, com vários executivos, incluindo a CEO Lisa Su e o CTO Mark Papermaster, vendendo ações.
As instituições também mostram uma clara divergência quanto ao preço-alvo da AMD. A Wedbush elevou seu preço-alvo de US$ 450 para US$ 600, enquanto a Mizuho aumentou sua meta de US$ 415 para US$ 615. No entanto, a William Blair iniciou a cobertura em julho com uma recomendação "Hold", argumentando que o valuation atual já reflete de forma razoável o equilíbrio entre a demanda por IA e os riscos competitivos.
No geral, a q ueda da AMD não decorre da deterioração de seus fundamentos, mas sim de uma reavaliação do mercado sobre a sustentabilidade dos investimentos em IA, fazendo com que as ações de tecnologia de alto valuation passem por uma correção sistêmica de valuation.

[Fonte: TradingView]
No fechamento de 31 de julho, a AMD estava cotada a US$ 476,15. Após uma forte recuperação de aproximadamente 13% em 30 de julho, o preço das ações se estabilizou temporariamente.
Em relação às médias móveis de curto prazo, o preço atual das ações permanece cerca de 7,5% abaixo de sua média móvel de 20 dias (aproximadamente US$ 515) e cerca de 7% abaixo de sua média móvel de 50 dias (aproximadamente US$ 512), o que indica que a tendência de curto prazo ainda não se reverteu totalmente. No entanto, o preço das ações permanece acima de sua média móvel de 100 dias (aproximadamente US$ 400) e de sua média móvel de 200 dias (aproximadamente US$ 312), mantendo intacta a tendência de alta de longo prazo.
Em relação ao indicador RSI, o Índice de Força Relativa se recuperou de uma região próxima à de sobrevenda para um nível neutro de aproximadamente 45,18, sugerindo que a pressão técnica diminuiu.
Quanto aos principais níveis de suporte e resistência, o patamar de preço de curto prazo a ser monitorado está em torno de US$ 498, que representa a zona anterior de mínima de recuperação e um nível importante que foi rompido para baixo recentemente. Se o preço das ações conseguir recuperar os US$ 498 com alto volume, espera-se que ele teste a densa zona de médias móveis (aproximadamente US$ 511 a US$ 517); caso contrário, esse nível pode se transformar em resistência. Abaixo disso, um suporte de longo prazo mais importante está localizado perto da média móvel de 100 dias, em torno de US$ 400.
Em relação aos sinais do mercado de opções, os operadores esperam uma oscilação de preço de cerca de 10% em uma única semana pós-balanço. Com base no preço de fechamento de sexta-feira de US$ 476,15, uma alta de 10% testaria o patamar de US$ 527, enquanto uma queda de 10% poderia fazer a ação recuar para menos de US$ 430.
A AMD divulgará seus resultados do segundo trimestre após o fechamento do mercado na terça-feira, 4 de agosto. O consenso de mercado estima uma receita para o segundo trimestre de aproximadamente US$ 11,3 bilhões e um LPA (lucro por ação) de US$ 1,61. Entre os 9 analistas monitorados pela Visible Alpha, 7 recomendam a compra da ação, 2 estão neutros e nenhum recomenda a venda, com um preço-alvo médio de US$ 582, o que representa um potencial de alta de mais de 20% em relação ao preço de fechamento de sexta-feira. Os quatro indicadores a seguir determinarão a direção dos papéis após a divulgação dos resultados:
Se o crescimento da receita de data centers conseguirá se manter acima de 50%; se as remessas de MI350/MI450 estão ganhando escala ou se são limitadas pela capacidade; se as projeções de entrega do Helios mostram sinais de enfraquecimento; e se a projeção de receita para o ano cheio conseguirá sustentar as expectativas do mercado.
Se os resultados superarem as expectativas, a AMD precisa romper a convergência de médias móveis (em torno de US$ 511 a US$ 517) com alto volume de negociação para retomar sua trajetória rumo à meta de um trilhão de dólares. Se os números vierem abaixo do esperado, a Banda de Bollinger inferior, perto de US$ 446, será a primeira linha de defesa; caso seja rompida, a ação poderá testar a marca de US$ 400.
Os fundamentos da AMD estão, de fato, melhorando. O negócio de data centers tornou-se um pilar de lucratividade, e o Helios está impulsionando a atualização do modelo de negócios, passando da venda de chips para a entrega de soluções de sistemas; analistas da Roth Capital observaram que o Helios garantiu clientes como Meta, OpenAI, Oracle e Anthropic. No entanto, a alta de aproximadamente 120% no acumulado do ano já precificou a maior parte dos catalisadores positivos. Em um cenário marcado pelo aumento da posição vendida de Michael Burry, vendas coletivas de ações por executivos da empresa (insiders) e temores crescentes sobre 'financiamento circular', a relação risco-retorno de comprar na alta neste momento não é favorável.
No médio a longo prazo, se a tese de crescimento estrutural do mercado de chips de IA se concretizar, a meta de um trilhão de dólares não estará fora de alcance; analistas da Baird chegaram a estabelecer o preço-alvo mais alto de Wall Street, de US$ 1.250. No curto prazo, contudo, uma correção saudável pode ser necessária antes que a ação possa concluir sua arrancada. Somente após a divulgação dos resultados financeiros a direção de fato ficará clara.