Segundo relatos, Pequim está prestes a revogar as proibições de viagem impostas aos fundadores da startup de IA Manus. Isso poderia pôr fim a um dos momentos mais bizarros da corrida armamentista da IA entre os EUA e a China. Mas, para as empresas de tecnologia estrangeiras, a questão mais importante é o quão segura é uma aquisição quando a empresa adquirida foi criada na China, mesmo que seja transferida para o exterior.
Os fundadores se viram como ativos sem saída depois que os reguladores chineses forçaram a Meta a reverter sua aquisição da Manus por US$ 2 bilhões. Isso levou a startup a buscar investidores chineses. O momento parece significativo. Semanas após a reversão, Pequim promulgou uma estrutura abrangente para investimentos no exterior, que entrou em vigor em 1º de julho.
Segundo relatos, as regras estabelecem uma base legal formal para reverter transações estrangeiras já concluídas. Os regulamentos conferem às autoridades poderes mais amplos para analisar investimentos estrangeiros relacionados a tecnologia, dados e segurança nacional.
Assim, a disputa de Manus pode ser vista não tanto como uma disputa regulatória isolada, mas sim como um exemplo precoce do exercício do poder que Pequim agora legalizou.
A Manus cria agentes de IA capazes de muito mais do que apenas produzir texto. Esta empresa desenvolveu um software que consegue decompor demandas complexas em tarefas, utilizar aplicações web e funcionar em um ambiente de computação virtual. Como resultado, seus agentes de IA podem realizar pesquisas e outras operações com mínima intervenção humana. Assim, a Manus está entrando no setor em expansão da IA baseada em agentes, onde a corrida está mudando dos chatbots para agentes capazes de executar tarefas específicas.
Pequim começou a investigar a aquisição da Manus pela Meta em janeiro de 2026. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) finalmente instruiu as partes em 27 de abril de 2026 a reverter a aquisição e impedir o fluxo de capital estrangeiro para a transação. Segundo a Reuters, isso faz parte da estratégia de Pequim para evitar a aquisição de talentos chineses em IA e propriedade intelectual por empresas americanas.
Posteriormente, Xiao Hong e Ji Yichao, fundadores da Manus, foram convocados a Pequim, onde foram proibidos de deixar a China enquanto a investigação estivesse em andamento.
A Manus é originária da China, mas transferiu sua sede e principais operações para Singapura em 2025. Isso demonstra que a simples mudança de uma empresa para o exterior não significa que a tecnologia ou o talento que ela emprega estarão fora do alcance de Pequim.
A decisão de 27 de abril transformou uma aquisição aparentemente concluída em um desfazimento. A Meta havia comprado a Manus em dezembro de 2025, mas a intervenção da China forçou a separação das empresas.
Em junho, a Meta começou a desmantelar a relação, incluindo o corte do compartilhamento de dados e a separação operacional das empresas.
O momento escolhido agravou a situação. Em 1º de junho, a China divulgou suas novas regras para investimentos no exterior, e as regulamentações entraram em vigor em 1º de julho. Conforme relatado pela Reuters, as novas regras permitiam que as autoridades realizassem avaliações de segurança relativas a investimentos e transferências de ativos para o exterior e, em alguns casos, exigiam que os investidores vendessem ativos ou cessassem seus investimentos.
Essa situação altera o processo de avaliação de risco para investidores estrangeiros. Em termos simples, a preocupação não é mais se as autoridades chinesas darão sinal verde ao negócio antes da conclusão da transação, mas sim se o acordo permanecerá em vigor após o pagamento ter sido efetuado.
A Manus não vai desaparecer. Investidores, incluindo Tencent, ZhenFund e HSG, estão buscando readquirir a empresa da Meta por um valor semelhante, de cerca de dois bilhões de dólares, segundo. Embora a Tencent provavelmente se torne a maior acionista da Manus, ela deterá apenas uma participação minoritária, o que permitirá que a Manus continue operando de forma autônoma em relação a Singapura.
A empresa também continuou aumentando sua receita, o que indica que Manus espera que seus lucros recorrentes anuais permaneçam acima de US$ 300 milhões após a separação da Meta.
Agora que a Manus voltou a serdent e está nas mãos de investidores chineses, Pequim pode ter menos motivos para continuar pressionando seus fundadores. As autoridades devem suspender as restrições de viagem impostas a Xiao e permitir que ele retorne a Singapura.
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