O principal banco da Tailândia começou a examinar de perto as grandes transferências de stablecoins realizadas no país e agora está trabalhando com a SEC (Comissão de Valores Mobiliários da Tailândia) para sinalizar movimentações de USDT que possam estar ocultando dinheiro ilícito das autoridades.
O governador do Banco da Tailândia, Vitai Ratanakorn, afirmou que o banco central e a Comissão de Valores Mobiliários estão analisando negociações de alto volume, tendo o USDT (Telether) como principal alvo, de acordo com o portal local Thansettakij.
Auditorias preliminares já revelaram transações que parecem estruturadas para evitar intencionalmente a divulgação de ativos ou desviar dinheiro dos canais de pagamento habituais.
As duas agências estão agora comparando suas conclusões para decidir quais medidas de fiscalização, se houver, devem ser tomadas.
As stablecoins são convenientes para transferir grandes somas devido à facilidade e rapidez de liquidação internacional. Essa facilidade e velocidade também são os motivos pelos quais os órgãos reguladores têm observado com atenção essas moedas.
O USDT está sendo rigorosamente auditado na Tailândia por não ser considerado um ativo marginal. Na Bitkub, a maior corretora do país, o par USDT/THB é o mais negociado, representando cerca de 40% do volume diário de negócios da corretora, de quase US$ 26 milhões, proveniente de operações cambiais, segundo dados da CoinGecko.
A negociação de criptomoedas em si é legal na Tailândia e não possui restrições; no entanto, o Banco da Tailândia ainda proíbe o uso de stablecoins e outros ativos digitais como meio de pagamento.
A auditoria dessas transações com stablecoins faz parte de uma campanha contra a “economia cinzenta”, entidade que as autoridades tailandesas denominam como o conjunto de cash tracque pode ser usado para aplicar golpes em todo o país. Grandes depósitos e saques cash , transações envolvendo ouro e contas usadas em jogos de azar também estão sob a investigação dos órgãos reguladores, segundo Thansettakij.
Relatórios indicam que transações cash de alto valor exigirão uma declaração de origem dos fundos, e depósitos cash acima de 5 milhões de baht (equivalente a cerca de US$ 150.000) precisarão de divulgação completa. A troca de grandes volumes de notas de alto valor por notas de menor valor sem uma justificativa comercial clara também despertará o interesse dos órgãos reguladores.
“As medidas que estão sendo implementadas não são soluções de curto prazo, mas exigem múltiplas ações contínuas e complementares”, disse Ratanakorn.
A polícia tailandesa desmantelou recentemente uma rede de lavagem de dinheiro que movimentava lucros de golpes românticos por meio de diversas criptomoedas, usando trocas entre blockchains para ocultar o rastro do dinheiro, disseram os investigadores. A carteira de um dos suspeitos movimentou mais de US$ 122,5 milhões em dez meses.
Historicamente, o país lidou com a indústria de criptomoedas com mão pesada, o que acarretou alguns riscos. Durante uma ofensiva contra contas "mula" em 2025, os bancos tailandeses congelaram cerca de três milhões de contas, afetando muitos indivíduos e empresas legítimas no que a cobertura da imprensa local na época classificou como uma repressão "que deu errado"
Portanto, à medida que a auditoria das stablecoins e as possíveis medidas de fiscalização aumentarem, os reguladores precisarão distinguir os verdadeiros agentes mal-intencionados dos negociadores comuns.
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