O Banco Central do Brasil recentemente submeteu os provedores de serviços de ativos virtuais (VASPs) às mesmas regras das corretoras de valores mobiliários tradicionais.
A partir de 1º de janeiro de 2027, as plataformas de criptomoedas que operam no país sul-americano deverão atender a padrões de capital, gestão de riscos e transparência semelhantes aos das instituições financeiras tradicionais.
O Banco Central do Brasil reclassificou os provedores de serviços de criptomoedas como instituições do Tipo 3 (Resolução nº 580/2026), submetendo-os às mesmas regras das corretoras de valores mobiliários tradicionais, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2027.
Uma vez em vigor, as empresas de criptomoedas serão obrigadas a manter reservas de capital, implementar sistemas de gestão de risco e divulgar informações financeiras nos mesmos termos que os intermediários financeiros tradicionais.
Até 30 de junho de 2028, espera-se que todas as empresas de criptomoedas sejam alocadas ao Segmento 4 (S4) do sistema de supervisão do banco central, independentemente do seu porte. O S4 possui regras de conformidade mais rigorosas do que o segmento S5, mais simples e destinado a instituições financeiras menores. O banco central afirmou que a atividade com criptomoedas é “incompatível” com o segmento S5, de nível inferior.
O Banco Central vem construindo esse marco regulatório desde que a Lei 14.478/2022 lhe conferiu autoridade sobre ativos virtuais. Umdentconfirmou esse mandato e, em novembro de 2025, o Banco Central publicou as Resoluções 519, 520 e 521, que estabeleceram exigências de capital entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões (aproximadamente US$ 2 milhões a US$ 7 milhões) para empresas de criptomoedas. Essas normas também incluíram protocolos de combate à lavagem de dinheiro e exigências de segregação de ativos.
Em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional estendeu os requisitos de sigilo bancário às plataformas de criptomoedas, e o banco central acrescentou, em maio, que as plataformas devem ter auditoriasdent obrigatórias conduzidas por profissionais registrados na Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM).
Executivos do setor, como Carlos Russo, CEO da Bloquo e coordenador da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), esperam que as empresas do setor comecem a se consolidar assim que as plataformas menores perceberem a dificuldade de absorver os custos de conformidade.
Um executivo do setor, que preferiu não ser identificado , teria dito que a equivalência entre plataformas de criptomoedas e corretoras "não parece fazer muito sentido em termos de 'mesmo risco, mesma regulamentação'". No entanto, o executivo observou que a data de entrada em vigor em 2027 pelo menos dá às empresas tempo para se prepararem.
O setor espera que o banco central publique uma norma complementar detalhando os fatores de risco específicos para o segmento de criptomoedas. Este tema já passou por um processo de consulta pública, e o banco central levou em consideração o feedback do público sobre normas anteriores, como a permissão de carteiras de autocustódia e a autorização para que bancos operem no mercado de criptomoedas.
Cryptopolitan informou que o Brasil processou aproximadamente US$ 318 bilhões em transações com criptomoedas entre meados de 2024 e meados de 2025, tornando-se um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo. O Banco Central do Brasil afirmou que sua medida está em consonância com as melhores práticas internacionais para a regulamentação de ativos virtuais.
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