O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, está implementando uma nova estratégia para o setor automotivo que visa diretamente a pressão de Donald Trump para trazer as fábricas de automóveis de volta aos EUA. O plano oferece às empresas que produzem veículos no Canadá melhor acesso ao mercado local, tornando mais difícil para elas serem forçadas a deixar o país pelas tarifas de Trump.
A ministra da Indústria, Melanie Joly, deverá apresentar o plano completo em fevereiro. Mas informações adicionais já estão vazando de fontes oficiais. O objetivo é simples: estancar a sangria. Desde que Trump impôs tarifas sobre carros importados em abril do ano passado, fábricas fecharam e empregos desapareceram.
A General Motors fechou uma fábrica em Ontário. A Stellantis abandonou os planos perto de Toronto e decidiu fabricar Jeeps em Illinois. É isso que o Canadá quer reverter, e rápido.
Pela primeira vez na história, o Canadá permitirá que montadoras chinesas fabriquem carros dentro de suas fronteiras. Mas elas não terão condições de operar sem custos. "Elas precisarão se associar a empresas locais e usar software desenvolvido no Canadá", disse uma fonte do governo.
O funcionário, que pediu para não ser identificado, também deixou claro que as preocupações com a segurança nacional fazem parte do acordo. "Trata-se de ter uma plataforma segura que não apresente riscos tecnológicos", acrescentou. É aí que entram empresas como a BlackBerry.
A nova estratégia não se limita atracfábricas. Ela também visa os veículos elétricos. Incluirá medidas para impulsionar as vendas de veículos elétricos, além de novos incentivos para os compradores. O objetivo principal? Garantir que o Canadá não fique preso ao mercado americano. "Temos livre comércio com a Europa e a Ásia", disse o funcionário. "Não vamos ficar aqui sentados implorando por acesso aos EUA."
Atualmente, cinco empresas possuem fábricas de montagem de automóveis no Canadá: GM, Stellantis, Ford, Toyota e Honda. Mas a maior parte da produção é destinada diretamente aos Estados Unidos. É isso que Carney quer mudar.
O Canadá vendeu 1,9 milhão de carros novos no ano passado, em um país com a mesma população da Califórnia. A maioria das marcas estrangeiras sequer fabrica carros no Canadá. Tesla, Nissan e Kia atendem o mercado a partir de fábricas nos EUA ou no exterior.
Desde o início da guerra comercial de Trump, as montadoras americanas estão, na verdade, perdendo participação de mercado no Canadá. Em vez disso, as fábricas no México e na Coreia do Sul têm ganhado espaço, de acordo com dados do Statistics Canada. Isso é parte do que está impulsionando essa nova onda de políticas.
Na semana passada, Carney viajou para Pequim e se reuniu com odent Xi Jinping. Os dois lados concordaram com uma trégua comercial que permitirá a entrada de cerca de 49.000 veículos elétricos chineses no Canadá a cada ano, sob uma tarifa reduzida de 6%.
Isso representa um corte drástico em relação à sobretaxa de 100% imposta em 2024. Em contrapartida, a China reduzirá as tarifas sobre as exportações agrícolas canadenses e abrirá as portas para viagens sem visto para cidadãos canadenses.
Na mesma viagem, Joly se reuniu com a BYD, a Chery e a gigante canadense de autopeças Magna. O resultado? Um acordo de cavalheiros: a China poderá exportar um número limitado de veículos elétricos, mas essas empresas terão que avaliar seriamente a possibilidade de investir no Canadá. "Vamos verificar novamente daqui a três anos", disse o funcionário. "Se não cumprirem o prometido, o acordo estará cancelado."
O acordo inclui uma cláusula de limite de preço. Parte da cota deve ser preenchida com veículos elétricos que custem C$ 35.000 ou menos. Isso beneficia principalmente as marcas chinesas, que já fabricam modelos mais baratos. O Canadá também pretende começar a certificar mais desses modelos ao longo do tempo, em vez de depender apenas da Tesla para suprir a demanda.
Algumas pessoas em Washington foram pegas de surpresa, mas não o chefão. Trump não pareceu muito incomodado. "Tudo bem, é isso que ele deveria estar fazendo", disse a repórteres quando questionado sobre o acordo Carney-Xi. "Se você consegue fechar um acordo com a China, deve fazê-lo."
Ainda assim, há riscos. Este acordo pode gerar tensões, visto que Canadá, Estados Unidos e México se preparam para revisar seu acordo comercial trilateral. O governo afirma ter informado o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, com antecedência para evitar surpresas. A ambição maior? Reduzir a dependência de Washington como um todo.
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