Wall Street entrou em polvorosa depois que Donald Trump afirmou querer um limite de 10% nas taxas de juros dos cartões de crédito por um ano. Os grandes bancos americanos alertaram que o plano afetaria uma importante fonte de receita e dificultaria o crédito para milhões de americanos.
A taxa média de juros dos cartões é de 19,6%, e eles processam 70% de todos os pagamentos no varejo dos EUA. Líderes de Wall Street disseram que forçar a redução das taxas os levaria a restringir o acesso ao crédito.
O diretor financeiro do Citigroup, Mark Mason, afirmou que o limite causaria "uma restrição na oferta de crédito no mercado para aqueles que mais precisam, devido ao impacto econômico no modelo de negócios desse setor". Mark acrescentou que isso traria "consequências não intencionais para o consumidor" e provavelmente levaria a uma "desaceleração significativa da economia"
O diretor financeiro do Wells Fargo, Mike Santomassimo, afirmou que os danos seriam generalizados. Ele alertou que haveria um "impacto negativo significativo na disponibilidade de crédito para uma ampla gama de pessoas" e disse que o crescimento econômico seria prejudicado se o limite se tornasse lei.
Trump defendeu a ideia no Truth Social, dizendo que os americanos não deveriam ser "explorados" por empresas de cartão de crédito que cobram de 20% a 30%. Seu teto para as taxas de juros veio acompanhado de outros planos de redução de custos, incluindo uma compra governamental de US$ 200 bilhões em títulos lastreados em hipotecas para pressionar as taxas de juros dos financiamentos imobiliários e uma proposta para proibir investidores institucionais de comprar casas unifamiliares. Wall Street considerou o pacote agressivo e precipitado.
Trump levantou a ideia do limite durante a campanha de 2024, mas seu primeiro ano no cargo foi focado em flexibilizar as regras de capital dos bancos e enfraquecer o Departamento de Proteção Financeira do Consumidor.
Aaron Klein, da Brookings Institution, disse que Trump estava apresentando ideias que lembram as de Bernie Sanders, que apoiou um limite semelhante no ano passado com o apoio de Elizabeth Warren. Esse projeto de lei, porém, não chegou a ser aprovado no Congresso.
As ações da Capital One, American Express e Citigroup caíram após a notícia. O diretor financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, afirmou que "tudo está em cima da mesa", incluindo uma possível batalha judicial, e classificou a proposta como pouco fundamentada e injustificada. Wall Street interpretou isso como um sinal de que o setor está pronto para se posicionar firmemente.
Klein afirmou que um limite de 10% restringiria o acesso ao crédito, levaria os tomadores de empréstimo a recorrerem a instituições financeiras pouco regulamentadas e prejudicaria as pequenas empresas que, frequentemente, dependem de cartões de crédito e do patrimônio imobiliário em seus estágios iniciais. Outros discordaram.
Shearer afirmou que sua pesquisa mostra que os lucros cairiam, mas que o crédito não entraria em colapso. Ele disse que os bancos obtêm lucros excessivos e poderiam compensar as perdas reduzindo as recompensas. Um estudo do Fed de Nova York constatou que o crédito com cartão de crédito gera um retorno de 6,8% sobre os ativos, mais de quatro vezes a média do setor bancário em geral.
O apoio também veio do CEO da Klarna, Sebastian Siemiatkowski. Ele afirmou que limites semelhantes existem em Portugal, na Holanda e na França, variando de 12% a 24%, sem que isso prejudique os mercados. Segundo ele, o sistema está falho e algumas taxas de juros não são vantajosas.
Especialistas em políticas públicas afirmaram que Trump não pode impor o limite sozinho. É necessária legislação. Embora haja algum interesse bipartidário, a resistência dentro do partido de Trump étron. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, classificou a situação como complexa e disse que construir consenso exigirá trabalho.
Wall Street vê essa iniciativa como mais uma forma de a Casa Branca pressionar por política monetária durante um impasse com o Fed.
Jai Kedia, do Instituto Cato, afirmou que Trump sabe que os altos custos dos empréstimos influenciarão as eleições, e é por isso que ele está tentando reduzir o preço do dinheiro. Wall Street agora se prepara para o que virá a seguir.
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