O Japão iniciou 2026 com a maior alta de ações em quase quarenta anos, com o índice Nikkei 225 fechando em 52.518,08 pontos, um aumento de 4,3% em dois dias de negociação. O índice Topix acompanhou a tendência, registrando alta de 3,8%. Esse é o início maistronpara ambos os índices desde 1990, segundo a Bloomberg.
O que está por trás dessa explosão? Investimentos estrangeiros em grande escala, e investidores locais também voltaram a investir, especialmente aqueles que estão reforçando suas contas NISA agora que o limite de isenção de impostos foi zerado para o ano. Corretoras disseram que investidores individuais compraram cedo e rapidamente.
Não há mistério nenhum nisso. As ações no Japão estão recebendo um impulso de vários fatores diferentes: expectativas globais de cortes nas taxas de juros, maior confiança nos lucros das empresas, melhores regras corporativas e apoio aos planos de gastos da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Masayuki Doshida, tracde mercado da Rakuten Securities, afirmou que a maioria dessas expectativas de lucros já está precificada. Mas, caso os números reais surpreendam positivamente, o Nikkei 225 poderá chegar a 55.000 pontos ou mais.
“Se os resultados financeiros superarem as expectativas do mercado, o índice Nikkei 225 poderá atingir 55.000 pontos e potencialmente subir ainda mais”, disse Masayuki na terça-feira.
As compras não são aleatórias. Os investidores dizem que a alta tem fôlego porque não se trata apenas de um grupo investindo em massa. Investidores individuais, instituições estrangeiras e fundos algorítmicos injetaram capital em ações japonesas simultaneamente. A liquidez se manteve estável, sem frenesi.
A tranquilidade não se estendeu ao mercado de títulos. Após um leilão de títulos do governo de 10 anos sem grandes emoções, as preocupações com gastos e inflação voltaram com força total.
Os rendimentos dos títulos de longo prazo do Japão dispararam, com o título de 10 anos atingindo seu nível mais alto desde 1999. Os contratos futuros de títulos perderam os ganhos obtidos anteriormente. O rendimento do título de 20 anos atingiu níveis não vistos desde 1999. O rendimento do título de 30 anos bateu recordes desde o seu primeiro dia de negociação.
Nada disso foi uma surpresa. O Banco do Japão elevou as taxas de juros para o maior patamar em 30 anos em dezembro, mas o presidente do banco, Kazuo Ueda, não informou quando o próximo aumento ocorrerá. Portanto, todos estão especulando. A maioria dos analistas acredita que será por volta de meados do ano, mas outros dizem que pode acontecer antes, caso o iene permaneça desvalorizado. Os swaps overnight sugerem setembro.
O leilão de terça-feira não foi um desastre, mas também não foi perfeito. A relação entre o número de lances e o valor total a ser pago ficou em 3,30, abaixo dos 3,59 do último leilão, embora ainda acima da média de 12 meses, que é de 3,24.
Os operadores de câmbio estão perdendo a paciência com as oscilações bruscas do iene. Shingo Ueno, CEO da Sumitomo, afirmou na terça-feira que "a maior volatilidade força as empresas a adiarem investimentos". Ele acrescentou que um iene ligeiramente mais tron seria benéfico para a economia japonesa.
Masayuki Omoto, CEO da Marubeni Corp., corroborou essa afirmação. Ele disse que é praticamente impossível planejar qualquer coisa quando o iene se desvaloriza mais de 10 pontos em relação ao dólar em um ano. Isso aconteceu em 2025, quando o iene passou de 140 em abril para 158 no final do ano.
Em dezembro, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que o governo estava pronto para "tomar medidas ousadas" caso essa situação persistisse. Masayuki disse que uma gestão mais transparente do iene daria às empresas mais margem de manobra para investir.
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