Ibovespa sustenta 159 mil pontos e BofA projeta 180 mil com fluxo estrangeiro

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O Ibovespa (IBOV) viveu uma sessão de volatilidade, oscilando entre o campo positivo e negativo, mas conseguiu firmar uma leve alta nas últimas horas do pregão. O principal índice da bolsa brasileira encerrou esta quinta-feira (11) com avanço marginal de 0,07%, aos 159.189 pontos.

O movimento tímido do índice doméstico contrastou com a euforia em Wall Street, onde os índices renovaram máximas históricas após o corte de juros. Por aqui, a cautela com o cenário político e a ressaca da decisão do Copom pesaram na tomada de risco.

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Fonte: Google Finance

No fronte político, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adicionou ruído ao cenário eleitoral de 2026. Em entrevista, ele reafirmou que sua pré-candidatura à Presidência é "irreversível", a menos que seu pai, Jair Bolsonaro, possa concorrer.

Como o ex-presidente está inelegível e cumprindo pena, a declaração de que "não há preço" para desistir foi lida pelo mercado como um sinal de fragmentação ou radicalização da direita. Isso tende a aumentar o prêmio de risco nos ativos locais à medida que o pleito se aproxima.

Diplomacia: Lula, Maduro e o fator Trump

Além da política interna, o Palácio do Planalto confirmou movimentações diplomáticas relevantes. O presidente Lula conversou por telefone com Nicolás Maduro, da Venezuela, e mencionou um diálogo recente com Donald Trump.

O governo brasileiro tenta se posicionar como mediador nas tensões regionais, com Lula afirmando a Trump que "acredita mais no poder da palavra do que da arma". Embora o impacto no mercado seja indireto, a geopolítica adiciona uma camada de complexidade à percepção de risco-país.

O recado "Duro" do Copom e a divisão do Fed

O mercado ainda digere a "Super Quarta". No Brasil, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano por unanimidade, mas o comunicado trouxe uma mudança sutil e poderosa na comunicação do Banco Central.

A autoridade monetária alterou o termo "suficiente" para "adequada" ao se referir à manutenção dos juros em nível contracionista. Na prática, isso sinaliza que a Selic deve permanecer alta por um período ainda mais prolongado para garantir a convergência da inflação.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve confirmou o corte de 0,25 p.p., mas a decisão expôs fraturas. O placar de 9 a 3 foi a maior dissidência desde 2019, sugerindo que o caminho para novos cortes não será linear, o que mantém os investidores globais em alerta.

Destaques corporativos: Vale, Suzano e Oracle

Entre as empresas, a Vale (VALE3) foi o fiel da balança. As ações subiram quase 2%, atingindo R$ 72 (maior valor desde fev/23), impulsionadas por um fluxo robusto de capital estrangeiro que ignorou a fraqueza pontual do minério de ferro.

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Fonte: Google Finance

Na ponta oposta, a Suzano (SUZB3) recuou mais de 4% após seu Investor Day. A companhia reduziu a projeção de Capex para 2026 em 18% (R$ 10,9 bilhões). Embora bancos como o Itaú BBA tenham visto a disciplina de capital como positiva, o mercado reagiu vendendo o papel no curto prazo.

No exterior, o setor de tecnologia sofreu um revés específico com a Oracle (ORCL), que derreteu mais de 15%. Previsões pessimistas e gastos massivos com Inteligência Artificial reacenderam o temor de que o retorno financeiro da IA demore mais do que o previsto para se materializar.

BofA:iInvestidor estrangeiro deve impulsionar Ibovespa aos 180 mil pontos

Enquanto o fluxo de curto prazo derruba o dólar via carry trade, o Bank of America enxerga um movimento mais profundo e estrutural se formando: a volta maciça do investidor estrangeiro para a Bolsa brasileira, sustentada por valuations descontados e um ciclo de corte de juros no horizonte.

David Beker, estrategista-chefe do BofA para a América Latina, reforçou em encontro com jornalistas que o movimento de alta recente é apenas o começo. O banco projeta o Ibovespa alcançando os 180 mil pontos ao final de 2026 no seu cenário base.

A tese se apoia na percepção de que a alocação global em América Latina está em níveis historicamente baixos. Com o dólar enfraquecendo no exterior e incertezas sobre as tarifas de Trump, o Brasil desponta como a alternativa óbvia e líquida para o capital internacional.

O banco mantém recomendação de overweight (exposição acima da média) para o Brasil. Embora a Argentina também seja vista com bons olhos, a falta de liquidez da bolsa local (BYMA) impede a entrada de grandes fundos institucionais, canalizando o fluxo para a B3.

Cenários assimétricos: de 130 mil a 210 mil pontos

O BofA traçou uma matriz de risco clara para o investidor. Se o cenário base é 180 mil pontos, sustentado por uma Selic caindo para 11,25% (ainda acima do neutro, mas bem abaixo dos atuais 15%), os cenários alternativos dependem inteiramente da política fiscal.

No cenário otimista, onde o próximo governo eleito em 2026 conseguir implementar um ajuste fiscal crível, o índice poderia disparar para 210 mil pontos, destravando valor represado nos ativos de risco.

Por outro lado, no cenário pessimista, onde nada muda na trajetória da dívida ou a percepção de risco piora, o Ibovespa poderia recuar para 130 mil pontos. A variável chave, segundo Beker, é a trajetória da dívida/PIB a partir de 2027.

Uma análise curiosa do estrategista é sobre o "risco eleitoral". Para ele, o conforto de Lula nas pesquisas diminui o risco fiscal de curto prazo em 2026. Sem a necessidade de gastar desesperadamente para recuperar popularidade, o governo pode manter uma relativa estabilidade nas contas até o pleito.

As "7 Magníficas" do Brasil e a volta do investidor local

O estrategista prevê uma "segunda perna" de alta impulsionada pelo investidor local, que hoje está estacionado na Renda Fixa. À medida que a Selic cair de forma consistente, a realocação de portfólios será inevitável. "Quem esperar vai chegar atrasado", alerta Beker.

Para capturar esse movimento, o BofA criou duas cestas de ações. A primeira, apelidada de "Brazil Magnificent Seven", foca em qualidade, liquidez e crescimento (Growth), inspirada nas gigantes de tecnologia americanas.

Essa lista de elite inclui: Mercado Livre (MELI34), Nubank (ROXO34), WEG (WEGE3), BTG Pactual (BPAC11), Raia Drogasil (RADL3), Localiza (RENT3) e Itaú (ITUB4). Não são papéis baratos, mas são empresas que entregam resultados consistentes em qualquer cenário.

Já para quem busca valor (Value) e dividendos em empresas maduras, o banco montou a carteira "Unforgettable Seven". Aqui entram os pesos-pesados da "Velha Economia": Petrobras, Vale, JBS, Banco do Brasil, Ambev, Bradesco e Gerdau.

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