Ibovespa anda de lado e fecha aos 163.150 pontos; Gol dispara 56% com plano de capital fechado
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O Ibovespa apresentou pouca força nesta segunda-feira, operando em uma faixa estreita de negociação e encerrando o pregão com uma leve queda de 0,13%, aos 163.150,34 pontos. O índice andou de lado durante toda a sessão, refletindo o desânimo dos investidores e a falta de gatilhos positivos para impulsionar os ativos de risco no cenário doméstico.

Fonte: Google Finance
O principal fator de instabilidade nas mesas de operação foi a crescente apreensão quanto à independência do Federal Reserve. No último domingo, Jerome Powell afirmou que o banco central norte-americano foi alvo de intimações de um grande júri emitidas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Essas intimações sinalizam uma possível acusação criminal relacionada ao depoimento prestado por Powell ao Congresso em junho passado. A investigação foca nas reformas estruturais conduzidas na sede da autoridade monetária, gerando um ruído institucional sem precedentes na história moderna do país.
Estrategistas do Goldman Sachs destacaram que a ameaça contra o presidente do Fed eleva drasticamente os temores sobre a autonomia da instituição. Embora Donald Trump tenha afirmado publicamente que preza pela independência do banco central, a desconfiança entre os gestores globais de capital persiste de forma acentuada.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, intensificou o clima de tensão ao declarar que cabe ao Departamento de Justiça definir se Powell agiu de forma criminosa. Trump negou qualquer envolvimento direto ou instrumentalização do órgão, mas a retórica agressiva do governo mantém os prêmios de risco elevados.
Críticas de Janet Yellen e a nova trajetória dos juros americanos
A ex-presidente do Fed e ex-secretária do Tesouro, Janet Yellen, fez duras críticas à investigação criminal aberta pelo governo republicano. Ela expressou surpresa com o fato de o mercado não estar mais preocupado com o que chamou de ataque à integridade da política monetária global.
Para complicar o cenário macroeconômico, o JPMorgan projetou que o Federal Reserve deverá aumentar os juros em 2026, contrariando o desejo de Trump por cortes imediatos. Instituições como o Barclays e o próprio Goldman Sachs também adiaram suas previsões de flexibilização diante da resiliência do mercado de trabalho.
No campo geopolítico, o governo dos Estados Unidos elevou o tom ao sugerir possíveis intervenções na Groenlândia, em Cuba e no Irã. O líder supremo iraniano reagiu comparando o presidente norte-americano a um faraó moderno, o que impulsionou o ouro para novos recordes históricos, atingindo a marca de US$ 4.600 por onça.
Enquanto a prata se aproximava de US$ 85, os investidores buscavam proteção contra a instabilidade das relações internacionais e o avanço do protecionismo. O roteiro geopolítico atual sugere um filme de suspense que trava as alocações em mercados emergentes, forçando uma busca por ativos defensivos clássicos.
Brasil elevado para compra pelo Bank of America em meio ao cenário fiscal
Apesar das turbulências externas, o Bank of America elevou a recomendação das ações brasileiras de neutra para compra no início desta semana. A equipe de análise do banco vê o país prestes a iniciar um ciclo profundo de cortes na taxa Selic, possivelmente já nas reuniões do primeiro trimestre de 2026.
Contudo, o entusiasmo dos investidores é contido pela deterioração das projeções do Tesouro Nacional para a dívida pública bruta. As novas estimativas indicam que o endividamento brasileiro pode chegar a 88,6% do PIB até 2032, mantendo uma trajetória de alta preocupante diante do atual nível dos juros.
O Boletim Focus trouxe um alento ao revisar para baixo as projeções de inflação para este ano, mantendo estáveis as previsões de crescimento econômico e câmbio. Essa melhora marginal no cenário de preços pode oferecer o espaço necessário para que o Banco Central inicie a flexibilização monetária esperada pelo mercado.
Desempenho das blue chips e o peso do setor bancário no índice
Nas telas da B3, as empresas de maior peso tentaram sustentar o índice, mas os ganhos foram insuficientes para anular as perdas do dia. A Vale subiu apenas 0,03%, acompanhando a estabilidade do minério de ferro, enquanto a Petrobras avançou 0,20% na esteira dos contratos futuros de petróleo.
Destaques positivos ficaram para a Embraer, que saltou 2,17% após anunciar planos de fabricação de jatos na Índia. A petroleira júnior Brava também registrou um rali de 4,50%, enquanto a WEG ganhou 1,41% após ter seu preço-alvo elevado por analistas institucionais.
Por outro lado, o setor bancário atuou como o principal detrator do Ibovespa na sessão de hoje. O Bradesco recuou 0,76% e o Itaú Unibanco cedeu 0,90%, refletindo a cautela com o cenário de crédito e a trajetória fiscal brasileira. O Santander também fechou no campo negativo, com queda de 0,47%.
A Gol apresentou um movimento atípico ao disparar 56% após divulgar detalhes sobre o processo de fechamento de capital previsto para as próximas semanas. O mercado agora se volta para a divulgação do CPI de dezembro nos Estados Unidos, que será o grande termômetro para a política monetária global nesta terça-feira.
Dólar sobe levemente com agenda vazia e tensões entre Trump e Powell
O dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira com uma valorização de 0,11%, sendo cotado a 5,3757 reais. O movimento ocorreu em um dia de noticiário esvaziado no Brasil, deixando a divisa sem vetores domésticos claros.

Fonte: Google Finance
No cenário externo, a moeda norte-americana perdeu força contra as principais divisas globais. O recuo foi motivado pelas novas ameaças do governo de Donald Trump contra Jerome Powell, o que gerou incerteza sobre a autonomia do Federal Reserve.
Mesmo com a leve alta do dia, o dólar sustenta uma trajetória de queda acumulada de 2,13% no ano de 2026.
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