Ibovespa renova máxima histórica em meio a tensões diplomáticas e descolamento do dólar
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O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira em patamar inédito, registrando uma valorização de 1,96% aos 165.145,98 pontos. O ganho de mais de 3 mil pontos reflete um ajuste de expectativas do mercado frente ao cenário político local e à força das commodities.
Fonte: Google Finance
Na máxima do dia, o índice renovou seu recorde histórico ao tocar os 165.146,49 pontos. Esse movimento superou a marca anterior registrada em dezembro, no evento que ficou conhecido entre os operadores como Flavio Day.
Naquela ocasião, a indicação do senador Flávio Bolsonaro à Presidência havia provocado um recuo severo de 4%. Hoje, contudo, a consolidação desse cenário político parece ter sido absorvida com maior previsibilidade e otimismo pelos agentes financeiros.
Crise na Groenlândia e o acordo entre União Europeia e Mercosul
O ambiente externo segue carregado com as recentes declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia. O presidente americano voltou a manifestar interesse na administração da ilha, ignorando a soberania da Dinamarca sobre o território e elevando o tom diplomático.
Esse posicionamento trouxe nervosismo ao continente europeu, resultando em um aumento da presença militar na região. O governo francês reagiu com firmeza, sinalizando que qualquer ataque à soberania da Europa terá repercussões sem precedentes para as relações internacionais.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu sobreviveu a dois votos de desconfiança, em um momento em que o país lida com protestos contra o avanço das políticas comerciais externas.
Temporada de balanços em Nova York e a resistência do Fed
As pressões sobre Macron ocorrem em meio ao avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul, que agora parece irreversível. A assinatura definitiva está prevista para ocorrer em Assunção, após reuniões estratégicas entre Lula e a cúpula europeia no Rio de Janeiro.
Em Wall Street, os principais índices operaram em território negativo diante da abertura da temporada de resultados do quarto trimestre. Os grandes bancos americanos apresentaram números mistos, frustrando parte das projeções de rentabilidade do mercado financeiro.
O Citigroup reportou uma queda de 13% em seu lucro líquido, enquanto o Wells Fargo também decepcionou os analistas. O Bank of America conseguiu superar as estimativas de ganho, mas ainda assim viu suas ações recuarem diante da cautela com o cenário macroeconômico.
Pesquisas eleitorais e a dança das cadeiras no Ministério da Fazenda
Outro fator de peso em Nova York é a queda de braço entre o governo e o Federal Reserve. Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, sinalizou que não vê necessidade imediata de reduzir as taxas de juros, contrariando abertamente o desejo expressado pela Casa Branca.
No cenário doméstico, os investidores reagiram à pesquisa Genial/Quaest, que mostra o fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os dados sugerem que o sentimento antipetista está se consolidando, o que altera as projeções de risco político para os próximos anos.
A percepção de piora na economia subiu para 43%, pressionando a gestão atual a acelerar medidas de controle fiscal. Nesse contexto, a saída de Fernando Haddad da Fazenda em janeiro adiciona uma camada extra de incerteza sobre quem conduzirá a transição econômica.
Desempenho das blue chips e a queda acentuada da MRV
O otimismo do investidor local foi sustentado pelo desempenho excepcional da Vale, que avançou 4,74%. A mineradora foi impulsionada pela perspectiva de demanda global e pela resiliência observada nos preços do minério de ferro nos portos chineses.
A Petrobras também registrou ganhos expressivos de 2,73%, beneficiada pela valorização do petróleo no mercado internacional. As tensões envolvendo o Irã continuam a oferecer suporte aos preços do barril, favorecendo as empresas exportadoras de energia.
O setor financeiro contribuiu para a alta do índice, com o Bradesco subindo 1,81%. No varejo, Lojas Renner e Magazine Luiza apresentaram valorizações robustas após analistas de mercado elevarem as recomendações de compra para as ações dessas companhias.
Na contramão do mercado, a MRV desmoronou mais de 5% após divulgar suas prévias operacionais.
Descolamento do câmbio e a volatilidade dos vistos americanos
Enquanto o Ibovespa ignorou o ruído externo para buscar novas máximas históricas, o mercado de câmbio trilhou um caminho de maior cautela e descolamento global. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, cotado a R$ 5,4012, mesmo em um dia de fraqueza da moeda norte-americana no exterior.
Fonte: Google Finance
Essa divergência chamou a atenção dos operadores, já que o índice DXY operava em queda, refletindo um recuo do dólar frente a uma cesta de divisas fortes e emergentes, como o peso mexicano. No Brasil, o prêmio de risco foi alimentado pelas notícias diplomáticas inesperadas vindo do hemisfério norte.
O principal gatilho de volatilidade ocorreu no final da manhã, quando a notícia sobre a suspensão do processamento de vistos para brasileiros pelos Estados Unidos atingiu os terminais de negociação.
Intervenção do Banco Central
Para mitigar a volatilidade e garantir a rolagem de contratos vincendos, o Banco Central do Brasil atuou no mercado através da venda de 50 mil contratos de swap cambial. Essa medida é padrão para evitar vácuos de liquidez, especialmente em dias de fechamento de taxa e estresse diplomático.
Apesar da alta no dia, o dólar acumula uma queda de 1,60% no ano, sugerindo que o movimento de hoje pode ser uma correção pontual.
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