Ibovespa atinge 166 mil pontos em marca histórica enquanto Smartfit lidera perdas sob pressão de margens
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- Ouro cai ligeiramente, com o dólar americano mantendo seus ganhos recentes antes do relatório NFP dos EUA
- O lucro do JPMorgan no quarto trimestre de 2025 caiu 7%, para US$ 13 bilhões, ficando abaixo das estimativas dos analistas

O mercado de capitais brasileiro testemunhou um marco sem precedentes nesta quinta-feira, com o Ibovespa rompendo a barreira psicológica e técnica dos 166 mil pontos. Na máxima do dia, o índice alcançou 166.069,84 pontos, estabelecendo um novo teto para a história da bolsa nacional em um ambiente de forte apetite ao risco.

Fonte: Google Finance
Embora tenha desacelerado na reta final da sessão, o principal indicador da B3 encerrou o dia com uma valorização de 0,26%, fixado em 165.568,32 pontos. Esse avanço de 422 pontos consolidou o maior patamar de fechamento já registrado, refletindo um otimismo que superou as incertezas externas e domésticas.
Alívio geopolítico e a nova postura de Trump com o Fed
A euforia observada em São Paulo foi espelhada em Wall Street, onde o sentimento de alívio tomou conta das mesas de negociação. A fome de retornos dos investidores locais encontrou a vontade de comprar dos estrangeiros, criando um ambiente propício para a renovação das máximas históricas do Ibovespa.
Donald Trump optou por recuar em relação a possíveis ataques diretos ao regime iraniano após ouvir conselhos de sua equipe técnica. Esse recuo provocou um desabamento nos preços internacionais do petróleo durante o dia.
A questão da Groenlândia, contudo, permanece como um ponto de atrito latente. A Dinamarca reforçou sua presença militar na ilha e países europeus organizam exercícios militares na região, ignorando a postura indiferente de Trump. Mesmo as reuniões de alto escalão não foram capazes de dissipar essa tensão diplomática.
Outro fator determinante para o ânimo do mercado foi o cessar-fogo entre a Casa Branca e o Federal Reserve. Trump declarou que não planeja mais demitir Jerome Powell, o que trouxe uma previsibilidade imediata para a condução da política monetária nos Estados Unidos e estabilizou os prêmios de risco globais.
Estabilidade institucional e o fluxo para emergentes
Com essa estabilidade no radar, o fluxo de capital tende a ser mais constante, beneficiando tanto o mercado acionário quanto a renda fixa doméstica. A redução da volatilidade institucional nos Estados Unidos atua como um porto seguro para investidores que buscam retorno em regiões de maior risco.
A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 também contribuiu para o otimismo em Nova York. O Goldman Sachs reportou lucros de US$ 4,38 bilhões, impulsionado por operações de M&A e trading. O Morgan Stanley seguiu a mesma trilha, lucrando US$ 4,39 bilhões e superando as projeções de consenso.
No setor de tecnologia, os números positivos da Taiwan Semiconductor impulsionaram as ações de semicondutores, levando os principais índices americanos ao território azul. O ouro, tradicional refúgio em tempos de crise, encerrou em queda com a migração de capital para ativos de maior risco e crescimento.
Resiliência do varejo brasileiro e desempenho setorial
No cenário doméstico, os dados do varejo referentes a novembro surpreenderam positivamente os economistas. O desempenho, impulsionado pela Black Friday e pelas antecipações de Natal, superou as expectativas e reforçou a tese de resiliência do consumo interno, apesar do cenário de juros elevados.
Analistas da XP observam que, embora a atividade econômica tenha perdido impulso na segunda metade de 2025, o setor de crédito demonstra sinais claros de força. Esse dado macroeconômico serviu como combustível adicional para o Ibovespa ignorar as quedas de suas principais blue chips.
A Vale recuou 0,09% devido à baixa do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras caiu 0,63% acompanhando o tombo dos contratos futuros de petróleo no mercado internacional. No setor siderúrgico, a CSN foi um dos destaques negativos ao perder 3,12%.
Protagonismo dos bancos e a aceleração da Movida
O setor bancário apresentou robustez, com o Bradesco subindo 2,05% e o Itaú avançando 0,86%. O mercado parece ter absorvido a liquidação de uma instituição financeira pela Reag, com ligações polêmicas, sem enxergar riscos sistêmicos. A B3 também se destacou positivamente com alta de 2,65%.
A Embraer manteve sua trajetória ascendente com ganhos de 2,79%, sustentada pela expectativa de novos contratos e parcerias estratégicas na Índia. A fabricante de aeronaves continua sendo um dos ativos favoritos dos gestores que buscam exposição ao crescimento industrial global e exportações.
Contudo, a grande estrela da sessão foi a Movida, cujas ações dispararam 12,18%. Já no setor de construção civil, a Cury apresentou um recuo leve de 0,28% após divulgar seus dados operacionais.
Smartfit recua forte e lidera perdas no dia de recorde da bolsa
Enquanto o Ibovespa renova sua máxima histórica acima dos 166 mil pontos, as ações da Smartfit (SMFT3) apresentam um forte descolamento negativo. Os papéis lideraram as quedas do índice com recuo de 8,17%, encerrando a sessão cotados a R$ 20,90.
Fonte: Google Finance
A pressão vendedora levou os ativos à mínima de R$ 20,54, o menor patamar de preço desde agosto do ano passado. Esse movimento reflete uma realização de lucros agressiva após a valorização de 44% observada ao longo do exercício de 2025.
O ajuste técnico foi catalisado por rumores sobre a dificuldade em expandir as margens operacionais da companhia em 2026. Informações de eventos fechados sugerem que a rentabilidade pode enfrentar um teto no curto prazo, assustando os agentes do mercado.
Desafios operacionais e o impacto da concorrência estrangeira
Além das questões internas de rentabilidade, o cenário competitivo tornou-se mais complexo com o anúncio da expansão da rede australiana F45 Training. A companhia escolheu o Brasil como porta de entrada estratégica para o mercado da América do Sul.
A chegada de um player global focado em treinamento funcional pode pressionar as unidades premium da Smartfit em centros urbanos saturados. A disputa por pontos estratégicos e pela retenção de alunos deve se intensificar significativamente nos próximos meses.
Mesmo com a volatilidade recente, a Ativa Investimentos mantém recomendação de compra para SMFT3, com preço-alvo de R$ 36. Analistas acreditam que os fundamentos de longo prazo e a escala da rede continuam sendo diferenciais competitivos sólidos.
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