Ibovespa fecha primeira semana de 2026 em alta de 1,76%; acordo Mercosul-UE impulsiona o índice

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia está finalmente prestes a ser assinado. O aval político já foi consolidado entre as lideranças dos dois blocos, restando agora apenas a formalização do tratado, agendada para o próximo dia 17 de janeiro.

A notícia trouxe otimismo imediato para o mercado financeiro doméstico, impulsionando o Ibovespa para um fechamento em alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos. Com esse desempenho, a primeira semana cheia de 2026 encerra com um ganho acumulado de 1,76%, sinalizando uma recepção positiva às perspectivas de abertura comercial.

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O presidente Lula classificou o momento como um marco histórico para o multilateralismo, especialmente em um cenário global marcado por tendências protecionistas. Segundo o mandatário, o tratado fortalece o comércio internacional como motor de crescimento econômico.

Na Europa, a recepção foi igualmente calorosa por parte de figuras centrais da política econômica. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, destacou que o acordo reforça a soberania estratégica europeia e sua capacidade de ação no cenário global. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também saudou o avanço do tratado nas redes sociais.

Impacto econômico e projeções de crescimento para o Brasil

O tratado cria as bases para a maior área de livre-comércio do mundo, envolvendo um mercado consumidor de aproximadamente 700 milhões de pessoas. Segundo projeções do Ipea, a implementação plena do acordo tem o potencial de elevar o PIB do Brasil em 0,46% até o ano de 2040, gerando ganhos estruturais de produtividade.

O setor de agronegócio sustentável desponta como o maior beneficiário imediato da redução de barreiras tarifárias. Especialistas apontam que produtos como carne, café, vinho e azeite terão acesso facilitado aos mercados europeus, aumentando a competitividade das exportações brasileiras e fortalecendo o saldo da balança comercial.

A notícia favoreceu diretamente as ações de empresas exportadoras listadas na B3. Os frigoríficos registraram ganhos consistentes, com a Minerva (BEEF3) subindo 2,51% e a MBRF (MBRF3) avançando 1,93%. No setor de papel e celulose, a Klabin (KLBN11) e a Suzano (SUZB3) também fecharam o dia no campo positivo.

Inflação oficial encerra 2025 dentro da meta a despeito de pressões

O cenário macroeconômico doméstico também foi impactado pela divulgação do IPCA de dezembro, que veio abaixo das expectativas do mercado. 

Com esse resultado, a inflação oficial brasileira encerrou o ano de 2025 dentro do intervalo da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, um feito que contrariava as projeções pessimistas do início do ano.

Apesar do alívio no índice geral, a inflação de serviços permanece como um ponto de atenção para os economistas. Essa resiliência nos serviços impede uma mudança drástica na postura do Banco Central.

A projeção para as próximas reuniões do Copom sugere a manutenção da estratégia de cortes graduais de 0,5 ponto percentual. A expectativa é que a taxa Selic atinja o patamar de 12,5% até setembro de 2026. O Banco Central deve manter o rigor monetário para garantir que as expectativas de longo prazo permaneçam ancoradas.

O mercado de juros futuros refletiu essa percepção, com as taxas dos DIs oscilando de forma mista ao longo da sessão.

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No câmbio, o Dólar comercial registrou uma queda de 0,30%, encerrando o dia cotado a R$ 5,37, favorecido pelo fluxo positivo de notícias comerciais e pelo ambiente externo mais calmo.

Relatório de emprego nos Estados Unidos e incerteza tarifária no radar

No plano internacional, o foco dos investidores esteve voltado para o relatório Payroll de dezembro nos Estados Unidos. O resultado veio abaixo do esperado, embora os dados ainda possam refletir distorções causadas pelo recente desligamento do governo americano. A taxa de desemprego menor e salários em alta sugerem estabilidade.

Economistas avaliam que o Federal Reserve possui argumentos suficientes para manter as taxas de juros inalteradas na reunião de janeiro. 

Outro ponto de tensão foi o adiamento da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre as tarifas comerciais propostas pelo governo de Donald Trump. A expectativa de um veredito ainda nesta sexta-feira foi frustrada, postergando a definição sobre a legalidade das medidas protecionistas para a próxima semana.

Mesmo com essas incertezas, os principais índices de Nova York fecharam em alta, com o S&P 500 renovando recordes históricos. O suporte veio principalmente de ações ligadas aos setores de tecnologia e defesa, que seguem impulsionadas por expectativas de investimentos públicos e resiliência dos balanços corporativos.

Desempenho setorial e agenda econômica para a próxima semana

No pregão da B3, o setor bancário apresentou um desempenho tímido, atuando como fiador marginal da alta do índice. O Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) subiram levemente, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou uma pequena queda. A ação mais negociada do dia foi a própria B3 (B3SA3), com ganho de 0,56%.

O mercado também monitorou o desfecho do caso envolvendo o Banco Master, com o reconhecimento da liquidação pela justiça norte-americana. A concordância do TCU com as decisões do Banco Central sinaliza o fim de um período de ruídos jurídicos que pesavam sobre a percepção de risco do sistema financeiro nacional.

A Petrobras (PETR4) acompanhou a valorização do petróleo internacional, subindo 0,33% no dia. Em contrapartida, a Vale (VALE3) impediu um avanço maior do Ibovespa ao recuar 1,14%, refletindo a volatilidade do minério de ferro na China, embora a mineradora tenha acumulado ganhos de mais de 3% no balanço da semana.

A agenda da próxima semana promete manter a volatilidade elevada nos mercados. Estão previstas a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços e de Comércio no Brasil, além do IBC-Br, a prévia do PIB. Nos Estados Unidos, o grande destaque será o CPI de dezembro, que balizará as expectativas inflacionárias globais.

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