TradingKey - A Cerebras Systems, concorrente da Nvidia ( CBRS), viu suas ações subirem por três dias consecutivos, retornando à máxima de um mês. Até o momento desta publicação, o papel avançava 3,89%, cotado a US$ 216,69.
A Cerebras anunciou hoje uma parceria com a gigante de segurança cibernética CrowdStrike ( CRWD) para estabelecer uma parceria estratégica. A Cerebras representa a solução de computação de inferência de IA mais rápida do mundo, enquanto a CrowdStrike representa a plataforma de segurança nativa de IA líder do setor. As duas empresas estão unindo forças para integrar a velocidade extrema de inferência com recursos de segurança nativos de IA para clientes corporativos que implementam IA em escala.

[Fonte: TradingView]
Sob a parceria, a CrowdStrike aproveitará a velocidade de inferência da Cerebras para potencializar sua solução Falcon AI Detection and Response (AIDR); ao mesmo tempo, a Cerebras padronizará a implementação da plataforma CrowdStrike Falcon para proteger suas próprias operações. A lógica de ambas as empresas é clara: a IA está remodelando fundamentalmente o cenário de segurança cibernética, com ataques cada vez mais rápidos, direcionados e difíceis de detectar, enquanto os defensores precisam de sistemas de segurança capazes de pensar e agir na velocidade das máquinas.
Naor Penso, Diretor de Segurança da Informação da Cerebras, afirmou no comunicado: "A inferência é a chave para concretizar o valor da IA, e a segurança cibernética é um dos cenários que exige a maior velocidade de computação. Quando ocorre um ataque, as defesas de segurança não podem ficar reféns de filas lentas de computação de IA. Cada milissegundo conta — isso determina diretamente se a IA impede um ataque de forma proativa ou se resta apenas realizar uma análise post-mortem do evento."
O principal argumento de venda da Cerebras é: a inferência de IA mais rápida do mundo.
De acordo com dados da empresa, a velocidade de seu sistema CS-3 em cenários específicos de inferência de modelos pode ser até 15 vezes superior à das GPUs da Nvidia ( NVDA); com base em cálculos da empresa de pesquisa terceirizada SemiAnalysis, no cenário de inferência do Llama 3 70B, o custo total do CS-3 é 32% menor do que o do B200 da Nvidia, com a latência de ponta a ponta reduzida em até 21 vezes. Atualmente, a Cerebras é a única fabricante a produzir chips em escala de wafer em massa e lidera os benchmarks de velocidade de inferência, embora a Nvidia ainda domine o mercado geral de poder computacional de IA.
Essa vantagem de velocidade é particularmente crítica na era dos agentes de IA. Projeta-se que as cargas de trabalho de inferência de IA cresçam a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 79% até 2030, superando de longe a taxa de crescimento de 25% do treinamento. Os cenários de inferência exigem que a latência fique abaixo de 50 milissegundos; um estudo da Akamai mostra que 64% das organizações pesquisadas exigem tempos de resposta inferiores a 250 milissegundos, e 50% consideram a latência o maior desafio de escalabilidade. Ao entrar na era dos agentes, os modelos de IA precisam processar e concluir várias etapas, com a latência de cada etapa se acumulando sequencialmente — liberando, assim, ainda mais o potencial de crescimento para soluções de inferência rápida.
Ao mesmo tempo, a empresa assinou acordos de mais de US$ 20 bilhões com a OpenAI, e múltiplos modelos GPT estão rodando atualmente no sistema CS-3. A partir do primeiro trimestre de 2026, os custos de data center relacionados ao contrato com a OpenAI serão repassados à OpenAI com um markup de 3%.
Além disso, a Cerebras fez uma parceria com a Amazon para combinar os chips Trainium desta última com o CS-3, visando oferecer soluções de inferência mais rápidas. Qualquer cliente que utilize a Amazon Web Services (AWS) pode rodar modelos de IA aproveitando o poder computacional da Cerebras — a Amazon traz a capacidade computacional e uma base de clientes existente, enquanto a Cerebras fornece um dos chips de inferência mais potentes do mercado.
No entanto, vale destacar que, em seu primeiro relatório de resultados pós-IPO, a Cerebras apresentou um desempenho financeiro caracterizado pelo rápido crescimento da receita, mas com prejuízos persistentes.
Durante o período, a receita total da empresa foi de aproximadamente US$ 194 milhões, representando um aumento de 94% em termos anuais. Desse total, a receita de serviços em nuvem saltou 178% na comparação anual, servindo como o principal motor de crescimento, enquanto a receita de hardware (CS-3) cresceu 59% ano a ano. A empresa projeta que a receita de hardware continue a cair nos próximos trimestres, pois a maior parte de sua capacidade de hardware será alocada na Cerebras Cloud para atender aos seus principais contratos.
Contudo, a empresa continua sem gerar lucros, registrando um prejuízo líquido de US$ 2,48 milhões e um prejuízo operacional não GAAP de US$ 3,5 milhões. Mais importante ainda, a empresa espera que suas margens de lucro de serviços em nuvem diminuam de 10 a 15 pontos percentuais nos próximos trimestres, à medida que investe pesadamente na expansão da capacidade computacional.
No geral, com sua arquitetura exclusiva de chips em escala de wafer, a Cerebras traçou um caminho tecnológico distinto daquele da Nvidia no segmento de inferência de IA, validando seu valor comercial por meio de parcerias com OpenAI, Amazon e CrowdStrike. Contudo, por trás do forte crescimento, esconde-se a realidade de prejuízos persistentes, endividamento elevado e margens de lucro sob pressão. Diante do cenário de crescimento certo e explosivo na demanda por inferência de IA, a capacidade da Cerebras de atingir a lucratividade ao ganhar escala será a variável central para determinar seu valor de investimento.