As vítimas de fraudes com criptomoedas quase nunca recuperam seu dinheiro. No entanto, existem casos raros em que as vítimas são totalmente ressarcidas, e este caso de Jacksonville é um deles, já que um homem da Flórida recebeu de volta US$ 710.000, o maior reembolso por fraude com criptomoedas na história do estado. As autoridades responsáveis afirmam que fundos digitais roubados podem, ocasionalmente, ser trace recuperados.
O reembolso foi anunciado pelo Procurador-Geral da Flórida, James Uthmeier, na quinta-feira, 16 de julho. Ele afirmou ser o maior reembolso individual já realizado pela Unidade de Combate à Fraude Cibernética de seu gabinete.
Segundo as autoridades, a vítima entrou, sem saber, em um esquema de trabalho remoto baseado em avaliações falsas de produtos.
Foi-lhe pedido que depositasse criptomoedas no valor correspondente aos artigos que supostamente iria analisar, com a promessa de comissões e um reembolso total acrescido de lucro assim que os produtos fossem vendidos.
Os criminosos por trás do golpe continuaram aumentando o valor a ser depositado à medida que os produtos ficavam mais caros. Quando já tinham drenado tudo o que podiam da vítima, cortaram o contato e disseram que o saldo estava "preso na blockchain" a menos que ela pagasse mais uma taxa.
Os investigadores do Gabinete do Xerife de Jacksonville conseguiram tracos depósitos roubados até uma carteira de consolidação maior, que era usada para guardar fundos provenientes de várias fraudes diferentes.
Em seguida, os promotores entraram com um pedido de confisco civil. Os golpistas se recusaram a contestar o caso; portanto, o tribunal proferiu uma sentença à revelia, que determinou a devolução do valor recuperado à vítima.
“Em vez de bater recordes, preferimos prevenir fraudes, mas temos orgulho de fazer justiça e ressarcir a vítima”, afirmou Uthmeier. Ele elogiou o Gabinete do Xerife de Jacksonville e o Procurador-Chefe Adjunto do Estado, John Paul, e disse que os fundos foram recuperados de criminosos que ele descreveu como transnacionais.
O xerife de Jacksonville, TK Waters, declarou: "Recuperar mais de US$ 700.000 e devolvê-los à vítima é um resultado excepcional", disse Waters no comunicado, agradecendo à equipe de Uthmeier pelo trabalho em responsabilizar os fraudadores.
O motivo pelo qual um único reembolso de US$ 710.000 vira notícia é que a maior parte do dinheiro desviado em fraudes com criptomoedas nunca é recuperada. Muitas investigações sobre criptomoedas terminam com uma condenação, enquanto as vítimas ficam de mãos vazias ou com muito menos do que o valor que lhes foi roubado.
Um exemplo é o caso OneCoin, em que o Departamento de Justiça só recentemente abriu um processo de compensação usando mais de 40 milhões de dólares em ativos confiscados, anos depois de o esquema ter lesado cerca de 3,5 milhões de pessoas em mais de 4 bilhões de dólares.
No Arizona, o gabinete do procurador-geral do estado afirmou que os residentesdentperderam de 177 milhões de dólares em golpes com caixas eletrônicos de criptomoedas somente em 2024. Isso levou o estado a aprovar uma lei que concede Bitcoinum prazo restrito de 30 dias para solicitar um reembolso. Apesar disso, as vítimas afirmam que estão recebendo apenas parte do dinheiro de volta após um processo lento.
Diante dos casos acima, o caso de Jacksonville surge como um raio de esperança. Uthmeier aproveitou o caso para reiterar os alertas sobre fraudes relacionadas ao trabalho remoto, que, segundo ele, tendem a visar os mais vulneráveis.
O gabinete do procurador-geral listou cobranças antecipadas para verificação de antecedentes ou equipamentos, pedidos para comprar cartões-presente ou criptomoedas como parte de um emprego, ofertas de emprego não solicitadas por mensagem de texto e entrevistas realizadas exclusivamente por mensagem de texto como sinais de alerta que as pessoas devem observar.
O escritório aconselhou qualquer pessoa que esteja considerando um trabalho online a entrar em contato diretamente com a empresa para confirmar sua legitimidade antes de enviar qualquer quantia em dinheiro.
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