No fim de semana, a Anthropic veiculou um comercial que começa com uma casa em chamas. Mais tarde, a cena reaparece em um cemitério com inúmeras lápides. Executivos e funcionários de empresas de tecnologia concorrentes zombaram das imagens apocalípticas.
Eles alegam que a estratégia saiu pela culatra. A Anthropic, considerada a startup de IA mais cara do mundo, deseja vender confiança em seu chatbot Claude. Seu próprio anúncio sugere que a IA pode matar pessoas.
O comercial, intitulado "Há esperança em perguntas difíceis", foi exibido durante as quartas de final da Copa do Mundo entre Argentina e Suíça. Ele intercala imagens sombrias. Uma casa pegou fogo.
Uma multidão é escaneada por um software de reconhecimento facial. Uma pessoa dorme na rua. Operários trabalham em uma mina. Narrações questionam: "Podemos confiar na IA?" e "Quem vai frear se precisarmos?". A imagem que causou mais controvérsia vem do Cemitério Nacional de Arlington.
A Anthropic apresentou o anúncio como uma mensagem tranquilizadora. "As pessoas têm muitas dúvidas difíceis sobre IA", disse a empresa em um comunicado. "É nosso trabalho respondê-las." O slogan expressa esperança ao fazer essas perguntas. A reação online, porém, não correspondeu ao roteiro.
Sam Altman, CEO da OpenAI, é o principal concorrente da Anthropic. Ele postou no X na segunda-feira: "Achei que fosse sátira, fiquei procurando a grafia do nome de usuário, talvez c1audeai ou algo parecido."
"Quando levantamos a questão de como deter uma superinteligência perigosamente poderosa, mostramos 300 lápides americanas por meio segundo", dizia uma publicação que viralizou sobre a cena do cemitério. "A Anthropic é uma empresa incrível", disse outro crítico do anúncio da Anthropic. "Com a pior comunicação empresarial de todos os tempos", acrescentou. Os comentários afirmavam que a imagem do cemitério era assustadora e inadequada para um anúncio que visava aumentar a confiança.
Há esperança em perguntas difíceis. pic.twitter.com/rDYjqIlH9l
— Claude (@claudeai) 9 de julho de 2026
A Anthropic foi fundada por ex-funcionários da OpenAI. Eles afirmaram que queriam tornar a IA mais segura. O CEO Dario Amodei enfatizou repetidamente os riscos da tecnologia. Ele alertou que a IA poderia eliminar metade dos empregos de nível básico em escritórios. Ele também sugeriu que os modelos existentes já poderiam ser conscientes.
Recentemente, a Anthropic pediu uma pausa mundial no desenvolvimento da IA devido a receios de que a tecnologia possa sair do controle humano. A empresa tinha um economista que considerava aceitável uma probabilidade de 1/3 de extinção da humanidade devido à IA.
A Anthropic quer ser a voz mais ativa nos alertas sobre a IA para se tornar a única empresa em que as construtoras podem confiar. O próprio tracda empresa, porém, contradiz essa afirmação. Em fevereiro, a Anthropic abandonou uma promessa de segurança.
Essa promessa havia comprometido a empresa a interromper o treinamento quando as medidas de segurança não pudessem ser garantidas. O conflito da Anthropic com o Pentágono sobre vigilância e armas autônomas ocorreu mesmo enquanto a empresa utilizava o Claude para ajudar na seleção de alvos de ataque no Irã.
O Banco de Dados Nacional de Vulnerabilidades da China sinalizou as versões 2.1.91 a 2.1.196 do Claude Code como um risco de segurança, de acordo com o Cryptopolitan. A publicação alegou que a ferramenta envia secretamente a localização e informações de identidade do usuáriodentservidores remotos sem permissão. O Alibaba proibiu seus funcionários de usar o software. A Anthropic não se manifestou publicamente sobre a alegação específica.
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