O chefe do Serviço de Supervisão Financeira (FSS) da Coreia do Sul, Lee Chan-jin, reiterou seu alerta aos investidores individuais que recorrem a empréstimos excessivos para apostar na valorização de ações, afirmando que isso pode levar à ruína. O risco de desastre financeiro aumenta quando as economias são canalizadas para poucos investimentos selecionados ou quando o dinheiro é emprestado.
Lee abordou o assunto na recente reunião do conselho de risco ao consumidor da FSS, na sede da agência em Yeouido, Seul. Ele aconselhou bancos e corretoras a gerenciar melhor os riscos e a responder a eles o mais rápido possível. Segundo relatos, Lee instou as instituições financeiras a destacar os riscos da alavancagem para os investidores e a tomar medidas contra aquelas que incentivam os clientes a especular com dinheiro emprestado.
Este alerta surge num momento em que o mercado de ações local está a vivenciar um boom, graças aos diversos fatores que estão a transformar o sistema financeiro coreano. O índice de referência KOSPI tem apresentado um desempenho extremamente positivo, impulsionado por uma onda global de investimentos em centros de dados de inteligência artificial. Contudo, os ganhos vieram acompanhados de uma volatilidade mais acentuada. Neste contexto, entre 27 de maio e 22 de junho, os investidores de retalho investiram mais de 8,9 biliões de won (5,8 mil milhões de dólares) em fundos negociados em bolsa (ETFs) alavancados, associados a ações de empresas de grande capitalização.
O fenômeno que motivou o alerta indica um aumento significativo nos fundos emprestados por investidores que realizam esse tipo de operação, popularmente conhecida como "빚투", que significa investir com dívida. Segundo o Chosun, os saldos de crédito em corretoras dispararam para 37,3 trilhões de won em junho, ante 32,9 trilhões de won no final de março. No mesmo período, o número de liquidações forçadas resultantes de chamadas de margem mais que dobrou, subindo para 52,7 bilhões de won em junho, contra 26,2 bilhões de won em março. É exatamente isso que preocupa o Serviço de Supervisão Financeira (FSS) : quando as perdas em uma posição alavancada se tornam muito grandes, a corretoramaticautomaticamente a posição, transformando perdas no papel em perdas reais.
Um ETF alavancado utiliza derivativos e empréstimos para ampliar as variações diárias no valor do ativo subjacente. Portanto, um ETF 2x visa entregar o dobro do retorno durante o período determinado. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) afirma que esses fundos são reajustados diariamente e podem apresentar desvios significativos em relação ao fator multiplicador ao longo de semanas ou meses, especialmente em mercados voláteis. Em um exemplo citado pela SEC, o desempenho de um índice apresentou um ganho de 2% em quatro meses, enquanto um fundo 2x perdeu até 6% no mesmo período.
Grande parte da preocupação recai sobre 16 ETFs alavancados e inversos de ações individuais traca Samsungtrone a SK Hynix, lançados em 27 de maio. Quatorze deles visam entregar o dobro da movimentação diária das ações das fabricantes de chips, informou o Korea Times. Os produtos foram promovidos como uma forma de manter o dinheiro dos investidores de varejo coreanos no país, em vez de fluir para ações americanas, e foram aprovados pela Comissão de Serviços Financeiros (FSC) e pela Bolsa de Valores da Coreia.
Lee deixou clara sua opinião sobre o assunto publicamente. Ele afirmou que o lucro foi "mínimo", enquanto os "efeitos colaterais se tornaram muito significativos" e que "o rabo está abanando o cachorro". Segundo ele, já havia dúvidas suficientes sobre a adequação desses produtos para o mercado de varejo. Também se falou sobre possíveis restrições à negociação com margem e à negociação com garantia de crédito. Em 22 de junho, o montante investido no ETF alavancado da Samsung e da SK Hynix havia atingido 14 trilhões de won, com investidores de varejo detendo quase 92% desse valor. Vários desses fundos já haviam caído até 24% em relação às suas máximas recentes.
A declaração do governador gerou controvérsia. Ele afirmou ter estimado que a receita gerada pela comercialização desses produtos ficaria em torno de 10 trilhões de won. Essa afirmação, no entanto, foi contestada por Hwang Seong-yeop, presidente da Associação de Investimentos da Coreia, que estimou a receita em 50 bilhões de won desde o lançamento do produto. Um funcionário do Serviço de Supervisão Financeira (FSS) declarou posteriormente que o valor de 10 trilhões de won era uma projeção anualizada com base no volume de negócios atual.
A FSS também já havia emitido esse alerta no início deste ano. Em março, a organização advertiu que o volume de negócios com investimentos alavancados e reversos havia subido para 5,6 trilhões de won este ano, contra 1,6 trilhão de won no ano passado.
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