Segundo um novo relatório da Allianz, a Europa corre o risco de cair numa "armadilha da dependência" no comércio global de IA. O continente mantém atualmente uma forte dependência dos Estados Unidos e da Ásia em termos de infraestrutura e produção de IA.
A corrida internacional pela supremacia da IA está se intensificando, e a Europa está ficando para trás, de acordo com um novo relatório do grupo segurador Allianz. Indústrias tecnológicas como computação em nuvem, semicondutores e data centers estão preparadas para reorganizar toda a economia mundial. A análise da Allianz argumenta que os Estados Unidos e a Ásia lideram a participação de mercado nesses setores, o que lhes confere grande vantagem econômica sobre a Europa no futuro.
O continente encontra-se numa posição precária, cada vez mais dependente de fornecedores estrangeiros de serviços em nuvem, fabricação de chips e poder computacional. A Allianz alerta que isso poderá reduzir a soberania econômica da Europa na futura economia impulsionada pela IA. A Europa corre o sério risco de se tornar consumidora de tecnologias de IA, em vez de produtora dominante.
Atualmente, empresas americanas controlam cerca de 80% do mercado europeu de computação em nuvem, 60% da receita de software empresarial e quase 40% da capacidade computacional operacional. Quase metade dos de data centers também são controlados por empresas de tecnologia americanas.
Os Estados Unidos triplicaram as importações relacionadas a investimentos em infraestrutura de IA desde 2023, enquanto as importações europeias do mesmo setor aumentaram cerca de 40%. Essa disparidade evidencia a rapidez com que os EUA estão expandindo sua infraestrutura de IA em comparação com a Europa.
Embora as empresas americanas liderem a infraestrutura de IA, a Ásia domina grande parte das exportações de hardware, manufatura e produtos relacionados à IA. Atualmente, a Ásia controla cerca de 65% das exportações globais de IA e abriga 7 dos 10 maiores exportadores de IA do mundo. Esse desequilíbrio expõe outra fragilidade da Europa, onde a expansão mais lenta da infraestrutura é agravada pela forte dependência da manufatura e das cadeias de suprimentos asiáticas.
A economia global está rapidamente entrando em uma nova era, na qual a IA é um componente estratégico fundamental para as potências mundiais. Os países que controlam a infraestrutura e a capacidade de produção subjacentes podem obter vantagens econômicas de longo prazo. A preocupação mais ampla para a Europa é que, se não conseguir desenvolver a capacidade interna para competir nesse ambiente, talvez nunca consiga alcançar os demais.
A Europa enfrenta cada vez mais o risco de ficar pressionada entre a liderança dos EUA em infraestrutura e o domínio da indústria manufatureira asiática. Essa dependência de infraestrutura e produção de IA estrangeiras pode expor a Europa a vulnerabilidades econômicas e estratégicas de longo prazo. Entre elas, estão interrupções na cadeia de suprimentos, tensões geopolíticas e pressão econômica externa. O relatório da Allianz argumenta, em última análise, que a Europa pode precisar acelerar drasticamente o investimento doméstico em IA para evitar cair em uma dependência tecnológica de longo prazo de potências estrangeiras.
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