A Arábia Saudita informou à OPEP, a organização mundial do petróleo, que sua produção de petróleo bruto em abril caiu para apenas 6,316 milhões de barris por dia, o menor número mensal desde a Guerra do Golfo de 1990, enquanto a guerra envolvendo o Irã continua e bloqueia o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico.
De acordo com o relatório mensal da OPEP, a produção de petróleo bruto do reino soberano caiu cerca de 651 mil barris por dia em relação ao mês anterior.
Desde fevereiro, a produção saudita caiu impressionantes 42%, uma interrupção de proporções nunca vista desde a invasão do Kuwait pelo Iraque, há 36 anos.
As estimativas de fontes no relatório da OPEP mostraram que a produção total de petróleo dos membros da organização caiu 1,727 milhão de barris por dia em abril, para uma média de 18,98 milhões de barris por dia. Isso comprova que os danos vão além da Arábia Saudita. No entanto, a Arábia Saudita contribuiu com quase metade dessa queda.
O segundo país da OPEP mais afetado é o Kuwait. Sua produção foi reduzida aproximadamente pela metade, para cerca de 600 mil barris por dia, segundo dados da OPEP. Outros dois países que também sofreram grandes interrupções em suas exportações de petróleo bruto no Golfo são o Iraque e os Emirados Árabes Unidos.
Riade reportou sua “oferta para o mercado”, excluindo o petróleo armazenado, em 6,879 milhões de barris por dia. Consultores externos tracpela OPEP estimaram a produção do reino em um valor ligeiramente superior ao divulgado pelo próprio país, em 6,768 milhões de barris por dia, segundo o Financial Post.
Para agravar a instabilidade, os Emirados Árabes Unidos anunciaram no mês passado que pretendem deixar a OPEP em maio, após cerca de 60 anos de participação.
A saída ocorre após anos de atritos com a Arábia Saudita sobre cotas de produção, bem como disputas políticas regionais. De acordo com as leis da OPEP, os Emirados Árabes Unidos permanecerão formalmente como membro até 1º de janeiro de 2027.
Os Emirados Árabes Unidos encontraram rotas alternativas para as exportações de petróleo bruto, uma vez que a guerra restringiu as exportações através do Golfo Pérsico.
A Arábia Saudita também empregou algumas dessas opções de redirecionamento de remessas de petróleo bruto, utilizando um oleoduto até o Mar Vermelho. No entanto, outros produtores de petróleo no Golfo, particularmente o Kuwait, não possuem essa flexibilidade e, portanto, incorreram em perdas maiores.
O choque no fornecimento de petróleo bruto causado pela guerra com o Irã ocorre em conjunto com o aumento dos custos dos combustíveis e as crescentes preocupações com uma recessão econômica global.
A OPEP havia reduzido anteriormente sua previsão de crescimento da demanda global de petróleo para 2026 para 1,2 milhão de barris por dia, abaixo da estimativa anterior de 1,4 milhão de barris por dia.
A Agência Internacional de Energia apresentou uma visão muito mais pessimista, projetando que a demanda mundial irátracem 420.000 barris por dia este ano, o que seria um declínio tão acentuado como não se via desde o colapso econômico causado pela Covid em 2020.
O conflito com o Irã continua a se intensificar sem uma solução à vista em curto prazo, visto que as negociações entre os EUA e o Irã estão em um impasse há algum tempo.
Essa instabilidade pode reduzir ainda mais a produção de petróleo da Arábia Saudita, em meio à saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e seu efeito direto na coordenação da política de produção de petróleo bruto.
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