Se as coisas parecem incertas agora, há um motivo

Fonte Cryptopolitan

Ao longo do último ano, tenho tido a mesma conversa repetidas vezes — com fundadores, investidores, operadores, pessoas de setores completamente diferentes.

Os detalhes mudam. A conclusão, não.

Tem algo estranho aí.

Não de uma formamatic, que vise manchetes. Mais como uma constatação silenciosa de que as regras nas quais as pessoas confiaram na última década parecem não produzir mais os mesmos resultados.

Há guerras acontecendo, e outras que parecem estar perigosamente próximas. As relações comerciais estão mudando. Os países estão se protegendo novamente. A inflação mudou a forma como as pessoas pensam sobre dinheiro. Algumas moedas estão silenciosamente perdendo relevância. A tensão social está aumentando em lugares que antes pareciam estáveis.

Ao mesmo tempo, a IA está avançando mais rápido do que a maioria das empresas consegue acompanhar. Produtos que antes levavam anos para serem desenvolvidos agora podem ser replicados em semanas. Categorias inteiras de software de repente parecem temporárias.

Nada disso, por si só, é incomum. Os mercados sempre tiveram ciclos. A tecnologia sempre impactou as indústrias. A política sempre introduziu incertezas.

O que parece diferente agora é a sobreposição.

Vários sistemas estão mudando ao mesmo tempo — econômicos, tecnológicos, geopolíticos — e quando isso acontece, as pessoas não entram em pânico imediatamente.

Eles hesitam.

Eles percebem que algo mudou, mas ainda não conseguem explicar o quê.


O problema não é a economia

O problema é que as suposições deixaram de corresponder à realidade.

Muitas pessoas inteligentes que conheço ainda tomam decisões usando modelos que funcionavam em um mundo mais estável. Elas analisam os retornos históricos e presumem que essas relações ainda se mantêm. Avaliam a IA com base no que ela faz hoje, em vez de considerar para onde ela está claramente caminhando. Criam negócios em torno de lacunas que podem desaparecer antes que a empresa amadureça.

Nada disso é irracional. É apenas uma adaptação lenta.

O ambiente mudou mais rápido do que os modelos mentais que as pessoas usam para interpretá-lo.

Isso cria um resultado estranho, onde decisões inteligentes, tomadas logicamente, ainda levam a resultados decepcionantes.


O capital não sabe para onde ir

Uma coisa que tenho notado constantemente em conversas com investidores é a hesitação.

Não medo. Hesitação.

As ações estão próximas das máximas, mas a convicção é baixa. As criptomoedas conquistaram aceitação institucional, mas parecem menos transformadoras do que antes. O ouro e a prata oscilam com tanta força que são negociados em vez de servirem como ativos de confiança. O mercado imobiliário prospera em algumas regiões, mas estagna em outras quando se considera o risco cambial e os custos de financiamento.

O setor manufatureiro parecetracaté que a geopolítica entre em cena. Uma mudança de política ou um conflito pode desfazer anos de planejamento da noite para o dia.

Assim, o capital gira. Ele busca. Ele espera.

Quando nada parece obviamente certo, as pessoas recorrem ao passado. Elas procuram os vencedores do ciclo anterior e tentam aplicar a mesma lógica novamente.

Mas isso não parece ser mais um ciclo. Parece mais uma transição entre sistemas.

E as transições são desconfortáveis porque a clareza desaparece antes que novos padrões se tornem visíveis.


Onde pessoas inteligentes estão interpretando mal o momento

O erro que vejo com mais frequência não é a falta de inteligência, mas sim a falta de perspectiva temporal.

As pessoas estão focando em soluções para o momento presente em vez de para a trajetória futura.

A inteligência artificial é o exemplo mais claro. Muitas pessoas a avaliam com base no que ela pode ou não fazer hoje. Mas qualquer pessoa que a utilize seriamente pode perceber a rapidez com que o cenário atual está evoluindo.

Fundadores estão criando negócios de IA que podem não existir daqui a um ano, porque essa capacidade se torna parte da própria infraestrutura. Investidores ainda tentam prever o momento certo para investir em ativos individuais com base na volatilidade, em vez de questionar qual o papel desses ativos quando a própria incerteza se torna persistente.

O foco continua sendo os produtos e os preços.

A verdadeira mudança está acontecendo por baixo da superfície — naquilo que ainda é escasso.


Quando construir se torna mais fácil, outras coisas passam a importar mais

A inteligência artificial está reduzindo o custo de construção de praticamente tudo que é digital.

Isso soa puramente positivo, e em muitos aspectos é. Mas muda a forma como o valor reside.

Se todos puderem desenvolver software, gerar conteúdo ou lançar produtos, a capacidade de desenvolvimento deixa de ser uma vantagem. Acesso, distribuição e confiança passam a importar mais.

E a realidade física volta a importar.

Alimentos. Água. Energia. Logística. Habitação. Demanda local.

Esses não são temas glamorosos nos círculos tecnológicos, mas são difíceis de substituir e demoram a ser disruptivos. Eles existem no mundo real, onde infraestrutura, regulamentação e execução criam atritos.

Ao mesmo tempo, a IA está transformando mais pessoas em empreendedores. A oferta aumenta. A questão mais difícil é saber se a demanda acompanhará esse crescimento — especialmente em um ambiente onde a pressão econômica altera os hábitos de consumo das pessoas.

Ser capaz de criar algo já não é raro. O difícil é conseguir que as pessoas comprem esse algo de forma consistente.


Por que alguns negócios parecem mais difíceis de justificar agora?

Essa mudança também altera a forma como as empresas em operação são avaliadas.

Considere algo como um hotel ou resort. Tradicionalmente, espera-se anos de esforço operacional em troca de retornos estáveis a longo prazo. Mas se o resultado financeiro for semelhante ao que o capital passivo pode gerar, a equação muda.

Por que assumir riscos operacionais por uma década, a menos que o negócio gere algo além do retorno direto?

A justificativa torna-se cada vez mais estratégica — efeitos ecossistêmicos, posicionamento a longo prazo ou oportunidades interligadas que criam opções ao longo do tempo.

Negócios construídos puramente para retornos lineares parecem menos atraentes em um mundo onde o próprio capital pode gerar resultados semelhantes com menor complexidade operacional.

O foco muda da posse de ativos isolados para a construção de sistemas em torno deles.


O que parece estar mudando sob a superfície?

Estamos entrando em um período em que inteligência e capital estão se tornando mais acessíveis, enquanto a estabilidade se torna mais difícil de encontrar.

A IA aumenta a produtividade. A fragmentação global aumenta a incerteza.

Essas forças, em conjunto, alteram o que sobrevive.

As posições mais valiosas podem não pertencer a quem constrói a tecnologia mais avançada, mas sim a quem está mais próximo da demanda inevitável — os locais onde o consumo continua independentemente das narrativas do mercado.

Mercados locais. Infraestrutura física. Redes de distribuição. Serviços essenciais.

A tecnologia não desaparece neste mundo. Ela simplesmente torna tudo mais barato e mais rápido, o que altera a importância das margens de lucro e da resiliência.


O que isso significa na prática?

A pergunta que me faço com mais frequência agora não é "o que cresce mais rápido?"

É a questão: "O que ainda funciona se as condições piorarem?"

Isso muda a forma como o capital é alocado. Muda a forma como as empresas são criadas. Muda o grau de confiança que se deposita numa narrativa única que se perpetuadefi.

A diversificação começa a parecer menos cautela e mais realismo. A flexibilidade geográfica importa. Negócios construídos puramente em vantagens digitais parecem frágeis em comparação com aqueles atrelados à demanda real.

E, talvez o mais importante, exige aceitar que a mudança está se acelerando em vez de desacelerando.


A parte desconfortável

Este período é desconfortável porque estamos entre histórias.

As antigas explicações — globalização previsível, crescimento estável, ciclos claros — já não explicam o que está acontecendo com precisão suficiente. A nova narrativa ainda não se consolidou.

De repente, tudo parece incerto.

Isso não significa necessariamente que as coisas estejam piorando. Muitas vezes, significa que o risco está sendo reavaliado em vários sistemas simultaneamente.

O futuro não está desaparecendo. Mas as premissas que antes simplificavam as decisões estão se dissipando.

E as pessoas que costumam se sair bem em períodos como este raramente fazem mudanças drásticas. Elas se adaptam rapidamente. Reposicionam-se discretamente, antes que se forme um consenso.

Algo está mudando.

Não foi um colapso. Nem uma explosão.

Uma transição.

E as transições tendem a recompensar as pessoas que reconhecem precocemente que o próprio ambiente mudou — e começam a se preparar para o que continua sendo necessário, independentemente do que aconteça a seguir.

Isenção de responsabilidade: Apenas para fins informativos. O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros.
placeholder
Dólar e Ibovespa hoje: o que esperar dos negócios na B3 nesta terçaInvesting.com – Os mercados repercutem dados de inflação ao consumidor e ao produtor no Brasil, após ajustes nas expectativas inflacionárias no início da semana.Ontem, destaque para fala do presidente
Autor  Investing.com
29 mai. 2024
Investing.com – Os mercados repercutem dados de inflação ao consumidor e ao produtor no Brasil, após ajustes nas expectativas inflacionárias no início da semana.Ontem, destaque para fala do presidente
placeholder
Ouro pode chegar a US$ 3.000 com cortes de juros nos EUA - BofAInvesting.com — Estrategistas do Bank of America (NYSE:BAC) reafirmaram na terça-feira, 3, sua previsão de que os preços do ouro podem alcançar US$ 3.000 no próximo ano.Desde o final de 2023, a equipe
Autor  Investing.com
04 set. 2024
Investing.com — Estrategistas do Bank of America (NYSE:BAC) reafirmaram na terça-feira, 3, sua previsão de que os preços do ouro podem alcançar US$ 3.000 no próximo ano.Desde o final de 2023, a equipe
placeholder
Os que duvidam de Trump ficaram parecendo bobos enquanto ele reconquistava a Casa Branca – e agora?Trump fez o que todos pensavam ser impossível – de novo. Ele está de volta à Casa Branca, e seus céticos ficam atordoados, coçando a cabeça, talvez até um pouco envergonhados. Também não foi uma vitória por pouco; Trump navegou por estados indecisos onde todos roiam as unhas (Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia). Com o Colégio Eleitoral balançando fortemente [...]
Autor  Cryptopolitan
06 nov. 2024
Trump fez o que todos pensavam ser impossível – de novo. Ele está de volta à Casa Branca, e seus céticos ficam atordoados, coçando a cabeça, talvez até um pouco envergonhados. Também não foi uma vitória por pouco; Trump navegou por estados indecisos onde todos roiam as unhas (Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia). Com o Colégio Eleitoral balançando fortemente [...]
placeholder
PETR4 A BOLA DA VEZ!? VEJA ESTE VÍDEO! VALE A A PENA COMPRAR AÇÕES DA PETROBRAS? ANÁLISE TÉCNICANo vídeo "PETR4 A BOLA DA VEZ!? VEJA ESTE VÍDEO! VALE A A PENA COMPRAR AÇÕES DA PETROBRAS? ANÁLISE TÉCNICA" compartilho as últimas notícias sobre a Petrobras e também uma análise gráfica e de alguns indicadores da análise técnica para que você tome a sua melhor decisão de comprar ou não a ação PETR4 no curto prazo.
Autor  Roberto Fernandes
06 dez. 2024
No vídeo "PETR4 A BOLA DA VEZ!? VEJA ESTE VÍDEO! VALE A A PENA COMPRAR AÇÕES DA PETROBRAS? ANÁLISE TÉCNICA" compartilho as últimas notícias sobre a Petrobras e também uma análise gráfica e de alguns indicadores da análise técnica para que você tome a sua melhor decisão de comprar ou não a ação PETR4 no curto prazo.
placeholder
Dólar pode cair para próximo de R$5,8 nas próximas semanas, acredita UBS BBInvesting.com – O UBS BB anunciou que mantém estratégia com long BRLMXN após decisão de política monetária no Brasil, mas aponta que, em taxas, prefere esperar, pelo menos por agora. O banco entende q
Autor  Investing.com
13 dez. 2024
Investing.com – O UBS BB anunciou que mantém estratégia com long BRLMXN após decisão de política monetária no Brasil, mas aponta que, em taxas, prefere esperar, pelo menos por agora. O banco entende q
goTop
quote