Brasil atinge Discord e TikTok em medidas consecutivas de segurança infantil

O governo brasileiro interpôs uma ação civil coletiva por danos morais contra o Discord, exigindo 500 milhões de reais, aproximadamente 97 milhões de dólares, devido ao que alega serem incumprimentos das leis de proteção de crianças e mulheres, segundo a Reuters.
O Procurador-Geral da República, Jorge Messias, anunciou a medida esta quarta-feira. Surge na sequência de uma ordem emitida este mês pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que exige que o Discord suspenda as transmissões em direto e as videochamadas no Brasil. A ordem foi emitida após o suicídio de uma rapariga de 13 anos, que terá sido incentivada a automutilar-se durante uma transmissão em direto, segundo as autoridades.
O Discord apresentou um recurso contra esta suspensão na segunda-feira, e a agência informou a AFP que o recurso está sob análise.
O Brasil está a utilizar os tribunais para ir além do limite máximo de penalizações estabelecido pela entidade reguladora
O processo judicial ultrapassa o que a própria entidade reguladora poderia impor. A agência de proteção de dados iniciou a sua investigação no início de agosto, por recomendação da Secretaria de Direitos Digitais, e deu ao Discord cinco dias para demonstrar como protege crianças e adolescentes, sob pena de multa até 50 milhões de reais em caso de incumprimento, segundo informações da MLex.
A suspensão foi ordenada a 12 de agosto e o Discord acatou a ordem a 17 de agosto, alegando que procurava uma solução que permitisse o regresso dos fundos. Recorrer à justiça por dez vezes o limite máximo administrativo é a forma que o governo encontra para ultrapassar o seu próprio órgão regulador.
O TikTok foi multado em 30 milhões de dólares por uso indevido de dados de crianças no dia anterior
O processo interposto pelo Discord ocorreu numa semana de fiscalização. Na terça-feira, a autoridade multou o TikTok em 153,7 milhões de reais, cerca de 30 milhões de dólares, por irregularidades no processamento de dados de crianças e adolescentes, e ordenou à ByteDance que apagasse os dados recolhidos em violação das normas, segundo a AFP.
A entidade reguladora estimou que a empresa pode ter processado dados de até 8 milhões de crianças e citou falhas no processo de verificação da idade. O TikTok tem 10 dias para recorrer e afirmou que irá cumprir as novas regras, que incluem definições de privacidade padrão mais rigorosas para menores de 16 anos, controlos parentais melhorados e filtragem de conteúdos reforçada.
Na semana passada, a empresa concordou em pagar 400 milhões de dólares para encerrar um processo separado do Departamento de Justiça dos EUA relacionado com a privacidade das crianças.
Vinte e duas plataformas estão agora sob escrutínio, à medida que a fiscalização se alarga
A diretora da agência, Lorena Giuberti Coutinho, disse que os procedimentos começaram na semana passada para verificar se 22 redes sociais e plataformas estão a cumprir uma lei de proteção infantil aprovada no Brasil este ano, que exige que as contas dos utilizadores menores de 16 anos estejam ligadas à conta de um dos pais e obriga as plataformas a verificar a idade.
Acredito que podemos esperar uma fiscalização muitotronnos próximos meses.
– Lorena Giuberti Coutinho
O Brasil já tomou medidas contra as grandes plataformas anteriormente. A plataforma X foi bloqueada durante 40 dias em 2024 até cumprir as ordens do Supremo Tribunal Federal para remover contas acusadas de disseminar desinformação.
Noutro processo, o grupo de defesa do consumidor Instituto de Defesa Coletiva está a pedir uma indemnização de 3 mil milhões de reais das unidades brasileiras do TikTok, Kwai e Meta devido à utilização dos seus serviços por menores.
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