TradingKey - No primeiro dia de negociação de setembro, as ações no pré-mercado da fabricante de câmeras de ação GoPro (GPRO) continuaram a disparar. Na sessão de negociação anterior, a ação fechou em alta de 46,06% e subiu mais de 100% no pré-mercado em 1º de setembro. Até o momento desta publicação, os ganhos da GPRO no pré-mercado haviam recuado para 76%.
Medindo a partir da mínima recente de cerca de US$ 0,60 em 28 de agosto até atingir US$ 1,80 no pré-mercado de 1º de setembro, a alta no preço da ação alcançou aproximadamente 200%.

[Fonte: TradingView]
O catalisador direto para o disparo das ações foi a revelação de que a estrela do YouTube e cineasta Mark Fischbach (Markiplier) adquiriu uma participação relevante na GoPro.
De acordo com um documento enviado à U.S. Securities and Exchange Commission (SEC), Markiplier possui 13,5 milhões de ações ordinárias de Classe A da GoPro, representando 8,5% da classe e tornando-o o maior acionista externo individual da empresa. O formulário Schedule 13G foi submetido em 20 de agosto, indicando que a mudança de participação ocorreu em 13 de julho.
Com base no preço da ação e no valor de mercado da GoPro por volta de 31 de agosto, a participação valia aproximadamente US$ 9,3 milhões na época. No entanto, à medida que o preço das ações da GoPro continuou a disparar em 1º de setembro, o valor de mercado de sua participação aumentou substancialmente em paralelo.
Em entrevista à Bloomberg, Markiplier afirmou acreditar que a ação da GoPro está subavaliada, descrevendo-a como algo em que esteve trabalhando nos bastidores na esperança de que a empresa seja bem-sucedida.
O investimento também está atrelado à atenção recente de Markiplier aos novos produtos da GoPro. Este ano, a GoPro lançou a novíssima série MISSION 1, dentre as quais a MISSION 1 Pro ILS possui um sensor de 1 polegada e 50 MP, processador GP3 e um sistema de lentes intercambiáveis, voltado para criadores profissionais e cineastas.
Markiplier já havia demonstrado e analisado o produto publicamente, afirmando planejar usá-lo em produções cinematográficas futuras. A expectativa é que os produtos em questão cheguem ao mercado no início de setembro.
Apesar da alta no curto prazo no preço das ações, os fundamentos da GoPro não se recuperaram na mesma proporção. De acordo com seu relatório financeiro do 2º trimestre de 2026, a receita foi de aproximadamente US$ 104,9 milhões, queda de 31% em relação ao ano anterior; o volume de vendas de câmeras no varejo atingiu cerca de 291 mil unidades, recuo de 38% na comparação anual.
A GoPro vem enfrentando pressão contínua nos últimos anos. A receita total do ano de 2025 foi de cerca de US$ 652 milhões, uma redução de 19% em relação ao ano anterior, com um prejuízo anual de aproximadamente US$ 93,5 milhões; os prejuízos acumulados de 2023 a 2025 somaram cerca de US$ 578 milhões.
A concorrência de mercado também é um dos principais desafios enfrentados pela empresa. Com fabricantes como DJI e Insta360 expandindo sua participação de mercado, o negócio tradicional de câmeras de ação da GoPro sofreu forte pressão, levando a empresa a ajustar continuamente seu mix de produtos e a cortar custos nos últimos anos.
Em maio deste ano, o conselho de administração da GoPro iniciou oficialmente uma revisão estratégica e contratou assessores financeiros para explorar diversas opções estratégicas, incluindo uma potencial venda da empresa ou uma fusão com outro negócio.
No entanto, atualmente não há evidências de que a compra de ações por Markiplier esteja ligada diretamente a uma potencial venda da GoPro. O documento entregue à SEC classifica sua participação como um investimento passivo, o que não sugere planos para pressionar por uma venda, reestruturação ou mudança de controle.
Portanto, essa alta é melhor compreendida como o capital buscando uma ação de baixa capitalização de mercado e de alto perfil, impulsionada pela notícia da entrada de um criador de destaque em sua base acionária. Enquanto isso, resta saber se a GoPro conseguirá melhorar seu desempenho operacional com a série MISSION 1 e se a revisão estratégica iniciada anteriormente culminará, em última análise, em uma venda ou fusão.